Cara a cara
moto

Uma queda sem fim
Guillaume Floriac
Na tenda que abriga a sua moto danificada, Guillaume Floriac ri-se do seu infortúnio. O seu mecânico, Alexandre, sorri. Mas não o seu pai, Michel, que passou a tarde de ontem a fazer a ida e volta entre o parque de assistência e o controlo de passagem para consultal o Iritrack. “Começo apenas a descontrair-meâ€, confessa este, de cigarro na boca. A noite caiu sobre o acampamento de Ouarzazate.
Este jovem de 24 anos, que está a viver o seu primeiro Dakar, sofreu um acidente algumas horas antes, a meio da especial. Desde Er Rachidia que se encontrava bem firme entre os quarenta primeiros mas uma espessa nuvem de pó não o deixou ver um enorme buraco que, contudo, estava assinalado no road-book. Tenta fazer um cavalinho para se escapar mas acaba por dar uma cambalhota com a sua KTM: “Caà de cabeça , fiquei atordoado com a pancadaâ€, afirma este neófito do Dakar. “Fiquei no chão algum tempo e depois segui caminho, sem GPS e sem road-book. Felizmente não tive nenhum problema fÃsicoâ€. Privado dos seus instrumentos de navegação, o jovem endurista, admirador de Richard Sainct, não tem outra alternativa senão seguir o traçado deixado no chão. E, fatalmente, seguiu a direcção errada, foi obrigado a fazer um desvio de 60 km com um pequeno grupo, também perdido, no qual se encontrava Christophe Meillat. Resultado: Guillaume Floriac chega em 135º lugar ao último controlo de passagem e passa para o 57º lugar da geral.
Este pequeno susto teve o mérito de lhe recordar o essencial: “o meu objectivo continua a ser chegar a Dakar sem me preocupar com a classificação geral. Gostava muito de partilhar esse momento com a minha famÃlia e os meus amigos que estão a planear ir esperar-me ao Lac Roseâ€. Um sonho que lhe foi transmitido pelo seu irmão mais velho, que fracassou nos dois Dakar em que participou. “tenho vontade de quebrar este enguiçoâ€, diz ele com entusiasmo. O caminho ainda é longo e cheio de incógnitas. Mas Guillaume já esta inquieto por conhecer a Mauritânia. Para dar razão à quilo que Richard Sainct lhe disse um dia, “é preciso fazer o Dakar para o compreenderâ€.
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Na tenda que abriga a sua moto danificada, Guillaume Floriac ri-se do seu infortúnio. O seu mecânico, Alexandre, sorri. Mas não o seu pai, Michel, que passou a tarde de ontem a fazer a ida e volta entre o parque de assistência e o controlo de passagem para consultal o Iritrack. “Começo apenas a descontrair-meâ€, confessa este, de cigarro na boca. A noite caiu sobre o acampamento de Ouarzazate.
Este jovem de 24 anos, que está a viver o seu primeiro Dakar, sofreu um acidente algumas horas antes, a meio da especial. Desde Er Rachidia que se encontrava bem firme entre os quarenta primeiros mas uma espessa nuvem de pó não o deixou ver um enorme buraco que, contudo, estava assinalado no road-book. Tenta fazer um cavalinho para se escapar mas acaba por dar uma cambalhota com a sua KTM: “Caà de cabeça , fiquei atordoado com a pancadaâ€, afirma este neófito do Dakar. “Fiquei no chão algum tempo e depois segui caminho, sem GPS e sem road-book. Felizmente não tive nenhum problema fÃsicoâ€. Privado dos seus instrumentos de navegação, o jovem endurista, admirador de Richard Sainct, não tem outra alternativa senão seguir o traçado deixado no chão. E, fatalmente, seguiu a direcção errada, foi obrigado a fazer um desvio de 60 km com um pequeno grupo, também perdido, no qual se encontrava Christophe Meillat. Resultado: Guillaume Floriac chega em 135º lugar ao último controlo de passagem e passa para o 57º lugar da geral.
Este pequeno susto teve o mérito de lhe recordar o essencial: “o meu objectivo continua a ser chegar a Dakar sem me preocupar com a classificação geral. Gostava muito de partilhar esse momento com a minha famÃlia e os meus amigos que estão a planear ir esperar-me ao Lac Roseâ€. Um sonho que lhe foi transmitido pelo seu irmão mais velho, que fracassou nos dois Dakar em que participou. “tenho vontade de quebrar este enguiçoâ€, diz ele com entusiasmo. O caminho ainda é longo e cheio de incógnitas. Mas Guillaume já esta inquieto por conhecer a Mauritânia. Para dar razão à quilo que Richard Sainct lhe disse um dia, “é preciso fazer o Dakar para o compreenderâ€.
Manuel Garcia, o momento da sua vida
Pede desculpas, porque o tempo foge. Manuel está a tirar as botas antes de se retirar para a sua tenda. O acampamento dos motards está invadido pelos barulhos de uma gigantesca e informal oficina de mecânica. Manuel está instalado mesmo ao lado da mala branca onde se concentra toda a sua vida, à semelhança do que acontece com todos os motards modestos e principiantes. Sentado no chão, o nº 178, tenta, mesmo assim, explicar a sua filosofia. “é o meu primeiro e único Dakar e por isso vivo ao máximo cada instante. Aqui, tudo é excepcional: as paisagens, a organização. Acho até que é demasiado grande para participantes como nósâ€. Há um ano e meio que se prepara para esta aventura e, agora, Manuel confessa que sente algum stress perante a amplitude do acontecimento. Por isso mesmo, ele faz todas as coisas com método. Desta vez está surpreendido com aquilo que vai descobrindo. Ao ponto de baixar a fasquia do seu objectivo inicial.â€Para mim, o importante já não é chegar a Dakar. Já fechei uma etapa africana e é de tal forma desmedido que é como se eu já tivesse a minha contaâ€.
Manuel, nascido em Calahorra na provÃncia de La Rioja, não é, contudo, um sonhador. A sua energia permanente permite-lhe obter um certo sucesso profissional. Fundador e director-geral de uma cadeia de vestuário de baixo preço, participa no Dakar para ir ao fundo de si próprio e para conhecer mais mundo. Em seguida, despedir-se-á. Demasiado pesado, demasiado complicado. Manuel faz parte daquelas pessoas que aceitam viver o seu sonho uma vez na vida. “Já viajei por quase todo o mundo mas não conheço Ãfrica. Fiz alguns treinos em Marrocos, mas do ponto de vista humano o que é que irei encontrar mais a Sul?
De certa forma, Manuel apreende o que se passa. Ele sabe que nem tudo vai bem em Ãfrica e que a solidariedade é necessária. “Médicos sem Fronteiras†é a ONG que o apoia. O Dakar também é isso, mesmo se ele reconhece não saber o que é correcto fazer para ajudar. Com um ar sempre determinado, apesar do cansaço, diz ainda o que, na sua opinião, é uma evidência e uma descoberta: “as pessoas daqui valem realmente a pena.†Ele fecha a sua mala e deita um último olhar para o céu sobre as montanhas que ainda se distinguem. Antes de desaparecer, acrescenta: “hoje fiz a minha navegação, utilizei o road-book, vi todos os buracos, todas as armadilhasâ€. Manuel está confiante. Quanto à sua classificação? “Não me interessa!†Manuel tem os seus critérios. E bastante espÃrito Dakar na sua bagagem.
Manuel, nascido em Calahorra na provÃncia de La Rioja, não é, contudo, um sonhador. A sua energia permanente permite-lhe obter um certo sucesso profissional. Fundador e director-geral de uma cadeia de vestuário de baixo preço, participa no Dakar para ir ao fundo de si próprio e para conhecer mais mundo. Em seguida, despedir-se-á. Demasiado pesado, demasiado complicado. Manuel faz parte daquelas pessoas que aceitam viver o seu sonho uma vez na vida. “Já viajei por quase todo o mundo mas não conheço Ãfrica. Fiz alguns treinos em Marrocos, mas do ponto de vista humano o que é que irei encontrar mais a Sul?
De certa forma, Manuel apreende o que se passa. Ele sabe que nem tudo vai bem em Ãfrica e que a solidariedade é necessária. “Médicos sem Fronteiras†é a ONG que o apoia. O Dakar também é isso, mesmo se ele reconhece não saber o que é correcto fazer para ajudar. Com um ar sempre determinado, apesar do cansaço, diz ainda o que, na sua opinião, é uma evidência e uma descoberta: “as pessoas daqui valem realmente a pena.†Ele fecha a sua mala e deita um último olhar para o céu sobre as montanhas que ainda se distinguem. Antes de desaparecer, acrescenta: “hoje fiz a minha navegação, utilizei o road-book, vi todos os buracos, todas as armadilhasâ€. Manuel está confiante. Quanto à sua classificação? “Não me interessa!†Manuel tem os seus critérios. E bastante espÃrito Dakar na sua bagagem.
