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6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao

  • Total connection 4309 km
  • Total especial 3606 km
  • Total  7915 km

Retratos

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camion

Hans Bekx: A desforra do banido

Hans Bekx e o regulamento não se entendem lá muito bem. Em 2005, entra ao ataque nas pistas africanas e está prestes a realizar a sua melhor prova dado encontra-se solidamente instalado no segundo lugar da geral antes da última etapa. Porém, num controlo de rotina em Dacar, os comissários desportivos encontram no seu camião três elementos não conformes com os regulamentos.
Consequência: o simpático empresário de Maria-Heide foi excluído da prova a 31 km apenas da linha de chegada! O competidor fulminou…

No ano passado, Hans Bekx apresentou-se à partida de Lisboa com um sumptuoso camião DAF. Após as verificações técnicas habituais, o seu camião, e com ele mais quatro, foi declarado não conforme na véspera da partida pelos comissários da corrida. Renunciando ao combate, após imensas discussões, os Holandeses, e os seus camiões, tiveram que retomar a auto-estrada de regresso à Holanda! O concorrente ficou novamente fulo de raiva…

Com efeito, Hans Bekx nutre uma verdadeira paixão pelo Dakar. Antigo patrocinador do motard Eric Verhoef, o Holandês descobriu o Dakar enquanto competidor em 1998 ao volante de um camião Ginaf de 560 CV. A sua primeira participação terminou em abandono a meio do percurso, mas acima de tudo permitiu que o empresário da área dos transportes contraísse o vírus e entendesse o que é necessário para ser competitivo nesta corrida. No entanto, foi insuficiente para chegar ao fim na sua segunda participação, no ano seguinte. O Holandês optou então por um ano de reflexão e desenvolveu um novo camião Ginaf de 700 CV. As modificações efectuadas permitiram-lhe atingir o Lago Rosa em 8.° lugar em 2001, o seu melhor resultado no rali, que igualou em 2004, depois de ter trocado o Ginaf por um DAF. Mas a mais bela proeza de Hans Bekx remonta talvez a 2005, o ano da sua primeira desqualificação. Nessa edição, o Holandês posicionou-se à partida como um dos adversários mais perigosos do Tsar Chagin, ganhando as duas primeiras especiais. Alcançaria uma 3ª vitória na 11ª etapa. Mas, quando o primeiro lugar já estava prometido a Kabirov, Hans Bekx foi desqualificado. Se acrescentarmos esta decepção à que teve no ano passado antes da partida inicial, escusado será dizer que, para o Dakar 2007, Hans Bekx transborda de energia e de entusiasmo. Espera aproximar-se dos primeiros lugares e, porque não, subir ao pódio. De qualquer forma, o Holandês não é supersticioso: este ano ainda, apresentará o mesmo camião nas verificações técnicas. A sua equipa e ele trabalharam todo o ano para se reconciliarem com os regulamentos e, sobretudo, reencontrarem o mais depressa possível as paisagens africanas.

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auto

Sainz: «Estou mais bem preparado»

Depois de Ari Vatanen, Juha Kankkunen e Colin McRae, há mais um novo múltiplo Campeão do Mundo de Ralis – e que campeão! – a participar, desde o ano passado, no Dakar: o espanhol Carlos Sainz, 26 sucessos no WRC, que venceu em 1990 e 1992. Por outro lado, o Madrileno tem quatro títulos de vice-campeão e, em 17 anos de presença em WRC, subiu 11 vezes ao pódio final do campeonato do mundo. O grande segredo do êxito do antigo Campeão de Espanha de Squash, título conquistado aos 16 anos, é talvez a sua regularidade. A confirmá-lo estão os seus 97 pódios no WRC.

Após 17 épocas a competir no Campeonato do Mundo de Ralis, e apesar de uma velocidade de ponta e um prazer ao volante sempre intactos, como demonstram o 4.° e 3.° lugares nos ralis da Turquia e da Grécia em 2005, quando substituiu episodicamente François Duval na Citroën, o “Imperador” decidiu então, no final de 2004, dar o lugar aos novos no WRC. Contudo, depois de ter dedicado alguns meses à família, Carlos Sainz depressa recebeu inúmeras propostas de reconversão. Entre elas, a oferta da Volkswagen no início da temporada 2005 para a sua primeira participação no Dakar. Uma proposta difícil de recusar por este eterno entusiasta e sócio do Real Madrid.

No ano passado, aos 43 anos, Carlos Sainz desembarcou no Dakar, carregando consigo uma reputação de eterno pretendente à vitória, mesmo recusando visar um tal objectivo logo na primeira participação. Totalmente novato neste tipo de prova, o Madrileno esperava inicialmente dar os primeiros passos na disciplina por altura do Rali dos Faraós, depois em Dubai. Como a Volkswagen desistiu de participar nestas duas provas, preferindo efectuar longas sessões de ensaios, o Espanhol só havia pilotado o seu Race Touareg 2 em corrida na Baja de Portalegre, cujo terreno é muito semelhante ao que conhecia no WRC. No entanto, a adaptação do fogoso espanhol foi rápida. Carlos Sainz conheceu depois o Dakar, acabando no 11.° lugar, a 10 horas de Alphand, mas não conseguiu reeditar a proeza de Ari Vatanen, vencedor do seu primeiro Dakar logo na sua primeira participação em 1987.

«Apesar de todas as informações que me forneceram, não há nada que pague a fotografia pessoal que se pode ter de uma prova. Nunca tinha participado numa corrida em África. Agora já participei e aprendi muito». Teve também algumas satisfações, visto que Carlos Sainz foi, com quatro sucessos, o maior vencedor de etapas do Dakar 2006 em automóveis: as duas primeiras, corridas em Portugal, as outras duas em Ouarzazate e Kayes. Conhecendo o sentido da competição de Sainz, é de esperar que o seu segundo Dakar seja vinho de outra pipa, mesmo que o Espanhol jogue à defesa: «O objectivo é lutar para que a equipa ganhe. Sei que todos dizem isso, mas não no âmbito de uma prova como o Dakar, onde sabemos que tudo pode acontecer. O que é certo é que, à partida, estarei mais bem preparado». Em linguagem Sainz, isso traduz-se por mais competitivo.

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moto

Chris Blais: «Dar-se a fundo sem se complicar a vida»

Chris Blais poderá tornar-se no primeiro americano a ganhar o Dakar? A avaliar pelo seu desempenho nas dunas africanas, a interrogação é hoje absolutamente legítima. Há dois anos, aquando do seu início nesta corrida, o motard americano nunca tinha corrido em África. Pior ainda, era a primeira vez que participava num rali em que a navegação com road-book era tão importante. Nesse ano, o Americano terminou, mesmo assim, no 9.° lugar. No ano seguinte, ficou em 4.°. «Hoje, o meu único objectivo passa por um lugar no pódio. Treinei-me especificamente para isso», afirma Chris Blais. Com efeito, o ano 2006 terá sido particularmente desgastante para este motard originário da Florida. Depois de ter feito um excelente Dakar, foi 3.° na corrida Vegas-Reno, 10.° do rali de Marrocos, 4.° da Henderson solo, 5.° do rali de Dubai. «Em Dubai e Marrocos, pude treinar a navegação. É um aspecto do Dakar que desconhecia, uma vez que a maior parte das corridas, nos Estados Unidos, não necessitam de road-book», diz o piloto.



Em contrapartida, a pilotagem corre-lhe nas veias. Ainda não tinha quando os seus pais, que praticavam ambos motociclismo, lhe ofereceram a sua primeira moto de 70 cm3. A partir de então, nunca mais largou o guiador e o seu pai não se privou de lhe inculcar, ao de leve, algumas técnicas. Chris Blais foi lançado às feras da competição aos 16 anos. Há dois anos, assinou pela equipa KTM /Red Bull Dakar Rally Team. O grande desafio da equipa é simultaneamente simples e complicado: levar um Americano ao pódio do Dakar! Este ano, Blais tentará ganhar a aposta da sua equipa sozinho.
«É um pouco difícil não ter colega de equipa com quem partilhar a experiência do Dakar. Mas não haverá problemas, vou concentrar-me na corrida», sem deixar de dar uma olhadela aos seus competidores mais velhos, cujas qualidades apreciou nas duas edições anteriores. «Os melhores corredores, como Marc Coma, são impressionantes. Admiro sobretudo a sua capacidade de se manterem ‘fáceis’ dando tudo por tudo. É isso que é necessário conseguir para explodir no Dakar». Eis os seus adversários prevenidos: o Americano é bom observador e, sobretudo, aprende depressa.

moto

Kutlu Torunlar (TUR) «Chegar a Dacar inteiro»

Exímio desportista, mas também temerário assumido, Kutlu Torunlar é um dos dois representantes turcos do Dakar. Seleccionado para os Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e de Atlanta em 1996 para defender as cores da Turquia na prancha à vela, é também detentor do Camel Trophy: «8000 quilómetros de galé entre Santiago do Chile e a Terra de Fogo». Para este motard de 38 anos, o desporto tem por objectivo, acima de tudo, a subida de adrenalina e o esforço: «Venho ao Dakar porque é duro e exige esforço e abnegação». Então, para garantir a sua dose e não perder o espírito dos pioneiros do rali, apresenta-se sem assistência, mas com o apoio do primeiro turco a participar no Dakar, Kemal Merkit, que também é seu sócio em negócios.

Como todos os novatos, avança um pouco no desconhecido. «Todas as representações que faço são o fruto da minha imaginação». O seu ponto forte é a navegação. «As novas regras convêm-me porque são um claro regresso à navegação à antiga, próxima daquela que o marinheiro que sou necessita quando se faz ao mar». Em contrapartida, as pistas pedregosas não são o seu ponto forte, terá de passar incólume até às dunas da Mauritânia para poder demonstrar a mestria da sua condução em condições difíceis. Na sua primeira participação, este competidor insaciável coloca a fasquia alta, muito alta. «Do ponto de vista desportivo, espero chegar a Dacar inteiro, se possível, mas não venho passar férias. O verdadeiro objectivo é ficar nos primeiros 20 da categoria 450, ou mesmo nos cinco primeiros se a prova me correr bem». No fundo, Kutlu Torunlar não receia ninguém ou quase ninguém: «A minha mulher, coitada! Esta muito inquieta e não sabe onde tudo isto irá parar, tanto mais que já me recuperou aos pedaços várias vezes. Mas ela também sabe que estes desafios são indispensáveis ao meu equilíbrio e que, sem eles, eu ficaria num beco sem saída».

Javier Arenas: “Visamos 4 000 patrocínios”

Javier Arenas e Carlos Reig participam no seu segundo Dakar este ano, mas é como se fosse a primeira vez. Para estes dois nativos de Barcelona, o desporto é uma coisa importante, mas a generosidade não o é menos. Um pouco decepcionados por não terem podido montar uma operação humanitária digna desse nome no ano passado, os dois membros da equipa Pelayo-Aldeas Infantiles conseguem desta vez esboçar um sorriso franco antes da partida oficial de Lisboa: “Estávamos motivados por uma acção humanitária no âmbito da corrida desde o início do nosso projecto Dakar”, sublinha Javier Arenas, o piloto. “Conseguimos uma plataforma de entendimento há alguns meses com Aldeas Infantiles a partir de uma constatação simples: o trajecto do Dakar corresponde mais ou menos às cidades onde se encontra implantada a associação”.
Aldeas Infantiles é uma organização, com presença em todos os continentes, que presta auxílio aos jovens propondo-lhes assistência e formação na terra onde vivem. “A finalidade é ajudar, mas sobretudo construir. Os jovens envolvidos pela Aldeas Infantiles têm os elementos de que necessitam para encontrar soluções profissionais nas suas terras. É uma filosofia que consideramos positiva, porque tem em conta os problemas locais e permite evitar os riscos de uma emigração desesperada”.
Concretamente, as sinergias entre os dois concorrentes e a ONG resultaram num projecto que visa realizar 4 000 patrocínios de jovens africanos durante os 15 dias do rali, financiados pelo pagamento de uma soma de 300 euros ano. Para isso, foi criado um sítio Internet (www.undakardiferente.org), bem como uma linha verde: 902.100.136
Como Javier e Carlos sabem muito bem o que querem, já se projectaram no pós-Dakar: “Efectuaremos uma visita aos centros comerciais, após o regresso, para apresentarmos uma exposição de fotografias sobre a prova, e aos centros onde os jovens são acolhidos”. Pelayo, segurador espanhol e patrocinador principal da equipa, coloca igualmente todo o potencial das suas relações na batalha humanitária divulgando a campanha de patrocínios junto dos seus clientes: “É o regresso desta empresa que antes fora um patrocinador importante com ambições de vitórias e que agora procura uma participação simples e ética”, sublinha ainda Javier Arenas.