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6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao

  • Total connection 4309 km
  • Total especial 3606 km
  • Total  7915 km

Retratos

camion

Loprais: « Não tenho nenhum número em mente »

O universo e a experiência vivida do Dakar são dois veículos potentes para a transmissão de valores e paixões. É provavelmente uma das razões pelas quais se vivem numerosas histórias familiares no rali. A história para a qual se prepara Ales Loprais é uma das mais ambiciosas. A herança do seu tio Karel Loprais, sextuplo vencedor do rali na categoria de camiões, faz parte da bagagem deste jovem que participa pela primeira vez como piloto, mas que, com apenas 26 anos, já tem uma certa experiência do Dakar: « Participo de várias maneiras na vida da equipa desde 1999. Por exemplo, conduzi veículos de assistência e, no ano passado, era pendura do camião de corrida conduzido pelo meu tio. Infelizmente tivemos alguns problemas com o camião e fomos obrigados a abandonar após a 11.ª etapa, quando ocupávamos o 5.º lugar na classificação geral.»

Na edição de 2007, o património familiar está ameaçado, dado o russo Vladimir Chagin ter a possibilidade de igualar o recorde de vitórias do tio, que poderá assistir à façanha, impotente, sentado na viatura de imprensa. Ales, consciente da força da concorrência, não se sente empenhado numa missão que ultrapassa os meios da máquina de que dispõe: « O objectivo é antes de tudo manter-se na corrida o mais perto possível dos camiões da frente. Não tenho nenhum número em mente, mas espero alcançar um bom lugar ».

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

moto

Ullevalseter : « Ficaria muito contente com um quinto lugar »

Nesta disciplina, que integra no mesmo pelotão concorrentes de horizontes diferentes, o Ullevalseter é exactamente o tipo de piloto que é muito difícil de classificar. Não é um verdadeiro profissional, porque não dispõe de uma estrutura como, por exemplo, a de KTM, mas Pal Anders também não pertence à categoria dos “inúteisâ€. O seu talento de piloto e a sua experiência de motard (começou a modalidade motocross em 1987) permitem-lhe, com efeito, comparar-se, desde há várias temporadas, com os melhores pilotos de fábrica.

Pal Anders Ullevalseter começou os ralis raid há cinco anos, no UAE Desert Challenge. Desde então, tem-se imposto com discrição e sobretudo eficácia como um dos pilotos mais regulares no Dakar. Nas suas três primeiras participações ficou sempre no Top 10 da classificação geral: 9.º em 2002, 7.º em 2003 e 5.º em 2004. Em 2005, abandonou após uma queda e uma fractura da clavícula. Todavia, em 2006, o Norueguês restabeleceu o equilíbrio com um belíssimo 6.º lugar, que é mais conforme à sua reputação.

O Escandinavo, que ganhou um campeonato do mundo pouco glorioso em 2004 (vitória no Rali dos Faraós após abandono de toda a equipa de Richard Sainct), lutou contra os melhores durante toda a temporada de 2006, terminando o campeonato do mundo em 3.º lugar e obtendo um 2.º lugar ao pé das Pirâmides no Rali dos Faraós. Consciente dos limites da sua máquina, Pal Anders não pretende competir para a vitória com os três ou quatro candidatos declarados: “Eu sei que nas etapas rápidas não tenho a mesma velocidade de ponta dos melhores. Nesses dias, o que farei é não perder muito tempo, para poder impor-me nas especiais que são mais técnicas. No total, ficaria muito contente se conseguisse um quinto lugar em Dacarâ€.

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

auto

Vatanen: « Não perdi nada da minha habilidade »

Toda a gente pensava tê-lo perdido nos dossiês europeus e eis que ele regressa ao rali, que ele marcou após a fabulosa epopeia dos Peugeot nos anos 80: quatro vitórias em cinco participações entre 1987 e 1991 é um recorde ainda não igualado. Estrela do asfalto, numa vida anterior, Ari Vatanen tornou-se num fiel fã do Dakar já em idade avançada. Após ter participado no projecto Nissan, que morreu após a decepção da temporada de 2005, o Finlandês pensou despedir-se da sua prova talismã: "Nós não recuperámos o fruto do nosso trabalho e é isso o mais difícil de aceitar nesta história".
Sem veículo em 2006, Vatanen não tinha dito a sua última palavra. Informado sobre as partidas de Saby e de Kleinschmidt, este jovem de 54 anos foi atraído pelo odor do Race Touareg a diesel da Volkswagen, candidato à vitória em 2007: "Ao saber que havia uma oportunidade de pertencer a esta equipa muito competitiva, fui logo bater à porta. Insisti tanto que acabaram por abrir e organizámos logo uma sessão de ensaios em Julho. Vi rapidamente que não tinha perdido nada da minha habilidadeâ€, conta o Ari.
As ambições desta antiga estrela parecem estar em uníssono com as do seu patrão, 20 anos após a sua primeira participação... e a sua primeira vitória. Esta corrida de aniversário recordará outras velhas lembranças a Vatanen, que terá desta vez como companheiro o seu velho rival em WRC, Carlos Sainz: “Houve batalhas magníficas entre nós, entre outras o rali dos 1000 Lagos. Será fantástico voltar a ver-nos no Dakar ".
Como o seu regresso é encarado na perspectiva das redescobertas, Ari Vatanen partilhará a sua travessia de Ãfrica com um dos seus antigos co-pilotos de algumas corridas do campeonato do mundo de ralis raid em 1995. Fabrizia Pons, que entretanto subiu ao pódio do Dakar com Jutta Kleinschmidt, é sem dúvida o parceiro ideal para concretizar o novo desafio de Ari.

moto

Med Zidane Soueid Ahmed: « Como estarei em casa, não terei o direito de errar »

De tanto ver passar o Dakar na sua terra, seria praticamente impossível que um dia
o Mauritano, Med Zidane Soueid Ahmed, não participasse nessa corrida. Fanático de desporto mecânico desde a sua infância, que ele passou no Senegal, é um dos precursores do desenvolvimento da moto no seu país. Nas ruas de Nouakchott, os
duas rodas tiveram sempre uma imagem negativa, como coisas de vadios e mecânicos. Se hoje essa imagem mudou e se a moto está em voga, isso deve-se sobretudo ao seu trabalho. « Cada vez que o Dakar passava aqui e que eu via um motard, imaginava-me sempre no seu lugar », conta este sonhador de 33 anos.

Este ano, não precisará de se imaginar a escalar as dunas do Sara ao guiador da sua KTM 660. Ele e Baham Lekhal serão os dois primeiros Mauritanos a partir no Dakar em direcção da capital senegalesa. O remédio milagroso para ir até ao fim, diz ele, é «ter a cabeça bem assente, porque é aí que tudo se passa: se nos sentirmos bem psicologicamente, o corpo terá de acompanhar ». Mas antes de chegar ao Lago
Rosa, o Med Zidane Soueid Ahmed conta tirar partido dos 3 000 quilómetros de
percurso através das pistas arenosas e pedregosas da Mauritânia para encorajar os seus compatriotas a defenderem a causa da moto e mostrar-lhes que participar num acontecimento desta envergadura não tem nada de insuperável.

O que será difícil, isso sim, será passar a etapa de Atar a Tichit, «a mais difícil » segundo ele, sobretudo porque toda a pressão estará sobre os seus ombros. «Aí, estarei em casa e não terei o direito de errar », desabafa o concorrente, sorrindo. Em contrapartida, perde logo o sorriso quando se lhe fala das críticas que comparam o Dakar a um enxame de gafanhotos num campo de sorgo. « São ignorantes. Se o Dakar fosse tão pernicioso, não haveria tantos concorrentes nem tanta gente à borda da estrada ».

Rick Aarts (HOL) - Roland Rijpma (HOL): «O orfanato proporciona-lhes uma nova vida»

Rick Aarts e Roland Rijpma participaram juntos no seu primeiro Dakar no ano
passado. Já conheciam bem a corrida, dado o Rick Aarts ter acompanhado três vezes o Dakar no serviço de assistência e Roland Rijpma ter participado uma vez no rali na viatura de imprensa. No entanto, a pequena experiência que tinham não foi suficiente e os dois homens tiveram que abandonar, na Mauritânia, na etapa de Nouakchott a Kiffa.

Mas o aspecto desportivo não era o único objectivo das suas viagens. Os dois
Holandeses também tinham dado ao seu périplo em Ãfrica um sentido humanitário. É um projecto que Rick Aarts e Roland Rijpma continuam este ano, através da associação Dakar KIDZ. Esta associação possui um orfanato em Dacar do qual se ocupa todo o ano e
para o qual são colectados fundos. «Durante o rali, muitas radiodifusoras e muitos jornais dos Países Baixos ajudam-nos organizando jogos, cujos fundos derivados de SMS e de chamadas pagas, são entregues à nossa associação », explica com orgulho Roland Rijpma, o co-piloto. «Juntamente com outros concorrentes, como Chris Leyds ou Danny Kragt (dois motards neerlandeses), entregamos este dinheiro à associação Dakar KIDZ para dar o nosso contributo para a educação de 28 crianças ». São crianças que, como muitas outras em Dacar, viviam na rua.

« O orfanato proporciona-lhes uma nova vida », diz Rick Aarts, o piloto. Aqui, as crianças podem passar a noite na sua própria cama e tomar um banho de chuveiro todos os dias. O orfanato tem igualmente uma enfermaria, uma cozinha e uma pequena loja onde se vendem produtos artesanais. « Este estabelecimento tem, sobretudo, a sua própria escola », insiste Rick Aarts. As crianças têm 2 horas de aulas por dia, aprendem o cálculo e o francês. «E quando chegamos a Dacar entregamos o dinheiro que recolhemos durante o ano. É um prazer imenso para nós reencontrar estas crianças de quem nos ocupamos e ver as suas caras... », confessam os dois Holandeses.
Quando saem do orfanato aos 18 anos, muitas destas crianças sabem ler e escrever e aprenderam uma profissão (pedreiro, carpinteiro, etc.). Dakar KIDZ, proporciona-lhes uma nova vida.