




Filme da etapa
A adaptação de Sainz e a estratégia de Marc Coma.
Nos automóveis, Carlos Sainz (VW – nº307) alcança a sua terceira vitória no Dakar, a primeira em território africano. Assim, o espanhol comanda a classificação geral e faz parte de um pódio totalmente ocupado pela Volkswagen. Nas motos, a Espanha continua a dominar uma vez que Isidre Esteve (KTM – nº3) conquistou em Ouarzazate a sua sexta vitória de etapa no rally. A façanha do dia ficou a cargo de Marc Coma (KTM – nº2) que passou para o comando da classificação geral, à frente do seu ex-colega de equipa da KTM-Repsol. Nos camiões, o festival de Tchaguine (KAM – nº508) continua: 4ª vitória em 4 etapas.
O comando de corrida em motos exige qualidade de pilotagem extraordinárias, máquinas de alta competitividade e uma solidez fÃsica de 100%. A especial do dia mostra, também, que é necessário dispor de um agudo sentido táctico para se conseguir vencer um Dakar. Para os motards mais rápidos é mais vantajoso partir bastante atrás dos principais rivais e depois tentar apanhá-los no decurso da etapa. Isto porque são os pilotos do comando que se encarregam de assegurar a navegação, responsabilidade que impede de rodar a alta velocidade. Ou seja, é mais fácil colher do que semear.
A posição favorável de que Cyril Despres ontem beneficiou foi hoje herdada pelo seu companheiro de equipa Isidre Esteve Pujol. Partiu da 19ª posição e teve a possibilidade de se precipitar sobre os seus antecessores na pista e de estabelecer os melhores tempos no CP1 e CP2. Sem ter chegado a ultrapassar o chefe da corrida acabou por arrebatar a vitória. É uma táctica semelhante à quela adoptada por Marc Coma: partiu seis minutos depois de Despres e precisou de um bom aceleramento para conseguir alcançar o detentor do tÃtulo, coisa que fez entre o CP1 e o CP2. É com Carlo de Gavardo que os dois grandes favoritos continuam a etapa, sem que nenhum dos três tente uma ofensiva. E, no final, Coma conquista o comando do rally com 4’51’’ de vantagem sobre Esteve e 5’06†em relação a Despres….que partirá, amanhã, quatro minutos depois do pupilo de Jordi Arcarons.
Ontem, muitos observadores interrogavam-se sobre as capacidades de Carlos Sainz para adaptar os seus indiscutÃveis talentos de piloto de rally para os terrenos africanos. O espanhol deu uma resposta sem equÃvocos: sim! Para uma primeira participação no Dakar, Sainz soube mostrar-se simultaneamente competitivo e prudente nas pistas marroquinas.. O que não e de espantar uma vez que o recordista do mundial de rally é bem conhecido quer pela sua regularidade, quer pela sua técnica. Com tais qualidades, Sainz deu uma lição a uma série de pilotos bem mais experientes do que ele no Dakar.
No dia de hoje, até mesmo Stéphane Peterhansel e Hiroshi Masuoka foram vÃtimas das armadilhas de Marrocos. Os dois pilotos da Mitsubishi, que rodavam com bom andamento na cabeça da corrida, depois de terem ultrapassado Jean-Louis Schlesser, o vencedor da véspera, não conseguiram manter-se assim durante muito tempo: Masuoka capotou e danificou seriamente o seu carro o que, mesmo assim, não o impediu de terminar a especial com 27’ de atraso. Quando regressou ao bivaque, a peritagem efectuada pelos técnicos da Mitsubishi foi peremptória: o Dakar acabou para Masuoka. Peterhansel, por sua vez, não correu grandes riscos mas um erro de navegação custou-lhe 17’ de atraso registados no fina da especial. Por fim, Jean-Louis Schlesser soube gerir relativamente bem a desvantagem de partir em primeiro lugar e terminou a etapa entre os 10 melhores. Pelo menos, teve a satisfação de ver o seu novo colega de equipa, Thierry Magnaldi, arrebatar o 2º lugar, a 2’ de Sainz.
O desempenho individual de Sainz confirma também a competitividade do team Race Touareg II e a coerência da equipa constituÃda pela Volkswagen, uma vez que a marca alemã açambarcou os três primeiros lugares da classificação geral, com Bruno Saby a 4’51 e Jutta Kleinschmidt a 5’09’’. Dentro do grupo Mitsubishi, é Luc Alphand que está mais próximo dos VW, quer na classificação da especial (3º com 3’10’’), quer na geral (4º com 6’39’’).
Na categoria de camiões, Vladimir Tchaguine, continua a mostrar o seu domÃnio e conquista a sua 4ª vitória consecutiva, com 2’42’’ de vantagem sobre Hans Stacey. Ele é, simplesmente imbatÃvel. A sua vantagem sobre a concorrência quase que parece uma insolência, uma vez que, na classificação geral, o seu perseguidor mais próximo, Karel Loprais, encontra-se a 1h08’ e tudo isto ao fim de apenas duas etapas marroquinas.
