etapa 6 - quinta-feira 11 de Janeiro de 2007 | Tan tan - Zouérat
- Ligação 414 km
- Especial 394 km
- Ligação 9 km
- Total 817 km
Retratos
moto
Yannick Guyomarc’h: «Reabasteço-me à africana»
No cais de Nador, as coisas já se anunciavam mal para Yannick Guyomarc’h, vÃtima de uma pequena negligência relativamente ao equilÃbrio mecânico da moto. Uma tampa do óleo mal apertada e que se perdeu durante a segunda etapa especial portuguesa, e a reacção em cadeia compromete o êxito do seu projecto: «O motor aqueceu, parei um bocado antes que queima-se completamente, mas de repente a moto avançou 50 000 km. De inÃcio resolvi o problema com um troço de madeira, meti novamente óleo e de momento está a funcionar bem».
Três dias mais tarde, a Honda 400 XR do bombeiro-sapador de Paris continua a aguentar o choque. Esta moto habitua-se mesmo quando é maltratada desde que começámos a atravessar Marrocos: «Durante as especiais levo comigo bidões no meu saco e páro todos os 200 km para meter óleo antes que surjam problemas. Presto sobretudo atenção a não maltratar mais a máquina, e conduzo devagar. Depois, durante as ligações compro óleo nas estações de serviço locais. Penso que agora o motor está mais ou menos no estado dos que encontramos aqui, e por isso alimento-o com os mesmos ingredientes. Às vezes até parece mel: não sei exactamente o que meto no motor, mas por agora aguenta».
A saúde mecânica da sua máquina não é, no entanto, a sua principal preocupação, que pretende explorar durante mais algum tempo a Mauritânia do que no ano passado: «O problema é que agora estou atrás do pelotão e sofro muito mais com a poeira. Aliás, já caà três vezes, ao passo que em 2005 só caà uma só vez até ter que abandonar em Nouakchott». Para apimentar mais o desafio, o parisiense deslocou a clavÃcula numa das suas acrobacias. O caminho é ainda longo até Dakar!
moto
Mick Extance: “Um posição no top 20â€

O inglês Mick Extance é absolutamente inflexÃvel, não vai por nem mais um centavo do seu bolso no Dakar. “Muito simplesmente porque já não tenho mais! Esta é a minha sexta edição na categoria motos e investi tudo o que tinha ganho nesta prova, e ainda tenho a hipoteca da casa para pagar!†Mas dito isto, este é o primeiro ano em que Mick não teve que investir muito do seu. “Nesta edição 2007 faço parte da equipa Honda Europa e tenho uma CRF450 excelente. Sou actualmente o primeiro dos britânicos e por isso é mais fácil encontrar patrocinadores do que anteriormente, mas não é tudo favas contadas. Este ano, eu e a minha mulher conseguimos angariar 40.000 Euros, mas passámos tanto tempo atrás do dinheiro que à s vezes penso que seria mais fácil ganhá-loâ€. E o lado desportivo em tudo isto? “Uma posição no top 20. Para muitos pode parecer pouco, mas deixe-me dizer-lhe que quando se compete contra os melhores do mundo, montado numa moto de enduro de 450 cc, o desafio é grande. No ano passado, não cheguei ao fim, mas todos os anos ganhamos mais experiência e acho que este ano vou terminar a prova. De momento ocupo a 40a e não pretendo tentar acabar mais acima na classificação em Marrocos, onde muito pode correr mal. Agora faltam as dunas e aà quero começar a subir na tabela.â€
automóvel
Tim Coronel: «Ela sabe acalmar-me!»
O Dakar: «uma aventura extraordinária», dizem todos os concorrentes. E que também pode ser vivido a dois, acrescentam Tim Coronel e Gaby Uljee. O casal que deu o nó há doze anos atrás decidiu este ano participar no Dakar em conjunto. Tim Coronel ao volante (proprietário de um karting indoor e pequena celebridade do universo dos desportos mecânicos nos PaÃses-Baixos), Gaby Uljee com o road-book (designer de profissão). Até agora a aventura está a correr bem. «As pessoas não pensavam que fossemos tão longe», confessa Tim, 71° do geral à saÃda de Marrocos.
No cockpit do seu Bowler, a relação piloto-co-piloto funciona perfeitamente bem. «Está a correr melhor do que o que tinha pensado. Devo admitir que a minha mulher tem muitas vezes razão e isso enerva-me», diz com um sorriso nos lábios. «Ela sabe travar-me. Consideram-me o "Holandês louco pelo volante", mas ela põe-me os travões».
Este Dakar poderá mudar a vida de Tim e Gaby, completamente seduzidos pelo acontecimento que desejam reviver. «Conheci quase todo o tipo de corridas automóveis, à excepção do 24 horas de Mans, e devo admitir que esta é mais extraordinária da minha vida. Nunca sabemos o que vai acontecer. Todos os 100m há surpresas. E estamos em contacto directo com a natureza».
Irmão de Tom Coronel, melhor piloto privado do campeonato do mundo de carros de turismo, Tim tinha pedido ao seu irmão gémeo para o acompanhar neste Dakar: «Mas entre nós dois teria sido muito difÃcil, terÃamos logo discutido para saber quem iria conduzir». De qualquer maneira os irmãos têm encontro marcado à chegada a Dakar para uma noite de festejos bem bebida, se a equipa holandesa chegar até ao Lagos Rosa …
Juan Miguel e German Fidel: «Nascemos em cima da areia»
Dois irmãos, dois carros mas uma única ambição: chegar a Dakar. Para uma primeira participação, pode até parecer ambicioso. Mas ao conhecermos os irmãos Fidel, Juan Miguel e German, começamos a pensar que se calhar até conseguirão. Naturais de Melilla, enclave espanhol em Marrocos, os dois irmãos transformaram-se em vedetas locais da condução desportiva. Juan Miguel chega mesmo a dizer em brincadeira: «Sou o Fernando Alonso de Melilla». Os dois Fidel conhecem sobretudo muito bem as pistas marroquinas e mauritanas. Os terrenos do Dakar são recreios para nós. «Pode dizer-se que nascemos na areia» afirmam os filhos de uma cidade de pouco mais de 70000 habitantes onde os veÃculos todo-o-terreno são o meio de transporte mais comum.
Conduzir no deserto faz parte do quotidiano dos habitantes. Além disso, todos os anos o Dakar desembarca em Melilla. Como resistir ao chamamento? Os dois irmãos não conseguiram evitar. Os habitantes da cidade decidiram mesmo apoiá-los. Um enorme movimento de simpatia que lhes permitiu durante 2006 montar um projecto em que participaram, nada mais, nada menos do que, 150 patrocinadores, grandes e pequenos. O empenho teve o seu ponto mais alto aquando da chegada da caravana do Dakar ao porto de Nador. German já sabia como era, mas continua a não acreditar.
"Havia centenas de pessoas à nossa espera. Bandeirolas por todo o lado. Uma dizia «Melilla com os seus pilotos». German não nega que uma delas lhe era especialmente dirigida: «Para mi gordito». Assinado pela sua namorada, Uafa. Mas a onda de choque criada pelos irmãos Fidel não se fica por aqui. Os seus apoiantes seguiram-nos até ao deserto. Vários grupos esperavam-nos quando passaram a caminho de Ouarzazate. Mas depois da última etapa marroquina, ficaram sozinhos. «Com a nossa presença em Marrocos ganhámos a primeira parte da nossa aposta. Agora precisamos de chegar a Dakar a todo o custo. O presidente da Câmara de Mellilla e o Governador têm agendado estar na chegada». Os Fidel sabem tudo sobre o deserto e as dunas. Agora só têm que aguentar a pressão pelo facto de serem os porta-estandarte.