Cara a cara

José Luis Ãlvarez, aventureiro solitario
Já participou em nove Dakar. Mas em cada uma deles é como se começasse do zero. José Alvarez persegue a "Aventura" com perseverança apesar das vicissitudes. É preciso dizer que quando se nasceu em Ceuta e se viveu a juventude em Laayoun, no Sahara ocidental, não se fica indiferente a Ãfrica. Quando conta esta sua infância, guarda na memória a sua descoberta do Atlântico. Com os seus irmãos Ãa a pé para a praia sob a orientação do pai, militar. As dunas sucediam-se e, de repente, deparava-se com a vastidão do mar. Foi nesta época que teve, igualmente, a revelação da mecânica. Aprender a soldar desde os 10 anos de idade nas oficinas da caserna acabou por ser-lhe muito útil no seu futuro de aventureiro e formou também a sua faceta lutadora. Desde então que José Luis não pode evitar apaixonar-se pelo Dakar. Primeiro viveu a sua paixão na posição de espectador frustrado. Nos anos 80 a sua estratégia era viajar para Paris, acampar perto da Place de la Concorde ou no Champ de Mars e observar o grande espectáculo a tomar forma. Depois, tudo se passou como num encadeamento lógico, ao estilo de José Luis.
Primeiro, comprou uma Honda 600 que transformou para participar no seu primeiro rally. Sempre à procura de financiamentos, é como jornalista da revista espanhola New Look que se lança para o seu segundo Dakar. É finalmente em 2003, na sua oitava tentativa, que consegue ver a linha de chegada. Com uma distinção que tem tudo a ver consigo: ser o primeiro espanhol a fechar a prova numa quad. Entretanto viveu milhares de aventuras no Dakar, vendendo a sua mota na Mauritânia por 80.000 ouguiyas ou inscrevendo-se sem nenhum dinheiro disponÃvel. Ele contou sempre com a sua boa estrela e uma vez chegou mesmo a transformar-se em Rei Mago: “perto de Tan-Tan, a minha quad avariou-se e os garotos da aldeia aproximaram-se de mim. Dei-me conta que era o Dia de Reis e que estas crianças não tinham nenhum presente. Com as folhas do meu bloco de notas fiz-lhes aviões e barcos de papelâ€. José LuÃs é assim: nem a vastidão do deserto nem a magnitude dos seus problemas o abalam. Ele respira a aventura. Numa quad e sem assistência.

