etapa 2 - domingo 7 de Janeiro de 2007 | Portimao - Málaga
- Ligação 15 km
- Especial 67 km
- Ligação 463 km
- Total 545 km
Retratos
moto
Sunny Irvine, o Dakar made in México

Há cinco anos que Sunny não pára de falar do Dakar. No Cabo San Lucas, recanto longínquo situado na ponta Sul da Baixa Califórnia, onde ele instalou a sua sociedade de turismo, Sunny sonhava desde há muito com esta corrida fora do comum. Sendo assim, não é de admirar que ele se encontre em Portugal a dizer-nos: «O que importa é estar aqui». O número 200, que faz a sua estreia no Dakar, é acima de tudo um homem entusiasta, apesar do seu palmarés pessoal eclético. Aos 29 anos, já percorreu montes e vales em aventuras diversas. Após obter um diploma de "Business Administration” na Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, partiu com alguns colegas para Ushuaia, num raid em moto de seis meses e de 30 000 quilómetros, no qual colectou 80 000 dólares que foram doados à Cruz Vermelha das Honduras no âmbito das acções de solidariedade a favor das vítimas do furacão Mitch. Deu igualmente a volta ao mundo de barco com outros estudantes. Por conseguinte, nada surpreende vê-lo agora instalado como chefe de empresa, atento às necessidades de milhares de passageiros que os grandes cruzeiros desembarcam à sua porta. Deserto, raids, excursões, vela, actividades aquáticas, eis o que ele propõe a muitos clientes apressados e sobretudo a norte-americanos. O Dakar não podia passar despercebido para este homem sempre em acção. Ele diz com algum humor que se sobreviver à corrida nada mais o poderá intimidar. A sua preparação física foi perfeita, porque é essa a sua maneira de viver. Em contrapartida, a preparação específica ao Dakar não foi muito adequada: «Não temos dunas grandes no México. Também nunca utilizámos um Roadbook. Mas pudemos treinar-nos durante uma semana no Vale da Morte com Chris Blais». Desportista consumado, Sunny é também poliglota e está muito contente em poder desenrascar-se em francês. «Oh lá lá! É complicada a técnica!» diz ele, enquanto liga os fios da sua moto, atarefado e sorridente no seu fato azul de piloto.
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Alain Delaunay descobre um outro mundo
«Fartei-me de rir quando um espectador português me disse que faltavam 9 000 quilómetros para chegar a Dacar!». Alain Delaunay arruma a sua moto no parque de estacionamento fechado de Portimão e relata o primeiro dia do seu primeiro Dakar. Um início movimentado que não comoveu sobremaneira o concorrente número 137. É melhor assim, porque o início do rali não poupou este corredor que diz ter vindo «naturalmente», segundo as suas palavras, participar na corrida mais difícil do mundo. «Sinto-me um pouco como um robô», confessa Alain. É a sua maneira de exprimir a sua despreocupação. Os problemas começaram no circuito de alimentação de gasolina que o obrigou a substituir um durito. Depois vieram as quedas, «cinco ou seis vezes», como ele diz. Mas não é tudo. O Sentinel também lhe causou problemas. Ter de se afastar quando o sinal sonoro começa a tocar, foi mais um stress suplementar, que ele explica com uma imagem: «Isto é mais uma ceifeira-debulhadora do que uma moto». É uma Honda 400 XR que ele escolheu por ser mais leve.
Alain Delaunay teve também complicações na parte administrativa. Ficou também a conhecer o ICO. «Não é assim tão simples!», exclama o piloto. Até o Roadbook lhe deu cabo da paciência: «Só pude introduzir 2/3 dos dados». Valha-nos Deus, a sua primeira especial, que terminou a 2h56m do vencedor Ruben Faria, foi um pesadelo. E, no entanto, Alain Delaunay está longe de ser um poeta extraviado no rali e que acaba de descobrir um outro mundo. Já lá vão 20 de anos de enduro e é um especialista de manutenção de vias férreas. Quando se é quadro na SNCF tem-se necessariamente o sentido da organização. Delaunay preparou bem o seu Dakar. Cansou-se a procurar patrocinadores e apostou tudo na preparação. «Sei que é necessária uma gestão minuciosa para o conseguir. Mas, apesar da minha experiência, vejo que é algo de diferente». «É a corrida suprema», lançou o piloto antes de embarcar, para justificar todo o esforço. Delaunay está, por conseguinte, todo embebido no seu sonho. E não é simples. Logo no primeiro dia!
Brian Schmuckle: «Último a chegar a Dakar? Com prazer!»
Perdido no meio do emaranhado das verificações, charuto na boca, tentando saber com ar despreocupado para onde se dirigir a seguir, ao mesmo tempo empurrando a sua Husqvarna 510 cc, é desta forma que Brian Schmuckle descobriu o Dakar… pelo menos por agora. O motard americano apresentou-se entre os últimos nas verificações técnicas. «Não tenho qualquer problema em ser o último a chegar a Dakar. Isso significaria que cheguei ao fim do rali», confessa o empresário californiano.
Brian, pai de três filhos, é um apaixonado de motocross desde há mais de trinta anos. Este ano colocou-se um novo desafio: participar na prova rainha, um projecto muito perigoso na opinião da mulher… Nada disso é importante, Brian Schmuckle está disposto a tudo para poder acompanhar o seu amigo Michael Kay, que o convenceu a participar nesta aventura.
O projecto foi particularmente difícil de concluir. «Husqvarna tinha prometido entregar-nos duas motos gratuitamente. Três semanas antes da partida, o fabricante mudou de opinião, e exige que paguemos uma. Não tivemos sequer tempo de procurar patrocínios financeiros. A minha empresa de tintas é o meu patrocinador principal.»
No momento de passar pelas primeiras dificuldades do rali, Brian confessa estar sobretudo tenso devido à grandeza do acontecimento. «A minha maior preocupação é a mecânica». Em contrapartida, o motard de 49 anos não parece estar muito stressado com os perigos que deverá enfrentar. «Não estou nada preocupado com as possíveis quedas. Já parti 21 ossos. Estou fisicamente bem preparado».
Para o californiano o importante será «ligar o ponto A ao ponto B, sem ir a correr… » Alguns minutos antes de partir para os seus primeiros quilómetros de prova, o motard ainda tentava saber como funcionava o GPS da sua moto!