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pre-race  - quinta-feira 4 de Janeiro de 2007 | J-02

    Os concorrentes Portugueses

    - CONFIANÇA É O LEMA DOS ESTREANTES

    A confiança é o aspecto comum às sete equipas portuguesas que se estreiam nesta edição do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar: três em automóveis, outras tantas em motos e uma nos quads. Todos eles estiveram entre os convocados para o primeiro dia de verificações, “um dia que há muito esperavaâ€, conforme referiu José Carlos Silva, empresário nortenho que irá partilhar a condução do Toyota Land Cruiser nº 443 com Mário Ferreira, também ele estreante. “Um amigo comum apresentou-nos e acabámos por descobrir que ambos tínhamos imensa vontade de participar no “Dakarâ€, pelo que daí a termos alugado um Land Cruiser à Toyota France e garantirmos a inscrição foi apenas um passoâ€, explicou José Carlos Silva que, ao contrário do seu companheiro, conta com alguma experiência de competição, pois correu de moto. O acordo entre ambos consiste em partilharem a condução, alternando nos papéis de piloto e de navegador dia após dia. Assim, caberá a Mário Ferreira arrancar de Belém ao volante. Este um jovem empresário, que se notabilizou por ter dinamizado e popularizado os cruzeiros fluviais no Douro e – mais recentemente – no rio Guadiana, fará o baptismo de competição nas areias da Comporta e afirma que parte confiante: “Fizémos alguns treinos com o Luís Costa†– piloto que disputou a edição anterior com um veículo idêntico – “e acredito que aprendemos o essencial, mas ir em busca do desconhecido também faz parte da aventura que esta prova representaâ€.

    A visão de José Henrique Carvalho, que ostenta na sua moto –“uma KTM 660 Rallye novínha em folha†– o número 190 é muito semelhante: “Parto à aventura, mas não à loucura, embora possa parecer para quem aos 48 anos vai correr pela primeira vez em Ãfrica, escolhendo para a estreia precisamente a prova mais difícilâ€. Antigo piloto de competição, José Henrique deixou de correr nas motos quando passou o testemunho ao seu filho Diogo, já lá vão 15 anos. “Tínhamos planeado que um dia viríamos junto ao “Dakarâ€, mas ele morreu de leucemia no ano passado e o facto de estar finalmente prestes a partir para Ãfrica é como que o cumprir de uma promessaâ€. Simbolicamente, José Henrique Carvalho decorou a sua moto com imagens do filho, “que assim estará presente não apenas na minha memóriaâ€, desabafou o piloto ribatejano, que procurará apoiar-se um pouco na experiência de Carlos Ala (nº 171 – KTM 660 Rallye), um veterano que participa pela terceira vez e que conta “não quebrar a regra das presenças anteriores, pois consegui sempre chegar ao Lago Rosaâ€.

    Mais ambiciosa é a estreia de Pedro Bianchi Prata (nº 45 – Yamaha 450) e de João Nazareth (nº 264 – Yamaha YFM 700R), para quem a competição “é para ser levada a sérioâ€. O primeiro é um “motard†com palmarés brilhante, que depois de na edição anterior ter dirigido a equipa de Hélder Rodrigues, não resistiu a “regressar ao “Dakarâ€, mas na condição de pilotoâ€, enquanto Nazareth tem uma carreira de 14 anos em competições, “sete anos em motos e os sete mais recentes em quadsâ€.

    Com 32 anos, metade dos quais vividos a competir em motos, Bianchi Prata admite que não se sentirá “verdadeiramente um estreante, pois já fui muitas vezes andar de moto em Ãfrica e estou minimamente familiarizado com os cenários, o ambiente e as próprias dificuldades da provaâ€. Para o piloto, alinhar este ano no Rali Euromilhões Lisboa-Dakar “é talvez o último grande desafio que faltava para preencher a minha carreiraâ€. Assinale-se que Bianchi Prata terá como colegas de equipa Hélder Rodrigues (nº 10 – Yamaha 450), que no ano passado foi o nono classificado em termos absolutos e o melhor dos pilotos portugueses que correram em moto, bem como Pedro Oliveira (nº 48 – Yamaha 450), mais um estreante.

    Por sua vez, João Nazareth brinca ao afirmar que “pelo menos até à partida sou eu quem está à frenteâ€, numa alusão ao facto de caber-lhe ser o primeiro concorrente a largar do Mosteiro dos Jerónimos, na madrugada do próximo sábado. “Até Dakar são cerca de oito mil quilómetros, mas espero chegar até láâ€, refere Nazareth, que pretende mesmo manter-se à frente da corrida reservada aos quads até à prova alcançar Ãfrica: “Este ano é a primeira vez que o “Dakar†tem uma classificação distinta para os quads e estou empenhado em inaugurar esta tabela com o meu nome. Acredito que terei francas possibilidades de ganhar as duas etapas portuguesas e depois, em Ãfrica, logo se verá o que acontece, mas daí em diante o objectivo fundamental é ir até ao fimâ€.

    Nem mais, nem menos, é isso que procuram as duas equipas estreantes que completam este lote de portugueses que ao alinhar no Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 farão a “prova de fogo†em Ãfrica. Por um lado, António Sousa (nº 450 – Land Rover Defender 110 Td5), que segue “navegado†pelo espanhol Manuel Reyes, e por outro, Nuno Ferreira (nº 470 – Bowler Wildcat 200 Dakar), que leva Nascimento Costa como companheiro de bordo. “Desde adolescente que pratico todo-o-terrenoâ€, indica Nuno Ferreira, esclarecendo que “só este ano começei a entrar em competições, precisamente depois de ter decidido inscrever-me no “Dakarâ€, que constituirá a quarta corrida da sua ainda jovem carreira. A propósito, o piloto de Tomar lembra que “quando chegar a Marrocos já terei cumprido praticamente tantos quilómetros como nas três corridas anterioresâ€, mas a falta de experiência “não é mais forte que a vontade de superarmos as dificuldades que prevemos encontrarâ€; o maior “pesadelo†para Nuno Ferreira será, “provavelmenteâ€, atravessar a Mauritânia pois, como admite, “as dunas de areia exigem uma condução técnica que não dominoâ€.