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6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao

  • Total connection 4309 km
  • Total especial 3606 km
  • Total  7915 km

Retratos

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auto

Jean-Louis Schlesser: « Sempre à espreita da mínima oportunidade »

Duplo vencedor do Dakar, primeiro piloto a triunfar com um veículo de tracção às duas rodas e quíntuplo campeão do Campeonato do Mundo FIA dos ralis todo-o-terreno... Porque é que Jean-Louis Schlesser continua a correr? Aos 58 anos, este antigo piloto de circuito já ganhou praticamente todos os títulos de rali raid. Não há nada a fazer! Desde que a Mitsubishi se apossou do Dakar, Jean-Louis Schlesser deixou de dormir. Competidor até à medula e homem de desafios, este antigo piloto de F1 na Williams não é homem para se deixar abater. Mesmo se este artesão construtor não luta com armas iguais às das equipas oficiais, consegue mesmo assim rivalizar com os Peterhansel, Alphand, Sainz e outros.
Desde 2001 e a chegada da Mitsubishi, «Jean-Louis la Malice» tem procurado lutar em pé de igualdade com os melhores. Foi o caso em 2001 quando lutou com unhas e dentes para alcançar o 3.º lugar com o seu veículo de tracção às duas rodas, após ter sido penalizado de uma hora por ter sido empurrado numa zona neutra. O Dakar de 2002 terminou em Marrocos, mas Jean-Louis terminou a sua temporada com um 4.º título consecutivo de campeão do mundo de ralis raid!
Nos últimos anos, foi obrigado a uma série de abandonos no Dakar, com excepção do 3.º lugar obtido em 2004. As suas passagens mais ou menos prolongadas no rali contribuíram, erradamente, para a reputação de "destruidor de veículos", que lhe foi atribuída, mas tiveram igualmente o mérito de revelar o potencial das suas máquinas. Em 2006, sobretudo, Schlesser conseguiu inverter a tendência com os três veículos inscritos no rali. Tendo Thierry Magnaldi e Josep-Maria Servia como companheiros de equipa, o chefe do bando chegou a Dakar com uma equipa completa, um 6.º lugar na classificação geral e, sobretudo, três vitórias em especiais (Schlesser em Rachidia e Magnaldi em Zouerat e Nouakchott), uma emoção que não tinha sentido desde 2001.
Mesmo se esta belíssima série não causou insónias ao Peter e ao Alphand, este ano Schlesser continua a assanhar as fábricas, muito embora só parta com um veículo e a seu lado o Arnaud Debron: «A temporada foi boa. Ficamos em 3.º lugar no rali da Tunísia, em 2.º no de Marrocos e em 3.º no Dubai. Sou cada vez mais forte e é por isso que farei tudo para me defender. No ano passado, provámos que os nossos veículos eram competitivos ganhando três vezes em etapas africanas. Portanto, posso pretender claramente a vitória. De qualquer maneira, aproveitarei sempre a mínima oportunidade».

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moto

Casteu: « Estou na melhor posição »

Primeiro amador e vencedor da categoria Maratona no Dakar de 2005, onde obteve o 13.º lugar final no “scratchâ€, David Casteu teve a oportunidade de integrar a equipa oficial KTM Gauloises. Este cidadão de Nice não podia deixar passar tal oportunidade, que incluía toda a temporada de 2005 e, sobretudo, um Dakar em 2006, no qual ele desempenhou perfeitamente a missão de segundo piloto de Cyril Despres e Isidre Esteve: «Devo constatar que é difícil fazer melhor. Andei sempre perto de Cyril durante todo o rali, salvei a vida de Isidre quando ele teve o acidente, classifiquei-me em 8.º lugar na geral e ganhei uma especial». O recém-chegado ao grupo dos profissionais continuou o seu ano com uma verdadeira demonstração de eficácia. «Do que me sinto mais orgulhoso é de ter participado em oito provas este ano e de não ter abandonado em nenhuma. Termino em segundo lugar no campeonato do mundo a seguir a Marc Coma, mas, na verdade, não tenho nada a lamentar, porque ele é superior a toda a gente». É esta a análise de Casteu.
A qualidade da temporada finda germina naturalmente ideias ambiciosas na mente do motard mais sorridente da competição. É possível que os seus projectos sejam facilitados pelo estatuto especial de que beneficia na equipa KTM Gauloises. Não sendo segundo piloto dos dois grandes candidatos à vitória, Cyril Despres e Isidre Esteve Pujol, nem estando totalmente livre, o cidadão de Nice terá um papel de "joker", cuja missão será fazer tudo para assegurar a vitória de uma moto azul em Dakar. Esta posição de “outsider†corresponde perfeitamente ao temperamento de Casteu, que mistura sempre descontracção e determinação: «Estou verdadeiramente na melhor posição, porque ninguém me pressiona, dado não ser considerado um líder, e posso agir à minha maneira, porque já provei ser um piloto fiável. Por exemplo, se eu estiver na frente, eles não me pedirão para esperar pelos outros. Se for esse o caso, gostaria realmente de subir ao pódio. Sei que posso consegui-lo porque a experiência deste ano foi construtiva».

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camion

Melhor que um auxiliar!


Ilgizar Mardeev terá por missão ajudar Vladimir Chagin a conquistar a sua sexta coroa e a oitava da equipa Kamaz. É uma missão paradoxal para este piloto que conquistou o 4.º lugar da prova em 2004 e que tem capacidades de sobra para subir ao pódio. Mas a dominação actual dos Kamaz não é infalível, como o relembrou o director desportivo da marca, Semyon Yakoubov: «As equipas estão a preparar-se desde Fevereiro e há uns quinze camiões capazes de vencer a prova». Este contexto de concorrência não desagrada ao sólido competidor que é Mardeev. Grande conhecedor da Kamaz, mas também do Dakar, ele sabe exactamente o que o espera nesta luta de chefes, que será a competição entre camiões neste Dakar, pois a marca russa não entende contentar-se com a glória do passado, como o afirma o seu director-geral, Serguey Kogoghin, quando declara alto e bom som: «Faremos tudo para vencer». É sem dúvida um objectivo que se enquadra perfeitamente na ascensão contínua de Ilgizar Mardeev.

Entrou na formação russa há dez anos. Primeiro participou no rali como piloto do veículo de assistência técnica e, a partir de 1996, como mecânico e, depois, como navegador entre 1997 e 2003. Em 2004, o Ilgizar participou pela primeira vez na corrida como pilotou e terminou ao pé do pódio. É um resultado que demonstra as possibilidades deste desportista que, este ano, é o segundo piloto da Kamaz, na ausência de Firdaus Kabirov, o qual decidiu passar um ano sabático longe da corrida. O percurso de Ilgizar faz dele um elemento incontornável da equipa e uma ajuda imprescindível para a defesa do título de Vladimir Chagin.

auto

Wouter Rosegaar: « Tenho um acordo com a minha escola »

«As almas bem nascidas não esperam muito tempo para mostrarem o que valem», dizia Corneille no Cid. Não será Wouter Rosegaar quem o irá contradizer. Não é o concorrente mais novo – tem 24 anos – mas também não é um novo “antigoâ€. Sentado no banco do passageiro do Mitsubishi L200 do seu compatriota neerlandês Toni Van Deijne, lá vai ele em direcção do Dakar para participar pela sua segunda vez consecutiva no rali que terminou na 34.ª posição em 2006.

Entre os seus estudos de Marketing e a gestão da sua pequena empresa de
comunicação na Internet, foi-lhe preciso encontrar tempo para preparar o Dakar e manter a confiança do seu piloto, que tem mais vinte anos do que ele. «Tive que me arranjar com a escola sobre os meus horários de curso», confessa. Este ano, a ambição dos dois holandeses, assistidos por uma equipa de oito pessoas, é terminar em 15.º lugar. Quer consigam ou não, Wouter Rosegaar e Toni Van Deijne contam voltar juntos em 2008, antes do mais novo dos dois se agarrar ao volante e começar a voar com as suas próprias asas.

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auto

Eric Morin: « Queremos o dobro, este ano »

Eric Morin e Marc-André Desneuf partiram juntos no Dakar de 2005, onde alcançaram um excelente resultado: 65.º lugar da classificação final. Para além desta paixão comum pelo rali raid, Eric e Marc-André partilham, sobretudo, o mesmo fervor pelo Continente africano. Em 2005, contribuíram para o equipamento de uma escola na região de Fatick, no Senegal (livros, mobiliário escolar, etc.) e financiaram a construção de um poço.
Marc-André Desneuf criou muito cedo esta relação especial com a Ãfrica. Natural de Rennes, este chefe de empresa de obras públicas viveu no Senegal até à idade de 20. «Falo correntemente o “wolof†e cresci com Syndiely Wade (filha de Abdoulaye Wade, presidente do Senegal), porque os nossos pais eram amigos. Uma grande parte da minha família vive ainda hoje no Senegal. Desde a criação do rali, não faltei a nenhuma chegada, apesar de ter regressado à Metrópole, há alguns anos, por razões profissionais».

Este ano, Eric Morin e Marc-André Desneuf querem associar novamente o rali a um projecto humanitário: o equipamento de duas escolas e a construção de dois poços na região de Sokhone, no Senegal. O seu envolvimento já tem novos adeptos, uma vez que o Crédit Agricole, um dos seus patrocinadores de 2005, participa este ano numa operação de mecenato: construção de uma escola com cantina e uma horta para assegurar a auto-suficiência do estabelecimento, também na região de Sokhone.

Marc-André Desneuf conta proceder do mesmo modo que no ano passado para angariar fundos destinados ao financiamento do projecto: «Organizámos uma festa de regresso e pensamos fazer a mesma coisa este ano com a perspectiva de duplicar a nossa ajuda. Tínhamos colectado, nessa altura, cerca de 450 euros e conto chegar a 1000 euros este ano, mesmo se tiver que desatar os cordões da minha bolsa. O dobro, ou seja uma ajuda duplamente preciosa».