





Filme da etapa
Peterhansel e as suas 50 magnÃficas vitórias.
Enquanto Cyril Despres (KTM – nº1) parece ter poupado o seu ombro magoado, Carlo de Gavardo (KTM – nº4) consegue duas vezes seguidas o melhor tempo do dia. Ultrapassou Isidre Esteve (KTM – nº3) e aproxima-se do seu chefe de equipa Marc Coma na classificação geral. Nos carros, Stéphane Peterhansel (KTM – nº300) conquista uma segunda vitória de etapa, embora seja a 50ª na sua história no Dakar. Luc Alphand (MIT – nº302) está à frente na classificação geral. Nos camiões Vladimir Tchaguine perdeu bastante tempo enterrado na areia mas mantém o comando da classificação geral. A especial foi ganha pelo holandês Hans Stacey.
Depois de Cyryl Despres ter caÃdo e feito uma luxação no ombro esquerdo durante a etapa de ontem, a grande dúvida era se ele poderia continuar a corrida, apesar das dores. A resposta foi afirmativa. Era legÃtimo uma interrogação sobre a sua capacidade de se manter perto dos melhores e sobre as hipóteses de defender o seu tÃtulo no Dakar. Já não restam dúvidas, portanto. A especial do dia, que foi muito diferente das anteriores por causa da inversão da tradicional ordem de partida, permitiu aos membros da equipa da KTM – Repsol retomar o poder na corrida. Pelo menos provisoriamente.
Ao sair em último lugar, Carlo de Gavardo teve a possibilidade de se juntar aos seus companheiros da véspera e, com eles, ultrapassar a fila de motards amadores. Prudentes e resignados na sua maioria, alguns deles, no entanto, não resistiram a ir no encalço dos pilotos oficiais, com maior ou menor sucesso. No essencial, a elite já tinha retomado o seu lugar a abrir a pista já antes do CP1, mas o espanhol Gerar Farres mostrou-se o mais resistente ao lado de Marc Coma.
Ao fim de 400km de esforço, os habituais protagonistas têm a sua recompensa, excepto Cyril Despres, que completou a sua jornada em melhor estado do que o que previa, embora a 30’23’’ de Carlo de Gavardo. O dia foi frutuoso, a vários nÃveis, para o piloto chileno, que acrescenta à alegria de uma 6ª vitória de etapa no Dakar, a satisfação do dever cumprido. Em 2º lugar na classificação geral, de onde desalojou Isidre Esteve Pujol, Gavardo está idealmente colocado para servir de “aguadeiro†de luxo ao seu chefe de equipa, Marc Coma. Jordi Arcarons, o director da equipa KTM-Repsol, a versão cor-de-laranja das motos austrÃacas, é um chefe de homens felizes: Giovanni Sala, o italiano do grupo, completou o pódio do dia e passou a fazer parte dos cinco melhor classificados na classificação geral, enquanto Caldecott está em 6º. Isidre Esteve Pujol é apenas, desde agora, o guardião das esperanças da equipa da KTM – Gauloises para a vitória final.
No acampamento de Atar, e entre os directores de equipa felizes, o sorriso de Dominique Seyries deve rivalizar com o de Jordi Arcarons. No final deste grande teste em terrenos da Mauritânia, os dois Mitsubishi do comando conseguiram uma grande vitória. Tirando partido, num primeiro tempo, de um erro colectivo de navegação, na qual estiveram implicados Jean-Louis Schlesser (SCH – nº314) e Giniel de Villiers (VW – nº305), Stéphane Peterhansel e Luc Alphand começaram desde km 100 a livrar-se dos seus perseguidores. Só Jutta Kleinschmidt (VW – nº303), que ainda assim teve vários furos, conseguiu seguir o ritmo imposto pelos protótipos japoneses. O resto da escuderia Volkswagen não viveu grandes momentos na pista de Atar. Carlos Sainz (VW – nº 307), que ficou durante muito tempo bloqueado antes do CP1, perdeu 34’44’’ para Peterhansel. Mark Miller (VW – nº309) e Bruno Saby (VW – nº301), um por causa de um salto arriscado e o outro por causa de problemas mecânicos, perderam dezenas de minutos.
Os desaires não estão limitados ao clã alemão uma vez que Jean-Louis Schlesser, que começava a habituar-se a estar entre os grandes, ficou a 1h14’’ de Peterhansel e Magnaldi(SCH – nº315), o vencedor de ontem, ficou a 1h41’’! A razia dos Mitsubishi, que relativiza a capacidade dos Volkswagen causarem estragos à chegada ao Lac Rose, anuncia também a verdadeira batalha interna que se irá travar entre Peterhansel e Alphand. O detentor do tÃtulo que, por seu lado, acaba de igualar o recorde de vitórias detido por Ari Vatanen (50), pode ver em Alphand um rival de primeira ordem. Se bem que o antigo “skyeur†não ganhou nenhuma etapa no Euromilhões-Lisboa-Dakar 2006, é ele que domina a classificação geral com 3’12’’ de diferença para Peterhansel. O respeito que o seu colega de equipa naturalmente lhe inspira não será suficiente para causar complexos a Alphand, que poderia entrar numa fase de observação. Porque agora é ele o patrão.
Na categoria de camiões, é dado adquirido que Vladimir Tchaguine, vencedor das seis primeiras especiais, não fará o “Grand Chelem†no Dakar 2006. Tendo ficado enterrado ao km 290 durante bastante tempo, o quádruplo vencedor da prova “ofereciaâ€, no CP2, uma hora ao seu colega de equipa e primeiro rival na classificação geral, Firdaus Kabirov. À chegada, foi Hans Stacey (MAN – nº524) que consegue o melhor tempo sem, contudo, alterar a classificação geral. Escaldado por um desaire devido a falta de combustÃvel que lhe custou a vitória em 2005, o “Czar†fez muito bem em arrecadar uma quase insolente reserva de duas horas antes de entrar nos terrenos mais difÃceis.
