etapa 8 - domingo 14 de Janeiro de 2007 | Atar - Tichit
- Ligação 35 km
- Especial 589 km
- Ligação 2 km
- Total 626 km
A rota do dia
A rota do dia
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UM TERÇO DE ABANDONOS ENTRE OS PORTUGUESES ATÉ ATAR
Na primeira metade do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007, registaram-se nove abandonos entre as 27 equipas portuguesas que alinharam à partida, frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Mas, se um terço ficou pelo caminho, a verdade é que são o dobro aqueles que arrancaram de Atar para a segunda fase do percurso, tomando, definitivamente, o caminho para Dakar. Um caminho que ainda é longo, convém sublinhar, embora algo “aliviado†pela surpressão da segunda etapa maratona, que deveria escalar Tombouctou, no Mali, e foi substituÃda por uma ronda em torno de Néma, a que se seguirá uma mera etapa de ligação desta povoação para Ayoun El Atrous. Esta alteração do percurso, anunciada poucos dias antes da partida de Lisboa, faz da oitava e nona tiradas as mais difÃceis da segunda parte do rali, tanto mais que se trata de uma longa etapa maratona, com 1023 quilómetros para cumprir entre Atar e Néma (dos quais 983 são cronometrados), intervalados por uma escala esta noite em Tichit, onde é vedada a presença dos veÃculos de assistência.
“Enfrentar uma etapa maratona, sobretudo tão longa e exigente como esta, que penetra bem no interior do Sahara, deixa apreensivo mesmo um piloto experiente e muito bem equipado, como os que estão integrados nas equipas oficiaisâ€, refere LuÃs Ferreira, que um ano depois de ter-se estreado no “Dakarâ€, voltou a chegar a Atar com o seu Land Rover Defender 110 Td5, “um veÃculo praticamente de sérieâ€, como não há muitos na caravana. Acompanhado por Pedro Sereno, um médico que aos 55 anos se estreou nas competições de todo-o-terreno precisamente pela mais difÃcil de todas, LuÃs Ferreira é o piloto com maiores limitações entre os dez portugueses que concorrem de automóvel e prosseguiram para a segunda parte do rali, mas confia num trunfo precioso, as suas excelentes capacidades de navegação, reconhecidas por diversas vitórias em provas internacionais de orientação no deserto. “Já que não disponho de um carro rápido, pelo menos não costumo enganar-me no percurso e sempre evito maiores atrasosâ€, dizia ao sair para a oitava etapa, numa altura em que ocupava o 93º posto absoluto. Atrás de LuÃs Ferreira contavam-se mais quatro carros portugueses: os Toyota Land Cruiser das duplas Paulo Marques/Rui Benedi (103º lugar) e Mário Ferreira/José Carlos Sousa (121º), o Mitsubishi Pajero D-iD de Nuno Inocêncio e Jaime Santos (106º), bem como o Nissan Patrol GR de Bernardo Vilar e Pedro Gameiro (108º). Os últimos deste quarteto, Mário Ferreira e José Carlos Sousa, jamais tinham participado em provas de automobilismo, mas depois de terem penalizado cinco horas logo na etapa de abertura, pois não conseguiram passar nas areias da Comporta, têm-se revelado bons aprendizes. Por seu lado, os veteranos Paulo Marques e Bernardo Vilar, assim como Nuno Inocêncio, estariam bastante melhor posicionados se não tivessem sofrido pesadas penalizações (de, respectivamente, 8h.18m., 19h.00 e de 12h.07m.), em consequência de atrasos por problemas mecânicos.
Quanto ao lote dos cinco melhores portugueses em automóvel, o ânimo não era o mais forte entre o primeiro deles: Carlos Sousa, que ao desencontrar-se com o seu navegador (Andreas Schulz) em pleno deserto, perdeu também as chances de continuar a defender o terceiro posto absoluto, averbando um atraso tal à chegada a Atar que foi remetido para o nono lugar. Mais satisfeitos, embora não totalmente, estavam Miguel Barbosa e Miguel Ramalho, que completaram a primeira metade da prova no 15º lugar absoluto, dispondo – curiosamente – da mesma Nissan Pick-Up que Carlos Sousa conduziu na edição de 2006. Seguem-se os Mitsubishi Pajero D-iD da dupla Francisco Inocêncio/Paulo Fiúza e do “solitário†Ricardo Leal dos Santos, que em Atar estavam colocados no 56º e 66º postos, tendo percorrido os 5125 quilómetros desde Lisboa sem conhecerem problemas graves. O mesmo se aplica a Nuno Ferreira e Nascimento Costa, que ao chegar a meio eram os melhores estreantes do plantel nacional em automóvel, ocupando o 74º posto com o Bowler Wildcat.
Nos camiões, o 26º posto absoluto do MAN M2000 de Elisabete Jacinto, Ãlvaro Velhinho e Rui Porêlo constitui um resultado dentro dos objectivos que esta equipa tinha traçado, abrindo perspectivas de melhorar ainda mais na segunda fase, “aproveitando bem as etapas que ainda restam cumprir no desertoâ€, de acordo com a piloto, pois na fase final, na savana, “traçado é estreito, sinuoso e serpenteia entre árvores, não permitindo milagres aos camiões, que têm, aliás, extrema dificuldade em fazer ultrapassagensâ€.
Entre os pilotos das motos, o rali começou com Ruben Faria e Hélder Rodrigues a sucederem-se na liderança, mas depois da caravana entrar em Ãfrica, as Yamaha 450 WRF destes dois foram suplantadas pelas KTM Rally dos pilotos oficiais desta marca austrÃaca. E se Hélder Rodrigues ainda logrou manter-se no pelotão da frente, ocupando o 8º posto em Atar, já Ruben Faria, que ficou longas horas imobilizado na terceira etapa devido à quebra do motor, completou a primeira metade da prova num discreto 66º lugar, tendo atrás de si somente dois compatriotas: a KTM 660 Rally de Carlos Ala (89º lugar absoluto), que ao participar pela terceira vez no “Dakar†segue a mesma receita para atingir o controlo final, “procurando apenas ultrapassar uma etapa após a outra, sem correr riscoâ€, e o quad Yamaha FZM 700R de João Nazareth (123º), que por duas vezes foi o mais rápido da sua categoria, mas que ao cumprir a sétima etapa, até Atar, com um pneu furado, acabou por atrasar-se significativamente, baixando cerca de meia centena de lugares.
Relativamente aos nove desafortunados, o primeiro a ficar pelo caminho foi Adélio Machado (Toyota Land Cruiser), que viu-se obrigado a renunciar durante a quarta etapa devido a um impacto violento no solo ter provocado um grave lesão ao seu navegador, Jean-Louis Dronne, que foi evacuado de emergência num helicóptero da organização. Machado ambicionava vencer a classificação reservada aos veÃculos de Produção e em três etapas que completou foi por duas vezes o mais rápido do grupo T2. Na mesma altura, ficou também de fora José Henrique Carvalho (KTM), um veterano que se estreara no "Dakar" 15 após ter abandonado o motociclismo e que não resistiu ao esforço. A baixa seguinte deu-se em Tan Tan, após a quinta etapa, onde António Ventura voltou a deixar a caravana, pois o seu quad Yamaha não estava em condições de continuar; no ano anterior, este piloto também não chegou a entrar na Mauritânia. Com a chegada a Zouérat, a primeira escala mauritana, o contingente português sofreu a maior razia, afastando-se de uma só vez três automóveis: o Bowler dos irmãos Rodrigo e Duarte Amaral, que seguiam muito bem posicionados (estavam no 55º lugar) quando um problema eléctrico os impediu de prosseguir, o Land Rover Defender 110 Td5 de António Sousa e Manuel Reyes, que parecia ameaçar desintegrar-se, e ainda o Nissan Pathfinder de Madalena Antas e Patrick Antoniolli, que não foi devidamente reparado em Atar e acabou por chegar a Zouérat a reboque de um camião, com o motor irremediavelmente afectado por uma fuga de óleo. As últimas das nove desistências deram-se com Pedro Oliveira (Yamaha) e a dupla formada por Lino Carapeta e Ricardo Cortiçadas, que renunciaram na sétima etapa. Enquanto que a Yamaha de Oliveira ficou a meio do percurso, Carapeta e Cortiçadas conheceram constantes problemas de transmissão e logo ao inÃcio da sétima etapa optaram por não continuar em prova, “pois tÃnhamos cumprido somente 19 quilómetros quando a transmissão voltou a partir, pelo que entendemos que o risco de perdermos o nosso Bowler no meio do deserto era demasiado alto para que se justificasse arriscar continuarmos em direcção a Atar somente com duas rodas motrizesâ€.
CARLOS SOUSA E HÉLDER RODRIGUES EM NONO APÓS CHEGAREM A TICHIT
Sem surpresa, a oitava etapa será para grande parte dos participantes no Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 uma longa marcha nocturna, pois ao pôr do sol, pelas 18h.19, o acampamento em Tichit permanecia praticamente vazio. Entre os poucos concorrentes que já tinham completado os 626 quilómetros desde Atar – que incluiu o sector selectivo mais extenso, com 589 km – contavam-se, no entanto, três portugueses: os “motards†Hélder Rodrigues (Yamaha), Pedro Bianchi Prata (Yamaha) e Nuno Mateus (KTM); Carlos Sousa (Volkswagen), ainda terminou esta longa tirada antes da escuridão descer sobre o deserto, mas por pouco, pois quando atingiu o controlo final da etapa, o sol tinha desaparecido há 20 minutos...
Décimo mais rápido dos automóveis, Carlos Sousa concedeu uma hora e 38 minutos ao sul-africano Giniel de Villiers (Volkswagen) – que consolidou a liderança – mas nem por isso viu a sua posição alterada, mantendo-se no nono lugar em termos absolutos, intercalando o Mitsubishi Pajero de Hiroshi Masuoka e o Hummer de Robby Gordon. Pelas 20h.30, das três dezenas de equipas em automóvel que tinham alcançado Tichit, o Volkswagen Race Touareg 2 de Sousa era o único representante nacional.
Pouco passava das quatro da tarde quando a Yamaha 450 WRF de Hélder Rodrigues parou no controlo final do sector selectivo, mas as KTM dos nórdicos Pal Anders Ullevalseter (norueguês) e Frans Verhoeven (holandês) chegaram mais cedo e ultrapassaram-no, adiantando-se significativamente na classificação, ao ascenderem do nono e décimo para o quinto e sexto lugares. Mesmo assim, o atraso de Francisco Lopez, permite a Hélder Rodrigues minimizar o “prejuÃzoâ€, o lugar deixado vago pelo seu adversário chileno não só lhe permitiu descer apenas uma posição, para nono, como assumir a liderança da classe reservada à s motos de Super-Produção com motor até 450 cc.; o adversário mais directo de Hélder Rodrigues nesta classe é agora o francês Michel Marchini, que ocupa o décimo posto absoluto e dispõe de uma Yamaha idêntica à do português.
Com desempenhos muito distintos nesta oitava etapa, Pedro Bianchi Prata (Yamaha) e Nuno Mateus (KTM) ocupam agora o 33º e 34º lugares da classificação, separados entre si por um minuto e 56 segundos. Enquanto que Prata, que foi o 18º na etapa, recuperou de uma só vez mais 12 posições, Mateus desceu três lugares.
Bastante maior, no entanto, foi a descida de Paulo Gonçalves (Honda), que apenas terminou o sector selectivo cerca das 21 horas da noite, demorando mais 5h.13m.22s. que o mais rápido para cumprir os 589 quilómetros cronometrados. Gonçalves, que à saÃda de Atar estava no 14º posto, baixou para 32º, colocando-se agora precisamente à frente de Nuno Mateus e Bianchi Prata.
RUBEN FARIA CONFIRMA ABANDONO
Com sua Yamaha recolhida no camião vassoura, o primeiro lÃder da prova, Ruben Faria acabou por confirmar o abandono. O motor partido não lhe deixou alternativa, deixando a representação da SPEDakar entregue a Nuno Mateus, visto que Ricardo Pina também já tinha sido obrigado à desistência, por lesão. Entretanto, Carlos Ala (KTM) conseguiu, finalmente, chegar ao “bivouac†de Tichit, registando o 98º tempo, o que o coloca num honroso 87º lugar – pouco depois das 24 h – à partida para a nona etapa.
Entre as tripulações nacionais nos automóveis, coube a Ricardo Leal dos Santos (Mitsubishi) assumir, nesta oitava especial, a posição de segundo melhor português. Terá conseguido reparar a máquina de café? O facto é que, neste terreno exigindo elevadas doses do excitante presente na revigorante bebida, o único piloto luso “a solo†conseguiu, em 11.55.11 horas assinar o 45º tempo. Sorte, ou falta dela, foram, aliás, determinantes nestes 589 km cronometrados.
Miguel Barbosa e Miguel Ramalho (Nissan Proto), acabaram por encontrar um adversário inesperado, apenas três dezenas de quilómetros após uma partida estranha, em que o piloto de Cascais afirma não compreender a razão porque, em vez de partir do 23º lugar, correspondente à classificação da etapa anterior, acabou por largar 20 posições mais atrás “prejudicado pelo pó de mais 20 carrosâ€. Após 30 km de especial, Miguel Barbosa atascou “gravemente†e a dupla levou mais de duas horas a conseguir reentrar na prova, sendo obrigada a recorrer aos macacos manuais, “visto que os hidráulicos deixaram de funcionarâ€. A etapa ficou comprometida e o Nissan Proto – depois do brilharete das etapas anteriores – registou apenas o 56º lugar na etapa, regressando ao 25º lugar da geral. Uma perda de dez posições à qual não será estranha a situação, que hoje deverá ser clarificada, de ter largado em posição indevida, relativamente à ordem de chegada da sétima etapa.
Entretanto, Carlos Sousa, no acampamento, conseguiu esclarecer a razão da hora e meia perdida, deixando escapar o americano Mark Miller (Volkswagen Race Touareg 2 ), que saltou do lugar imediatamente à sua frente, para a sétima posição na geral. Miller, que foi quinto na etapa, não encontrou os mesmos obstáculos que o português, enquanto Sousa (décimo) teve de contar com um furo, outro atascanço complicado – que embora não o tendo fazer perder tanto tempo como o da etapa anterior, que deu origem à polémica, entretanto resolvida, com o reconhecimento oficial da sua versão, o fez perder “demasiado tempo†– e, sobretudo, com um embate numa pedra, motivando uma fissura no cárter do óleo. “Tivemos de parar, por diversas vezes, para repor óleo, para além de termos tido de abrandar bastante o nosso ritmoâ€, explicou Sousa, nutrindo grande confiança no facto de conseguir “solucionar o problema para a etapa seguinteâ€. Uma coisa é certa. Se assim suceder, o piloto de Almada não abdica do esforço final: “O rali só termina em Dakar e, até lá, tudo pode mudar. Vamos continuar a dar o nosso melhorâ€.
Bernardo Vilar e Pedro Gameiro (Nissan Patrol GR), com uma prova detrás para a frente, depois da enorme penalização inicial, devido a problemas mecânicos, conseguiram, mais de cinco horas depois de De Villiers, chegar a Tichit em 60º, protagonizando uma fantástica recuperação para o mesmo lugar (provisório) da geral, enquanto, nos Camiões, Elisabete Jacinto/Velhinho/Porêlo, com um estrondoso 22º lugar na etapa, se aproximaram do “sonho†da “Setôraâ€: os 15 primeiros lugares. A tripla da “camionagem†Trifene, cerca das 1.00 h da manhã de segunda-feira expõe, aos holofotes dos que estão para lá do 19º lugar da geral, na carroçaria do MAN, a bula do generoso (já que é o principal patrocinador) medicamento que, eventualmente, retirará as dores de cabeça e de outras partes do corpo Humano, aos mais atrasados.
Às 1.11 h de segunda-feira, Paulo Marques/Rui Benedi (Toyota Land Cruiser) e Nuno Nazareth (Yamaha/Quad) haviam já alcançado Tichit, mas a sua classificação ainda não estava disponÃvel.
Não perca as emoções da próxima (nona) etapa, com todos os esclarecimentos adicionais que a equipa do Euromilhões lhe proporcionará!!!
IRMÃOS INOCÊNCIO NA PISTA
Após última actualização do sistema Iritrack, de localização por satélite, irmãos Inocêncio, continuavam a ser assinalados na pista. Nuno Inocêncio (Mitsubishi pajero DiD, antes de CP1, no inÃcio da etapa, e Francisco Inocêncio (Mitsubishi Pajero DiD), após CP2. Um alvorecer "negro", para os pilotos da Red Line

