O RALI
O Dakar é uma corrida, o rali mais exigente do mundo: mais de duas semanas de esforço e milhares de quilómetros de pista programados. Todos os anos, desde 1979, as tripulações, homens e mulheres, alimentam uma rivalidade intensa em pleno deserto. A sentença final designa sistematicamente vencedores de excepção. Porque mais do que noutras modalidades do mundo do desporto mecanizado, o sucesso no Dakar resulta de uma combinação de desempenho, determinação e regularidade.
Acima de tudo, e para além da vitória, a essência do Dakar consiste no desafio. Cada um dos concorrentes que participa mede-se, por um lado, em relação aos outros, mas também a si a mesmo, num contexto que o convida a exceder-se e ao mesmo tempo a ser humilde. Com objectivos que correspondem aos seus meios, os candidatos a esta aventura têm em comum a busca do equilíbrio.
Ponte entre dois continentes, o Dakar parte ao encontro dos países africanos com uma atracção específica pelo deserto. A capital senegalesa, cidade de chegada tradicional, está histórica e sentimentalmente associada ao rali. Apesar disso, a vontade de descoberta dos concorrentes obrigou frequentemente os organizadores do Dakar a alterar o percurso, com chegadas, por exemplo, à cidade do Cabo (1992), ao Cairo (2000) ou a Sharm-el-Sheik (2003). No total dos 53 países de África, o Dakar já passou por 21.
Em relação à edição de 2007, o rali parte de Portugal pela segunda na sua história. Em seguida, a caravana atravessará Marrocos, Mauritânia, Mali e Senegal.
Com 475 veículos no início da corrida (232 motos, 174 carros e 69 camiões, ou seja 775 pessoas), o Dakar 2006 registou um recorde de participação. No final da 28ª edição do Dakar chegaram 93 motos, 66 tripulações de carro e 35 camiões. Luc Alphand de carro e Marc Coma em moto foram consagrados vencedores pela primeira vez. Vladimir Chagin, ao volante de um camião Kamaz, conseguiu conquistar pela quinta vez o título de vencedor.
| Ano | Motas | Carros | Camiões |
|---|---|---|---|
| 2006 | Coma (KTM) | Alphand/Picard (MIT) | Tchaguine/Yakoubov/Savostine (KAM) |
| 2005 | Despres (KTM) | Peterhansel/Cottret (MIT) | Kabirov/Belyaev/Mokeev (KAM) |
| 2004 | Roma (KTM) | Peterhansel/Cottret (MIT) | Tchaguine/Yakoubov/Savostine (KAM) |
| 2003 | Sainct (KTM) | Masuoka/Schulz (MIT) | Tchaguine/Yakoubov/Savostine (KAM) |
| 2002 | Meoni (KTM) | Masuoka/Maimon (MIT) | Tchaguine/Mardeev/Savostine (KAM) |
| 2001 | Meoni (KTM) | Kleinschmidt/Schulz (MIT) | Loprais/Kalina (TAT) |
| 2000 | Sainct (BMW) | Schlesser/Magne (SCH) | Tchaguine/Yakoubov/Savostine (KAM) |
| 1999 | Sainct (BMW) | Schlesser/Monnet (SCH) | Loprais/Kalina/Stachura (TAT) |
| 1998 | Peterhansel (YAM) | Fontenay/Picard (MIT) | Loprais/Stachura/Cermak (TAT) |
| 1997 | Peterhansel (YAM) | Shinozuka/Magne (MIT) | Reif/Deinhofer (HIN) |
| 1996 | Orioli (YAM) | Lartigue/Prin (CIT) | Moskovskikh/Kouzmine (KAM) |
| 1995 | Peterhansel (YAM) | Lartigue/Prin (CIT) | Loprais/Kalina/Stachura (TAT) |
| 1994 | Orioli (CAG) | Lartigue/Prin (CIT) | Loprais/Kalina/Stachura (TAT) |
| 1993 | Peterhansel (YAM) | Saby/Serieys (MIT) | Perlini/Albieio/Vinante (PER) |
| 1992 | Peterhansel (YAM) | Auriol/Monnet (MIT) | Perlini/Albieio/Vinante (PER) |
| 1991 | Peterhansel (YAM) | Vatanen/Berglund (PEU) | Houssat/De Saulieu/Bottaro (FRA) |
| 1990 | Orioli (CAG) | Vatanen/Berglund (PEU) | Villa/Delfino/Vinante (PER) |
| 1989 | Lalay (HON) | Vatanen/Berglund (PEU) | |
| 1988 | Orioli (HON) | Kankkunen/Piironen (PEU) | Loprais/Stachura/Ingmuck (TAT) |
| 1987 | Neveu (HON) | Vatanen/Giroux (PEU) | De Rooy/Geusens/Van (DAF) |
| 1986 | Neveu (HON) | Metge/Lemoyne (POR) | Vismara/Minelli (MER) |
| 1985 | Rahier (BMW) | Zaniroli/Da Silva (MIT) | Capito/Capito (MER) |
| 1984 | Rahier (BMW) | Metge/Lemoyne (POR) | Lalleu/Durce (MER) |
| 1983 | Auriol (BMW) | Ickx/Brasseur (MER) | Groine/De Saulieu/Malferiol (MER) |
| 1982 | Neveu (HON) | Marreau/Marreau (REN) | Groine/De Saulieu/Malferiol (MER) |
| 1981 | Auriol (BMW) | Metge/Giroux (RAN) | Villette/gabrielle/Voillerau (ALM) |
| 1980 | Neveu (YAM) | Kotulinsky/Luffelman (VW) | Ataquat/Boukrif/Kaola (SON) |
| 1979 | Neveu (YAM) |
Só se vislumbra uma pessoa. O palmarés do Dakar revela a todos os seus seguidores o maior homem da prova: Stéphane Peterhansel. Vencedor seis vezes em moto, o francês alargou a sua colecção com mais dois títulos conquistados após a sua passagem para as quatro rodas. Antes, entre aqueles que inscreveram o seu nome na legenda do Dakar, só Hubert Auriol, mais conhecido como "o africano", se tinha imposto nas duas categorias, com três vitórias no total. Os adeptos das duas rodas têm igualmente presente a imagem de Cyril Neveu, vencedor dos dois primeiros Dakar ao volante de uma Yamaha 500 XT, e mais tarde ao volante de uma Honda. Richard Sainct (3 vitórias) e Fabrizio Meoni (2 vitórias), tendo ambos sido vítimas, com alguns meses de intervalo, da sua paixão pelo deserto, também eles têm um lugar privilegiado na memória do rali.
A passagem de Ari Vatanen, e precisamente das suas quatro vitórias ao volante dos Peugeot 205 e posteriormente dos 405, consagrou o finlandês como um ícone do rali. Campeão do mundo de WRC em 1982, Vatanen aplicou com êxito os seus dotes de pilotagem agressiva ao rali. Foi nos circuitos, inclusive de F1, que Jean-Louis Schlesser aperfeiçoou a sua pilotagem. O impetuoso reconvertido impôs-se por duas vezes nos seus buggys azuis, apesar de nunca ter conseguido chegar às alturas do palmarés mais elevado de um dos pioneiros, René Metge, detentor de três títulos nesta categoria Por último, Jutta Kleinschmidt, que tal como muitos outros pilotos, tomou o gosto pelo Dakar em cima de uma moto ainda como piloto amador, e é até hoje a única mulher vitoriosa do rali, com uma vitória na categoria dos carros em 2001.
Na categoria dos camiões, a marca Kamaz domina actualmente o historial graças ao seu dianteiro Vladimir Tchaguine (5 vitórias). Este domínio transformou-se numa corrida de perseguição com o checo Karel Loprais, que possui um dos CV mais ricos do Dakar: seis vitórias entre 1988 e 2001.