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etapa 2 - domingo 1 de Janeiro de 2006 | Portimão > Málaga
  • Ligação  65 km
  • Especial 115 km
  • Ligação 387 km
  • Total  567 km
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Cara a cara

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José Luis Ãlvarez, aventureiro solitario

Já participou em nove Dakar. Mas em cada uma deles é como se começasse do zero. José Alvarez persegue a "Aventura" com perseverança apesar das vicissitudes. É preciso dizer que quando se nasceu em Ceuta e se viveu a juventude em Laayoun, no Sahara ocidental, não se fica indiferente a Ãfrica. Quando conta esta sua infância, guarda na memória a sua descoberta do Atlântico. Com os seus irmãos ía a pé para a praia sob a orientação do pai, militar. As dunas sucediam-se e, de repente, deparava-se com a vastidão do mar. Foi nesta época que teve, igualmente, a revelação da mecânica. Aprender a soldar desde os 10 anos de idade nas oficinas da caserna acabou por ser-lhe muito útil no seu futuro de aventureiro e formou também a sua faceta lutadora. Desde então que José Luis não pode evitar apaixonar-se pelo Dakar. Primeiro viveu a sua paixão na posição de espectador frustrado. Nos anos 80 a sua estratégia era viajar para Paris, acampar perto da Place de la Concorde ou no Champ de Mars e observar o grande espectáculo a tomar forma. Depois, tudo se passou como num encadeamento lógico, ao estilo de José Luis.

Primeiro, comprou uma Honda 600 que transformou para participar no seu primeiro rally. Sempre à procura de financiamentos, é como jornalista da revista espanhola New Look que se lança para o seu segundo Dakar. É finalmente em 2003, na sua oitava tentativa, que consegue ver a linha de chegada. Com uma distinção que tem tudo a ver consigo: ser o primeiro espanhol a fechar a prova numa quad. Entretanto viveu milhares de aventuras no Dakar, vendendo a sua mota na Mauritânia por 80.000 ouguiyas ou inscrevendo-se sem nenhum dinheiro disponível. Ele contou sempre com a sua boa estrela e uma vez chegou mesmo a transformar-se em Rei Mago: “perto de Tan-Tan, a minha quad avariou-se e os garotos da aldeia aproximaram-se de mim. Dei-me conta que era o Dia de Reis e que estas crianças não tinham nenhum presente. Com as folhas do meu bloco de notas fiz-lhes aviões e barcos de papelâ€. José Luís é assim: nem a vastidão do deserto nem a magnitude dos seus problemas o abalam. Ele respira a aventura. Numa quad e sem assistência.

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Ruben Faria - O Dakar à porta de casa.

Ele estava no seu terreno. O português Ruben Faria criou a primeira e bela surpresa deste Dakar 2006. Na sua estreia, este nativo de Olhão - pequeno porto de pesca do Algarve - terminou a especial de 1 de Janeiro colado às rodas do detentor do título, precisamente a 4’’ de Cyril Despres. Saiu para esta etapa com a benção do Presidente da Républica, Jorge Sampaio, que esteve presente na linha de partida em Lisboa e se está em segundo lugar na classificação a verdade é que é o primeiro no coração dos portugueses." Fiquei contente de ver toda esta gente ao longo de uma pista que conheço bem porque moro a 30 km de Faro", dizia Ruben Faria no pódio de chegada em Portimão."Para este meu início no Dakar não podia ter sonhado melhor. (...) Já tinha rodado com Cyril Despres em Portugal. Ele é muito forte e sei que a partir de Marrocos não voltarei a vê-lo em corrida. Por isso, aproveitei a oportunidade e rodei depressa mas com prudência". Hoje, a felicidade de Ruben Faria deveria ter ido ao auge uma vez que foi o "regional da etapa". Uma bela recompensa para este motard de 31 anos, que coleccionou títulos nacionais (supercross, enduro e todo-o-terreno)nos anos 90, antes de sofrer múltiplas lesões e operações até 2004. Motivado por dois amigos com os quais constituiu o team SPEDakar (Só Paramos Em Dakar, Faria contraiu um empréstimo de 60.000 euros à banca para realizar o seu sonho: seguir o traçado marcado pelo seu ídolo Stéphane Peterhansel. "Ontem, quase chorei quando me cruzei com Peter no briefing dos concorrentes em Lisboa. Ele representa para mim um modelo absoluto", confessou Ruben com emoção. O vice-campeão de Portugal 2005 em todo-o-terreno mantém a lucidez e concentra-se no seu objectivo: levar a sua KTM até Lac Rose. Embora não conheça nada de Ãfrica, nem o road-book, nem as armadilhas que o esperam no deserto da Mauritânia, ficará "simplesmente feliz de acabar dentro dos cinquenta primeiros da classificação geral". Para que o seu sonho de terminar o seu primeiro rally raid se torne, finalmente, uma realidade.