




Filme da etapa
Um trio de conquistadores.
Cyril Despres (KTM – 1º) conseguiu a sua segunda vitória no Euromilhões-Lisboa-Dakar, ao ultrapassar os seus rivais Marc Coma (KTM – 2º) e Isidre Esteve (KTM – 3º). Nos automóveis, Stéphane Peterhansel (MIT – nº300) regista o melhor tempo e consegue, assim, aproximar-se de Carlos Sainz (VW – nº307) antes de entrar na Mauritânia.
A vitória de Cyril Despres, à frente de Marc Coma e de Isidre Esteve, volta a lançar o debate sobre quem vai alcançar a vitória final. Depois de se ter disputado um terço das especiais do programa do rali, começa a destacar-se uma elite na corrida de motos. Os três primeiros da etapa são os únicos que estão preocupados com o tÃtulo no Dakar. A sua técnica de pilotagem coloca-os quase fora de alcance na pista e o sentido táctico de que dão provas confirma a sua consciência da situação. Eles conseguem, simultaneamente, andar mais depressa e com mais sagacidade, e conhecem bem o valor de cada um. As circunstâncias da corrida, a resistência fÃsica ou o talento marcarão a diferença.
E a qualquer momento pode dar-se uma reviravolta na situação. Mesmo numa etapa que parecia, de antemão, resolvida, dois dos elementos deste formidável trio passaram por problemas que poderiam ter tomado proporções mais graves. Tendo partido da quarta posição, Cyril Despres cometeu um erro de navegação que o obrigou a voltar para trás. Cerca de três minutos perdidos. Contudo, este contratempo não o impediu de ultrapassar Gavardo (KTM – nº4) e de conseguir registar o melhor tempo no CP1, mas podia ter-lhe saÃdo bastante mais caro. Por seu lado, Isidre Esteve ficou sem travão traseiro ao km 50 e, por isso, não pode manter um andamento muito elevado. Noutro tipo de terreno, este tipo de problema poderia permitir a um dos seus rivais de tirar daà um grande partido. De qualquer forma, o trabalho de recuperação de Cyril Despres valeu bem a pena, e os três concorrentes chegaram juntos ao CP2 (km 229). A partir daqui rodaram praticamente juntos durante os restantes 131 km, sem que tenha havido nenhuma tentativa séria de ataque. Despres consegue, assim, o melhor tempo à frente de Coma, que mantém o comando da classificação geral com 1’25’’ de vantagem sobre o detentor do tÃtulo, e de Isidre Esteve (6’28).
Se olharmos para a condição dos outros perseguidores, o horizonte começa a estar mais limpo, uma vez que Gavardo, em 4º, não tem plenos poderes na sua equipa, tal como acontece com Andy Caldecott (KTM –nº10), que ainda vai ser penalizado por ter falhado um ponto de passagem obrigatória. David Frétigné (YAM – nº12), que sofre de uma dor no joelho, parece estar limitado pelo potencial da sua Yamaha 450 cm3 em comparação com as KTM. Neste grupo alargado de out-siders, David Casteu (KTM – nº8), na sua primeira participação como piloto oficial, consegue uma 6ª posição na classificação geral. Finalmente, o surpreendente debutante Ruben Faria (KTM – nº160), vencedor de duas etapas em casa, continua a surpreender porque tem sempre os 10 melhores na mira.
Na categoria de automóveis a hierarquia está longe de estar claramente estabelecida. Os dias “Volkswagen†sucedem-se aos dias “Mitsubishiâ€, os outsiders da equipa Schlesser também querem participar da festa e as vedetas mostram, alternadamente, as suas fraquezas. No fim de contas, os oito primeiros da classificação geral têm entre si uma distância inferior a cinco minutos. E Stéphane Peterhansel que saiu, momentaneamente, desta elite cerrada, prepara-se para rapidamente voltar a integrar o grupo. A sua demonstração ao longo da etapa deste dia, entre Ouarzazate e Tan Tan, um dia depois de ter tido um contratempo que lhe custou 17 minutos em relação a Sainz, surge como uma garantia da sua determinação.
Tendo saÃdo na 14ª posição, o recordista das vitórias no Dakar compensou parcialmente o seu atraso em relação aos seus antecessores. Durante os 350 Km da especial ele restabeleceu de tal maneira a situação que o confronto com a VW em terras da Mauritânia vai ser mais equitativo. De qualquer modo, apercebemo-nos deste duelo das marcas que se está a travar no comando da prova. Entre o CP1 e o CP2, Luc Alphand, ultrapassou Thierry Magnaldi e Carlos Sainz, que teve um furo. Parece que o antigo campeão do mundo de ski e o antigo campeão do mundial de rali decidiram fazer um jogo igual em termos de pilotagem. De resto, Alphand continua a ser o melhor representante do clã Mitsubishi na geral, com um 3º lugar a 2’ de Sainz.
Na categoria de camiões, o panorama é mais sereno. Vladimir Tchaguine regista a sua 5ª vitória em 5 etapas do rali e aumenta o seu avanço em geral sobre Karel Loprais que está a 1h31’47’’. Firdaus Kabirov, colega de equipa de Tchaguine, vai se aproximando de Loprais, devagar mas com segurança, e já está a menos de um minuto de diferença. Se a isto juntarmos o abandono de Biasion, que não teve tempo de reparar o seu Iveco para a partida desta manhã, Tchaguine pode começar a olhar para o futuro com serenidade.
