





Filme da etapa
Queda e fim de corrida para Despres ?
Carlo de Gavardo (KTM – nº4) ganhou a especial de Zouerat, na qual Cyril Despres (KTM – nº1) foi vÃtima de uma queda que põe em causa a defesa do seu tÃtulo. Mesmo sofrendo uma luxação do ombro esquerdo, Cyril decidiu continuar em prova embora não esteja muito confiante. Nos automóveis foi Thierry Magnaldi (SCH – nº315) conquistou a sua primeira vitória de etapa em quatro rodas, à frente de Jean-Louis Schlesser (SCH – nº314). Giniel de Villiers (VW – nº305) está à frente da classificação geral. Nos camiões, Vladimir Tchaguine festeja simultaneamente o seu 36º aniversário e a sua sexta vitória consecutiva no Dakar.
Tal como exige a entrada na Mauritânia, Cyril Despres estava preparado para um dia importante, mas não esperava que este fosse tão decisivo para a sua continuação no rali. As considerações tácticas continuam a ditar a atitude dos lÃderes que iniciaram a especial do dia com um esquema bastante clássico. Após 221 km de percurso, os que partiram em primeiro lugar, Esteve (KTM – nº3), Coma (KTM – nº2) e Despres, reuniram-se para fazer o traçado em conjunto. O melhor tempo intermédio foi conseguido por Esteve.
O trabalho de rotina parecia continuar para este motards de excepção, mas um incidente de percurso alterou imediatamente as coordenadas da questão. Cyril Despres caiu ao km 273, os seus companheiros de estrada também pararam por alguns momentos e depois seguiram o seu caminho ao terem constatado a pouca gravidade do acontecimento. Magoado num ombro, o detentor do tÃtulo conseguiu arranjar forças para voltar a reunir-se a Esteve e Coma, que tinham, entretanto sido alcançados por Gavardo. Mais atrás, apenas Andy Caldecott se esforçava por chegar perto do grupo de comando.
Carlo de Gavardo, que tinha partido 8’ depois de Cyril Despres, registou o melhor tempo à chegada, o que acontece pela quinta vez na sua história no Dakar. Mas foi outra notÃcia que agitou a linha de chegada: “Julgo que parti a clavÃcula†queixa-se Despres ao descer da moto. O exame feito pelos médicos do rali diz que se trata de uma luxação de 2º grau da espádua esquerda. O diagnóstico não é alarmante, o abandono ainda é uma dúvida mas uma coisa é certa: Cyril tem dores. Ele conseguiu aguentar-se ao ritmo dos seus companheiros durante mais de 170 km, mas será que vai aguentar as dores durante mais 5184 km, precisamente aqueles que faltam para subir ao pódio no Lac Rose? Cyril Despres está determinado a partir, devidamente protegido com uma ligadura poderosa, mas já fez uma cruz sobre a defesa do seu tÃtulo. Resta saber se uma noite miraculosa no acampamento de Zouerat será o suficiente para lhe restituir a vontade e a confiança para se manter em contacto com os melhores.
Os resultados da corrida de automóveis correspondem bastante mais à quilo que seria de esperar de uma etapa de transição. Ao mesmo tempo que se confirma o nÃvel das forças, os buggys Schlesser-Ford demonstraram a sua energia ao ultrapassar Thierry Magnaldi e Jean-Louis Schlesser. O duplo vencedor de 1999-2000, que os observadores da prova não querem considerar como favorito, já tinha dado uma ideia da competitividade da sua viatura ao ganhar a primeira etapa africana. Hoje ele provou igualmente que o recrutamento de Thierry Magnaldi para a sua equipa foi uma escolha de bom senso. Antigo motard, classificado em 2º lugar no Dajar de 1999 e vencedor de um total de 7 etapas, Magnaldi não optou pelo caminho mais fácil ao escolher os buggys a partir de 2004. De facto, foi a classificar-se em 2º na especial do Lac Rose de 2004 que ele despertou a atenção de Schlesser.
Depois da demonstração dos dois pilotos hoje à tarde, Magnaldi conseguiu ultrapassar Schlesser e ganhar-lhe 3’ na linha de chegada, quando no CP2 ainda estava 50’’…atrás. Esta manobra vem situar estes dois pilotos no grupo dos favoritos. Aqueles que já tinham identificado os V8 como o veÃculo mais rápido da prova não se enganaram. Schlesser terá agora que provar que a sua suposta falta de fiabilidade não tem nada a ver com a realidade. Tendo partido 6 minutos depois de Peterhansel, o senhor Jean-Louis ultrapassou Nani Roma e depois Mark Miller antes de se posicionar inteligentemente na esteira de detentor do tÃtulo. Sem provocações, sem agressividade.
O problema será agora, quer para Schlesser, quer para a Mitsubishi, partir ao ataque dos Volkswagen Race Touareg II, que continuam a impor um domÃnio global do comando do rali. Os cinco protótipos inscritos estão entre os sete melhores, com Giniel de Viliers com 22’’ de vantagem sobre Carlos Sainz . Na Mitsubishi Luc Alphand é o melhor colocado. Sem ter ganho nenhuma etapa ele é, na classificação geral (5º, a 2’02’’), o mais ameaçador da equipa para Villiers. E amanhã começam as coisas sérias.
Por outro lado, a especial do dia tinha começado sem os convidados de honra do Dakar 2006, Tobias Johansson e Bo Holmstradn, que tinham ganho a selecção do “Dakar Challengeâ€. A equipa sueca , que tinha conseguido classificar-se em 25º na etapa marroquina, foi obrigada a abandonar depois de ter chegado a Tan Tan com o seu Nissan em estado lastimoso.. Para esquecer os erros de juventude e prosseguir a sua aprendizagem eles escolheram fazer a estrada em assistência.
Diz-se muitas vezes que as diferenças se contam em minutos no inÃcio do rali e depois em horas quando se chega a Dakar. Vladimir Tchaguine reverte a tradição na categoria de camiões uma vez que depois da sua 6ª vitória de etapa consecutiva ele regista um avanço de exactamente duas horas sobre o seu primeiro adversário, o qual, além do mais não é um adversário. Firdaus Kabirov, colega de equipa de Tchaguine na Kamaz, substitui Karel Loprais no papel de delfim.
