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etapa 1 - sábado 6 de Janeiro de 2007 | Lisboa - Portimão

  • Ligação 115 km
  • Especial 117 km
  • Ligação 232 km
  • Total  464 km

A rota do dia

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A rota do dia

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RUBEN FARIA CHEIO DE PRESSA

Ruben Faria (Yamaha) não esperou pela segunda etapa – como aconteceu no ano passado – para mostrar os seus créditos. Na classificativa inaugural do 29º Dakar, disputada num percurso muito sinuoso e em piso de areia, nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola (117 km), o piloto algarvio foi 16 segundos mais rápido que Hélder Rodrigues (Yamaha) – nono à geral na edição de 2006.


A dupla portuguesa, embora confessando algumas cautelas, entrou a todo o gás superando, os grandes favoritos da «armada» KTM (KTM – Repsol e Gauloises KTM) e dando um grande passo para manterem as actuais posições à chegada a Marrocos, já que, hoje, ainda a jogar em casa, enfrentarão, na serra algarvia, um terreno relativamente bem conhecido. O francês David Casteu (KTM) registou o terceiro tempo na especial alentejana, mas ficou a 4.47 minutos de Ruben Faria, que «esperava» melhor por parte dos adversários das equipas de ponta.


No entanto, nem todos os portugueses conseguiram iniciar a prova «com o pé direito». Problemas de bateria prejudicaram o arranque da prestação de José Henriques Carvalho (KTM), de 48 anos, o motard luso mais «antigo», que se estreia no Dakar após 15 anos sem competir, enquanto outros, como Ricardo Pina (KTM), vindo de uma grave lesão, tiveram de gerir o esforço face às dificuldades do piso arenoso e marcado por muitos sulcos. Outros ainda, como Pedro Bianchi Prata (Yamaha) ou Pedro Oliveira (Yamaha) seguira criteriosamente uma estratégia de poucos riscos, sabendo que a etapa de estreia não passa «de um grão de areia no deserto» que terão de enfrentar nas próximas duas semanas.


Ruben Faria – Yamaha (1º): «A etapa correu melhor do que esperava. Não conhecia o terreno, mas quando verifiquei que era tipo praia, comecei a sentir-me bem. O problema maior consistiu nas ultrapassagens aos concorrentes mais lentos. Se tivéssemos partido de dois em dois minutos teria sido bem melhor. Porém, a dada altura senti que estava muito forte. Pensava que os pilotos das equipas principais iriam fazer melhor».


Hélder Rodrigues – Yamaha (2º): «Não ataquei ao máximo e quando alcancei o David Fretigne (Yamaha) abrandei mesmo. Ao ultrapassar um concorrente mais rápido não consegui evitar uma queda. Não me magoei. Levantei-me, vi que estava tudo bem com a moto e continuei... sem grandes loucuras».


Nuno Mateus – KTM (22º): «Não pensei que a especial fosse tão trabalhosa. A minha moto, com 660 cc e um peso de 30 e muitos kg superior às 450 cc obrigou-me a um esforço redobrado, mas acabei por me divertir com o percurso».


Pedro Bianchi Prata – Yamaha (30º): «Segui o que tinha definido. O objectivo é cumprir a prova, de forma a chegar a Dakar. Ao longo da especial apanhei alguns concorrentes mais lentos. Não arrisquei muito, mas dei ‘mais gás’ na parte final».

Pedro Oliveira – Yamaha (33º): «Não correu mal. Dei uma queda logo na primeira curva, mas depois cumpri um percurso normal, sem arriscar. O 33º lugar não é um mau resultado, até porque a etapa era dura. A de amanhã vai ser mais calma».

Paulo Gonçalves – Honda (39º): «Caí a meio da especial. Fiquei dorido, ao nível da coluna, depois fui mais devagar. Como hoje correu tão mal, a partir desta altura as coisas só podem melhorar. Amanhã espero terminar nos dez primeiros».

João Nazaré – Can-Am Q (42º): «Não tinha grandes expectativas em relação à etapa. O Dakar começa, verdadeiramente, em Ãfrica. O problema maior foi o público. Havia muita gente e as pessoas só se desviavam no último instante. Tive também alguns problemas com a bomba de injecção, mas nada de especial».


Carlos Ala – KTM (65º): «O percurso era muito sinuoso, nada fácil. No início estava muito nevoeiro e tirei os óculos. Depois, perdi-os e fiz a etapa toda sem óculos, o que me provocou dificuldades nas ultrapassagens, por causa do pó. A dois km da meta caí, mas sem consequências. Pensei que terminaria mais cansado. Fiquei admirado».

António Ventura – Yamaha Q (80º): «Os últimos 25 km foras a parte mais dura, por falta de ritmo da minha parte. A areia colocou-me problemas de várias ordens, como é normal».


Ricardo Pina – KTM (112º): «Venho de uma lesão grave, que quase me afastou do Dakar. Tinha de me defender, neste primeiro dia, porque estive três semanas parado. Rodei devagar e consegui atingir o objectivo. A especial era muito dura... mas agora só faltam 14. A etapa de amanhã não será tão dura, o que me permitirá imprimir um ritmo mais rápido».


José Henriques Carvalho – KTM (214º): Ficou sem bateria no início, problema que se verificou, pela primeira vez, antes de subir ao palanque de partida, na Praça do Império.

CARLOS SOUSA ABRE A GANHAR NOS AUTOMÓVEIS

Carlos Sousa partiu do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, algo apreensivo, tal a pressão do público, bem alimentada pela imprensa, que durante os últimos dias não se cansou de repetir que todas as atenções estavam centradas no seu Volkswagen Race Touareg 2. Não era caso para menos: considerado o “herói†nacional do “Dakarâ€, depois de ter sido segundo na etapa de abertura do ano passado, para a generalidade dos portugueses Sousa desta feita teria de ganhar, tanto mais que até dispunha de uma das máquinas mais competitivas da caravana, claramente superior à que lhe permitira um brilharete em 2006.


“Quando temos um plantel como o que está reunido nesta edição, a última coisa que podemos fazer é afirmar que vamos ganhar, pois são tantos os candidatos, que arriscamo-nos seriamente a defraudar as expectativasâ€, defendia-se Carlos Sousa, momentos antes da partida. No entanto, mesmo se as palavras eram de sensatez, o sentimento era de partir para ganhar e o ritmo infernal que imprimiu nos 117 quilómetros traçados por entre os pinhais da Comporta demonstraram essa determinação.


À chegada ao controlo final, quando confirmou que tinha estabelecido o melhor tempo absoluto no sector selectivo de abertura – superando inclusive a melhor marca das motos – Carlos Sousa esforçou-se por ser modesto, mas embora afirmasse que “tive sorteâ€, o sorriso denunciava que não se tratou apenas disso: para conceder 2m.31s. a Giniel de Villiers, que rubricou o segundo lugar, o piloto do Team Lagos teve de andar muito depressa. “O percurso não era fácil. Parecia uma verdadeira etapa do “Dakarâ€, não uma especial europeiaâ€, considerou Sousa, admitindo ainda que encontrou “um bom ritmoâ€. A rematar, com alguma ironia, o primeiro líder do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 em automóveis ainda deixou escapar que “quem pensou que esta etapa seria apenas um aperitivo, de certeza que se terá arrependido de não tê-la levado mais a sérioâ€.


A alegria de Carlos Sousa após ter concluído a especial inaugural contrastava com o desalento de Miguel Barbosa. Conduzindo o carro que o primeiro utilizou no ano passado, Barbosa depositava grandes esperanças num resultado entre os primeiros, mas o motor do protótipo preparado por André Dessoude não colaborou – “um arreliador problema eléctrico limitou o desempenho do motor†– e um furo, que o obrigou a parar para trocar a roda, custou-lhe um atraso significativo. Mesmo assim, apesar de ter concedido 13m.42 segundos a Carlos Sousa, nem por isso Miguel Barbosa deixou de garantir a segunda posição entre os automóveis que ostentam a bandeira portuguesa nas portas, conseguindo uma vantagem idêntica sobre o trio formado por Nuno Inocêncio, Ricardo Leal dos Santos e Lino Carapeta. Estes três, assinale-se, obtiveram o 43º, 44º e 47º lugares absolutos, tendo ficado separados por uma diferença máxima de 24 segundos. Um lugar acima, mas na classificação reservada aos camiões, foi o resultado de Elisabete Jacinto, que embora tivesse demorado mais 54m.51s. que o DAF do holandês De Rooy para cumprir os 117 quilómetros cronometrados, conseguiu posicionar o seu MAN sensivelmente a meio da tabela.


Entretanto, registe-se os primeiros problemas na caravana dos portugueses: Madalena Antas e Bernardo Vilar ficaram imobilizados no sector selectivo devido a dificuldades mecânicas. O Nissan Pathfinder de “Mada†foi afectado por problemas de alimentação que atrasaram significativamente a piloto, mas o pior foi quando a transmissão cedeu a cerca de uma dezena de quilómetros da chegada, pois não houve outra solução senão esperar pelo camião de assistência e solucionar o problema na pista; consequência disso é o modesto 165º posto que coube a Madalena Antas. Quanto a Bernardo Vilar e Pedro Gameiro, que voltam a fazer equipa juntos, “mas não a partilhar a conduçãoâ€, conforme frisou o segundo, um problema com a centralina do Nissan Patrol GR fê-los substituir este componente durante a ligação de Lisboa para a Comporta, mas isso não foi suficiente para resolver as anomalias no funcionamento do motor e acabaram por nem terminar a especial, saindo do percurso por um caminho alternativo e avançando directamente para Portimão, ao encontro do parque de assistência.

OS PILOTOS DOS AUTOMÓVEIS FAZEM O BALANÇO

Carlos Sousa/Andreas Schulz - Volkswagen Race Touareg 2 (1º): «Fizemos uma boa etapa, sobretudo por causa do público, que nos apoiou de forma incrível. Com tantos espectadores, era nosso dever arriscar alguma coisa. Encarámos a especial da melhor forma possível e isso traduziu-se no resultado. Ainda apanhámos dois pequenos sustos, num salto e na travessia de um ribeiro. Nesta última situação, o pára-brisas ficou embaciado alguns momentos. Houve alturas em que tivemos de abrandar devido aos espectadores. Amanhã, creio que ninguém vai querer entrar em Marrocos na liderança. Nós, se nos sentirmos bem, voltaremos a imprimir um ritmo forte».


Miguel Barbosa/Miguel Ramalho – Proto Dessoude (27º): «Não gostei nada da especial. De pilotagem não tinha nada. Para além disso tivemos um problema eléctrico, que provocou cortes no motor e nos prejudicou bastante. Como se não bastasse furámos ao km 30. Foi uma etapa para esquecer».

Nuno Inocêncio/Jaime Santos – Mitsubishi Pajero Di-D (43º): “Apesar de termos conseguido terminar como a terceira equipa portuguesa dos automóveis, o resultado em termos absolutos está longe de satisfazer†– afirmou o piloto. “Na primeira parte do percurso, tudo correu bem, mas depois tivemos um problema com o motor – um cilindro deixou de funcionar devido a falha no respectivo injector – que deixou de trabalhar em pleno, impedindo de manter o mesmo ritmo.â€

Ricardo Leal dos Santos – Mitsubishi Pajero Di-D (44º): “Adorei o ambiente que fui encontrando ao longo dos 117 quilómetros do sector selectivo. Verdadeiramente entusiástico, com uma animação contagiante, pois só isso me deixou bem disposto, depois dos problemas de conheci ainda na ligaçãoâ€, disse o “solitário†Ricardo, que chegou seis minutos atrasado ao início do troço cronometrado, “o que não me permitiu sequer baixar a pressão dos pneus, conforme tinha planeado fazer para melhor enfrentar o piso de areia mole desta classificativaâ€. O atraso a alcançar a Comporta ficou a dever-se “a um entupimento do respirador da caixa de velocidade, que começou a espirrar o óleo. Para não gripar a caixa, tive de parar para inspeccionar a transmissão; descobri que a causa era apenas um tubo estrangulado, felizmente!†Admitindo que até Dakar o caminho ainda é longo, “só fiquei com pena de não ter entrado para o troço com a pressão dos pneus mais baixa, pois isso teria feito alguma diferença e, pelo menos, teria chegado para ser o terceiro melhor português†– um resultado que não conseguiu por uma diferença de apenas três segundos sobre Nuno Inocêncio.


Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas – Bowler Wildcat 200 (47º): “Melhor não teria sido fácil!†– afirmou, peremptório, Lino Carapeta. “Tinha pensado que seria bom colocar-me entre os 70 primeiros, mas acabei bastante mais à frente, o que é excelenteâ€. Quanto ao segredo deste resultado, o piloto acredita que “é um andamento certinho, sem exageros, sem correr riscos desnecessáriosâ€, adiantando a “receita†que acredita poder levá-lo de novo até ao Lago Rosa.


Francisco Inocêncio/Paulo Fiúza – Mitsubishi Pajero Di-D (64º): “Tivemos de ultrapassar nove concorrentes mais lentos, mas quatro deles não facilitaram mesmo nada e fizeram-nos quebrar o ritmo. Como se não bastasse o tempo perdido com estas manobras, a cerca de quatro quilómetros do final o nosso Pajero ficou atascado e demorámos meia-dúzia de minutos a libertá-lo da areiaâ€, explicou Francisco Inocêncio, justificando assim o 64º posto absoluto, o sexto entre os automóveis portugueses.

Paulo Marques/Rui Benedi – Toyota Land Cruiser (90º):
“Mal começámos o troço, ao abordar a primeira curva foi por um triz que não ficámos lá parados, pois o concorrente anterior atascou-se logo aí e só com muito improviso conseguimos passar. Valeu-nos o facto de termos arrancado com muito pouca pressão nos pneus, mas mais adiante isso fez com que um pneu saísse da jante, forçando-nos a parar para trocar a rodaâ€, explicou Paulo Marques. Este veterano do “Dakarâ€, que participa pela 14ª vez na prova – “alinhei uma dezena de vezes em moto e vou na quarta presença em automóvel†– não se livrou de um atascanso, onde perdeu mais alguns minutos, mas não a boa disposição: “Faltam tantos quilómetros que nem dá para levar a sério a nossa posição. O que interessa é não ficar pelo caminho...â€

António Sousa/Manuel Reyes – Land Rover Defender 110 Td5 (114º): “Em vez de ficarmos atascados, como aconteceu com tantos adversários, coube-nos desatascar um delesâ€, contou António Sousa, impressionado “com a dureza do piso, mas também com alguma falta de solidariedade entre os concorrentes, pois mesmo entre quem anda cá para trás, deu para perceber que não é fácil encontrar bons samaritanos. De qualquer forma, para nós é esse o espírito do todo-o-terreno e o “Dakar†é a expressão máxima desta modalidade. Para além disso, mesmo parando para ajudar outros, conseguimos um óptimo desempenho, pois batemos mais de meia centena de equipas, a esmagadora maioria com viaturas bem mais competitivas...â€

Luís Ferreira/Pedro Sereno – Land Rover Defender 110 Td5 (126º): “Partimos um amortecedor de trás e tivemos de parar para o desmontar, antes que os danos na suspensão aumentassem. Devido a isso, perdemos imenso tempo, mas pelo menos nunca ficámos atascados, o que entre os últimos carros na pista, deve ter sido raroâ€, observou Luís Ferreira. O piloto do Land Rover, que espera repetir o resultado do ano passado – “quero é chegar a Dakar, só isso é importante†– doseou o andamento, “pois o piso estava muito revolvido e para um carro praticamente de série como o nosso, ser não andássemos com muito cuidado era provável que as consequências fossem mais duras que os longos minutos que fomos perdendoâ€; tantos que esta equipa acabou por ser ultrapassada por diversos camiões, “que passaram por nós como se estivéssemos parados...â€

Mário Ferreira/José Carlos Sousa – Toyota Land Cruiser (146º): “A nossa estreia no “Dakar†foi um desastre, pois encontrámos por três vezes o caminho obstruído por buggys atascados e ao pararmos atrás deles, ficamos também atascados. E como um azar nunca vem só, ainda parámos uma quarta vez, para trocar um pneu furadoâ€, contou José Carlos Sousa, que arrancou de Belém como navegador de Mário Ferreira, mas que sairá de Portimão no lugar de piloto pois, como recorda, “combinámos trocar de funções de etapa em etapaâ€.

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