etapa 7 - sexta-feira 12 de Janeiro de 2007 | Zouérat - Atar
- Ligação 4 km
- Especial 542 km
- Ligação 34 km
- Total 580 km
A rota do dia
A rota do dia
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HÉLDER RODRIGUES É O MELHOR PORTUGUÊS A MEIO DA PROVA
Ao completar-se a primeira metade desta edição do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar, o “motard†Hélder Rodrigues (Yamaha) é o melhor dos pilotos portugueses, ocupando a oitava posição absoluta da classificação reservada à s “duas rodasâ€, enquanto que o Volkswagen Race Touareg 2 de Carlos Sousa é o nono dos automóveis.
Na sétima etapa, considerada unanimemente a mais difÃcil até ao momento, enquanto que Hélder Rodrigues logrou recuperar mais um lugar na classificação das motos, Carlos Sousa desceu seis posições, afastando-se determinantemente dos lugares da frente, onde permanecia desde a etapa de abertura. Tudo porque Carlos Sousa e o seu navegador, Andreas Schulz, perderam-se um do outro e demoraram longo tempo a reencontrar-se. É importante explicar convenientemente o que aconteceu: após uma manobra para desatascar o Volkswagen, Sousa avançou até um ponto suficientemente seguro (entenda-se firme) para parar, enquanto Schluz ficou para trás a recolher as placas de desatascamento. Esta é, aliás, uma situação banal no deserto. Menos vulgar é o que sucedeu a seguir: levantou-se uma tempestade de areia e o navegador desorientou-se, vageando a pé pelo deserto durante algum tempo até conseguir descobrir onde se encontrava o carro. Impiedoso, o cronometro não parou senão no controlo final e estes incidentes custaram a Carlos Sousa um atraso de quase duas horas e meia sobre Giniel de Villiers (Volkswagen), que para além de ter sido o mais rápido na etapa, conseguiu também ascender à liderança, por troca com Carlos Sainz (Volkswagen), que está agora a um minuto e 39s. do sul-africano. Quanto à terceira posição, passou a ser ocupada por Stéphane Peterhansel (Mitsubishi), que finalmente quebrou o domÃnio exercido pelos Volkswagen, relativamente aos três lugares de honra.
À chegada a Atar, onde a caravana vai permanecer estacionada durante todo o Sábado, Carlos Sousa e Andreas Schulz encarregaram-se de desfazer um equÃvoco que chegou a circular pelo mundo fora e que dava conta de uma zanga a bordo do Volkswagen nº 313 ter originado o desencontro. É que “Andy†Schulz foi, efectivamente, visto a andar sozinho a pé pelo deserto e depois de ter perguntado a uma equipa de televisão se alguém tinha visto passar o seu carro, o boato de um desentendimento entre o piloto e o navegador espalhou-se à velocidade de um fósforo...
SETE “MOTARDS†RESISTEM NA CARAVANA
O Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 chegou a Atar, pequena cidade entre as montanhas do Adrar, no norte da Mauritânia, que para os concorrentes significa também “descansoâ€: nas próximas 24 horas, a corrida estará neutralizada e só domingo será retomado o percurso rumo a Dakar. Até lá, é tempo para, precisamente, descansar!...
E ninguém tem dúvidas em como os mais cansados entre todos os concorrentes serão os “motardsâ€, que nos últimos sete dias tiveram de percorrer praticamente 4500 quilómetros, uma boa parte dos quais em luta com o cronometro. Por isso, todos os “motards†aplaudiram quando a organização decidiu anular o último sector da “especial†entre Zouérat e Atar, suprimindo os 134 quilómetros finais devido à falta de condições de segurança: com a tempestade de areia que entretanto se levantou, os helicópteros deixaram de poder voar, inviabilizando qualquer evacuação de emergência. E esta é uma condição indispensável para que as motos possam correr.
A decisão de terminar mais cedo o sector selectivo foi particularmente bem recebida por João Nazareth, o único representante nacional na categoria de quads que permanece em prova. VÃtima de um furo numa das rodas traseiras, Nazareth foi forçado a moderar o andamento, pois não dispunha de meios para substituir o pneu em plena pista, pelo que atrasou-se mais de seis horas e meia face aos mais rápidos e, sobretudo, afastou-se do segundo lugar entre os quads, descendo para quinto. Em termos absolutos, este piloto caiu 49 posições – trocou o 75º pelo 124º posto – e foi remetido para último entre os sete “motards†portugueses que resistem na caravana. Assinale-se que tinham completado a sexta etapa oito motos portuguesas, mas Pedro Oliveira (Yamaha) renunciou no inÃcio da sétima etapa, juntando-se assim a António Ventura (Yamaha Quad), José Henrique Carvalho (KTM) e Ricardo Pina (KTM), que já tinham abandonado.
Por ordem crescente, o plantel nacional é liderado por Hélder Rodrigues, que chegou a Atar com a sua Yamaha colocada no oitavo posto absoluto, subindo novamente mais uma posição. Nesta etapa, Rodrigues foi igualmente o mais rápido dos portugueses, tendo estabelecido o 11º lugar da geral. O segundo melhor foi Paulo Gonçalves (Honda), autor do 15º lugar na etapa – ocupa a mesma posição à geral – logo seguido pela Yamaha de Ruben Faria, que gastou mais um minuto e 27 segundos no percurso. Todavia, apesar da constante recuperação que tem empreendido desde que atrasou-se na terceira etapa, o piloto algarvio ainda segue num modesto 67º lugar.
Sacrificado na sexta etapa, onde cedeu o pneu traseiro da sua moto a Hélder Rodrigues quando encontrou o seu companheiro de equipa imobilizado devido a um furo, Pedro Bianchi Prata conseguiu recuperar ligeiramente desde Atar a Zouérat: obteve o 25º posto na sétima etapa e subiu uma dezena de lugares em termos absolutos, colocando-se em 47º.
Nuno Mateus (KTM), por seu lado, foi o 37º mais rápido na “especial†e conseguiu melhorar quatro posições na classificação geral, ascendendo ao 30º lugar. Finalmente, Carlos Ala (KTM), continua a ocupar o 90º posto absoluto, privilegiando uma toada tranquila para não comprometer o seu objectivo primordial, que é chegar a Dakar pela terceira vez... em três participações. Metade do caminho já lá vai!...
CARLOS SOUSA DESENCANTADO
Carlos Sousa/Andreas Schulz – Volkswagen Race Touareg 2 (42º/9º): “É absolutamente ridÃculo o que se passou. Tivemos o azar de nos perdermos (e atascar) no meio de uma tempestade de areia. Devido ao tempo que ficámos parados perdemos o terceiro lugar. (NR: O episódio do navegador ‘abandonado’) Foi um desencontro que pode acontecer num local de dificÃlimas condições de visibilidadeâ€.
Miguel Barbosa/Miguel Ramalho – Nissan Proto (17º/15º): “Fico contente por ter sido o melhor português. Penso que a nossa determinação e garra foram fundamentais. No entanto, todo o percurso foi feito com muita dificuldade. Estivemos sempre debaixo de areia. A tempestade não permitia visibilidade alguma. E quando chegámos à zona das dunas tudo se complicou. Ninguém se entendia, tal era o número de pilotos que ali se encontravam. Para complicar ainda mais, furámos e perdemos algum tempo com isso, porque era extremamente difÃcil mudar o pneu naquelas condições. Ainda tive o azar de atascar duas vezes. Felizmente, com a ajuda da população local, consegui sair e continuar, mas a um ritmo baixo, porque não se via nada. Foi, claramente, a especial mais difÃcil que fizemos até agoraâ€.
Francisco Inocêncio/Paulo Fiúza - Mitsubishi Pajero DiD (110º/56º): Com a transmissão partida foi ajudado pelo camião da Red Line e conseguiu chegar a Atar. A equipa continua a ser a terceira melhor entre as portuguesas, mas desceu do 38º para o 56º lugar da geral.
Paulo Marques/Rui Benedi – Toyota Land Cruiser (59º/96º): “Atascámos, como tantos outros, mas chegámos ao final com um resultado que não considero nada negativo, ainda para mais quando conseguimos passar vários pilotos em pista. Vamos tentar tirar o máximo partido do dia de descanso e, como é natural, tratar de rever o carro todo, para nos apresentarmos com a melhor preparação possÃvel para a segunda metade da provaâ€.
Nuno Inocêncio/Jaime Santos – Mitsubishi Pajero DiD ( 105º/98º): Muitos problemas eléctricos. Chegaram a Atar também com a ajuda do camião da Red Line.
Bernardo Vilar/Pedro Gameiro – Nissan Patrol GR (50º/109º): “ Parece impossÃvel dizer que, o facto de termos sofrido dois furos, até foi o que de menos grave nos aconteceu nesta etapa. O problema de maior gravidade aconteceu quando o depósito de gasolina se rompeu e aquele ‘cheiroso’ lÃquido se começou a espalhar dentro do carro… durante quase 500 quilómetros. A sorte foi a etapa ter sido encurtada, o que nos permitiu chegar – isto após termos parado na assistência das motos para colocar mais 50 litros do precioso lÃquido. Foi um dia bem difÃcil, com a Mauritânia a aparecer em forçaâ€.
Elisabete Jacinto/Ãlvaro Velhinho/Rui Pôrelo – MAN M2000 (19ª/25ª): “Foi magnÃfico. Estava mesmo a precisar de um dia destes para ganhar confiança. Não tive a menor dificuldade em ultrapassar as zonas mais complicadas. Fui passando por muitos carros e camiões, mas o nosso MAN superou todas as dificuldades e o meu navegador levou-me sempre pelo caminho mais indicado. Chego ao dia de descanso com a convicção de que ainda posso fazer melhor e não quero, para já, estabelecer metas. Continuo a dizer que o meu objectivo, com este camião, é um dia chegar aos 15 primeiros. Se for já este ano… seria extraordinárioâ€.
Ruben Faria - Yamaha (16º/67º): “Fiz a especial praticamente sozinho, com o sistema de navegação a funcionar impecavelmente. Parei algumas vezes para ajudar adversários. Decidi, nesta etapa que se esperava difÃcil, poupar-me a mim e também à moto. Não corri riscos e penso que foi a melhor atitude, até porque ainda estava combalido da queda de ontemâ€.
Nuno Mateus – KTM (37º/30): “O protesto que fiz, relativamente à s minhas penalizações, foi aceite. Isto significa que do meu tempo à geral sairão os tempos das penalizações. Deste modo, vou subir na classificação e ficar mais perto do meu objectivo nesta prova: terminar entre os 20 primeiros. Na especial furei a mangueira do depósito e fiz 220 km com apenas 24 litros de gasolina. Mas assim que terminei a especial fiquei sem combustÃvel. Valeu-me a ajuda de outros concorrentes, que me foram cedendo gasolina até chegar à assistênciaâ€.
Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas – Bowler Wildcat (fora de prova): “Foram vários os avisos e não quis arriscar-me a perder o carro. Ontem chegámos muito tarde ao acampamento, com um grave problema eléctrico, mas a ligação para as assistências era muito complicada e a nossa só apareceu pelas quatro horas da manhã. Trabalhou-se toda a noite no nosso carro, para que estivesse em condições de enfrentar as dunas desta sétima etapa, mas logo ao km 19 partiu-se a transmissão traseira. Voltei ao acampamento com intenção de a substituir, mas reflecti sobre o assunto e decidi por um ponto final e não me arriscar a perder o carro numa etapa com todos os ingredientes para isso acontecer, no caso de se repetir um novo problema com as transmissõesâ€.
Madalena Antas/Patrick Antonioli - Nissan Pathfinder (fora de prova): “Estou muito desiludida com o Team Dessoude, que não nos deu atenção nenhuma desde o inÃcio da prova. O carro nunca esteve em condições, mesmo que não tenhamos cometido qualquer erro nem abusado da mecânica. Desfez-se completamente, etapa a etapa, nunca nos permitindo tentar uma boa classificação. Foi uma verdadeira desilusão para todos nós, que confiámos cegamente naquela que se diz ser uma das melhores equipas privadas do mundo…â€.
ELISABETE JACINTO VOLTA A SUBIR NA CLASSIFICAÇÃO
Enquanto o holandês Hans Stacey (MAN) voltou a vencer mais uma etapa e reforçou a liderança nos camiões, mais atrás, a tripla portuguesa formada por Elisabete Jacinto, Ãlvaro Velhinho e Rui Porêlo voltou também a evidenciar-se por nova subida na classificação, pois ao estabelecerem o 19º lugar no sector selectivo, lograram adiantar-se e ultrapassar cinco adversários.
O MAN M2000 cor de laranja, que é como quem diz o camião de Elisabete Jacinto seus parceiros, passou do 30º para o 25º lugar e a piloto concluÃu a primeira metade da prova “mais motivada do que nuncaâ€. Aliás, Elisabete acredita que “as próximas etapas ainda irão permitir melhorar um pouco mais o nosso posicionamento, pois serão cumpridas em areia, que é um tipo de terreno onde me sinto muito à vontade, para além de tratar-se igualmente do piso onde o meu novo MAN evidencia ser mais competitivoâ€.
Terminar entre os 15 primeiros em termos absolutos é o objectivo que Elisabete Jacinto persegue. A “camionista†portuguesa detém um atraso de 11h.20m.17s. sobre o comandante, mas está apenas a duas horas e um quarto do alemão Dieter Depping, que é o 15º classificado, também com um MAN de série.
TEMPESTADE NO DESERTO
O significativo atraso de Carlos Sousa, que não foi além do 42º tempo na ‘especial’, pode ter custado, de forma irreversÃvel, ao piloto do ‘Team Lagos’ o (legÃtimo) sonho de terminar no pódio esta edição do ‘Euromilhões Lisboa-Dakar’, pois até ao momento o desempenho rubricado deixava antever as melhores perspectivas.
No plano inverso, esteve Miguel Barbosa, que averbou o 23º tempo na etapa, caracterizada, de forma geral, por grandes dificuldades e um sem-número de ‘atascanços’, mas logrou subir mais duas posições na caminhada para o tão desejado ‘top 10’. O piloto do ‘Proto Dessoude’ subiu ao 15º lugar da ‘geral’, posição alcançada após um dia de muito sacrifÃcio, com dois furos e igual número de situações de ‘atascanço’. O pior mesmo foi a passagem nas dunas onde a tempestade se fazia sentir com mais intensidade. “Era a confusão geral, pois ninguém se entendia, tal era o número de carrosâ€, descreveu o piloto.
Em etapa marcada por problemas generalizados para a maioria, Bernardo Villar (50º) foi o 3º melhor português e cumpriu a etapa, praticamente, sem incidentes de maior, excepção feita a dois furos. Em termos de ‘geral’, o piloto do Nissan Patrol GR da italiana ‘Promotech’ ocupa a 118ª posição, tendo mantido o mesmo lugar.
A lógica da recuperação permitiu, igualmente, a Paulo Marques (59º) subir cinco posições, chegando ao 103º lugar, mau grado o famalicense ter ‘atascado’.
Para Ricardo Leal dos Santos (109º) as coisas estiveram longe de correr de feição, pois os macacos hidráulicos do Mitsubishi recusaram-se a colaborar e o piloto que está a cumprir o segundo ‘Dakar’ a ‘solo’, desceu sete lugares, passando a ocupar o 66º posto.
Mais à vontade na areia, Nuno Ferreira posicionou o Bowler no 74º posto da ’geral’.
Para os irmãos Inocêncio, a sorte teve duas faces, pois Francisco não foi além do 111º tempo na etapa, acabou por baixar 18 posições e viu-se relegado para o 56º posto da classificação.
Por seu turno, Nuno (105º) desceu cinco lugares e colocou o Mitsubishi Pajero no 106º lugar. Em tendência de subida LuÃs Ferreira (Bowler) ascendeu ao 93º lugar, com o Land Rover Defender a resistir a tão duros testes.
Prova de resistência tem sido, igualmente a da dupla de empresários nortenhos formada pelos estreantes Mário Ferreira e José Carlos Sousa (121º). Problemas na caixa de velocidades obrigaram a longa espera — quatro horas — no interior da ’especial’, mas o camião ’salvador’ da Toyota France lá chegou e o Land Cruiser pôde chegar a Atar, no dia em que a representação nacional ‘emagreceu’, consequência dos abandonos de Rodrigo Amaral e Lino Carapeta; António Sousa (Land Rover) e da confirmação da desistência de Madalena Antas (Nissan Pathfinder), com o motor ‘partido’ na ligação para Zouérat.Refira-se que o ‘ex-motard’ teve problemas de ordem eléctrica, acabando por permanecer 11 (longas) horas no deserto, pois só cerca das 15 horas de ontem surgiu a tão desejada ajuda.
Para Lino Carapeta, os sucessivos problemas com as transmissões justificaram a decisão tomada, pois seria correr enorme risco entrar na fase mais selectiva da prova sem dispor do Bowler nas condições ideais, optando António Sousa por tomar idêntica decisão, sob pena de o Land Rover ficar para sempre nas areias do deserto.
Bom desempenho teve Elisabete Jacinto ao longo da primeira metade da prova, colocando o MAN no 26º lugar, após etapa em que foi 19º classificada e decorreu sob bons auspÃcios.

