retour_racine
etapa 3 - segunda-feira 2 de Janeiro de 2006 | Nador > Er Rachidia
  • Ligação 237 km
  • Especial 314 km
  • Ligação 121 km
  • Total  672 km
retour_boutique

Cara a cara

moto

“Uma mulher sensataâ€

Nº 245: Emmanuelle Jannon

“Isto começa bem!†Emmanuelle Jannon teria certamente preferido uma outra entrada para esta sua primeira participação no Lisboa-Dakar. Com efeito, desde o km 33 da primeira especial, a jovem quadista de 29 anos foi surpreendida por um buraco cheio de água. Tendo sido ejectada, a responsável pela página de Internet dos perfumes Dior, conseguiu, contudo, sair desta experiência sem ferimentos. Mas a sua Bombardier 650 não teve a mesma sorte.
“Quando me levantei, vi a minha quad virada dentro de água! Como não havia praticamente nenhuns concorrentes atrás de mim, tive que voltar a pô-la sobre rodas sózinha. Isto tomou-me bastante tempo. E como a quad estava com uma avaria, apanhei choques eléctricos durante todo o resto da especial. Tive realmente medo de não conseguir ver a chegada! Enfim, tudo terminou bem uma vez que posso continuar apesar das penalizações. Disto isto, nada mais importa. O meu objectivo é ir até ao fim, e não só conseguir um bom resultado. Para isso, o mais importante é encontrar um bom ritmo a partir desta primeira etapa, o que consegui, apesar de tudo. Em todo o caso foi um belo início de corrida mesmo que tenha sido um pouco movimentado!â€
Com efeito, não há nenhuma razão para desencorajar esta mulher sensata que já praticou todas as modalidades mecânicas, da velocidade ao cross, desde o dia em que o seu pai a sentou numa mini-moto quando ela tinha cinco anos. Apenas lhe faltava o todo-o-terreno, o que agora deixou de acontecer. E Emmanuelle não escolheu o caminho mais fácil: neste ano ela é a única mulher a ter ousado concorrer em quad, categoria com a reputação de mais difícil. “Ao fazer o Rallye des Gazelles 2004 em carro, eu morria de inveja ao ver os quadistas que davam a impressão de surfar sobre as dunas. E logo no ano seguinte, inscrevi-me nesta categoria. Como terminei em 2º decidi tentar realizar o meu sonho: ser a primeira mulher a terminar o Dakar em quad.â€
automóvel

Pere Maini Codina, o deserto é o seu jardim.

Tem uma voz grave e é económico nas palavras. Umas mãos calosas próprias de quem vai muitas vezes pescar nas enseadas de Cadaqués. E o olhar frontal do aventureiro. Pere Maini é uma espécie rara. Vive perto de Gerona, a dois passos dos Pirinéus e da Costa Brava. Este mecânico famoso fez da sua garagem um lugar de referência para a aventura motorizada local. Conhece tudo de Ãfrica e diz que o Dakar 2006 é o último em que participa.

Este catalão sólido e rude desembocou no rally em 1982. Era a terceira edição da prova e guarda desta descoberta uma recordação que o persegue: “Eu sei que vivi aquilo que considero ter sido a melhor época. O Dakar era: bússola, nenhuma assistência e sempre em frente!†Um perfume de aventura que ele diz nunca mais ter encontrado. Sem dúvida que a sensação de ter sido um pioneiro, na época de Thierry Sabine, é difícil de esquecer.

Mas nem por isso se deve pensar que Pere Maini ficou parado no tempo. Desde o seu primeiro rally, foi a Ãfrica mais de cinquenta vezes. Um pouco de Dakar (12 participações) e muitas outras aventuras. Este personagem foi instalador de câmaras frias no Benin, guia turístico no Senegal e transportador nos corredores humanitários durante quatro anos para a ONG catalã “Médicos sem Fronteiras. “Aquilo de que eu gosto é de Ãfrica e da aventura. Sem a incerteza e sem as dificuldades, as situações não têm interesseâ€. Este viajante infatigável regressou ao Dakar no ano passado depois de dez anos de ausência. O seu amigo Baldiri Olive Ribe queria mostrar o Dakar aos seus dois filhos que se viram, assim, transformados em co-pilotos. As duas viaturas tiveram que abandonar a prova na 7ª etapa e se Pere Maini regressou em 2006, depois de ele próprio ter preparado os seus carros, é porque não gosta de fracassos. Acompanhado pelos seus três parceiros do ano passado, aqui está ele de volta ao Dakar. É claro que nesta nova tentativa existe uma passagem de testemunho. Mas não é certo que seja um ponto final. Apesar das saudades dos velhos tempos seria de espantar que o apelo do deserto, na sua versão rally, não lhe voltasse a bater à porta da sua casa de Llambilles.