




Filme da etapa
Peterhansel no seu melhor.
A etapa de hoje foi neutralizada, no que diz respeito aos motards, em homenagem a Andy Caldecott. Nos carros, Carlos Sainz (VW – nº307) ganhou a etapa mas foi a Stéphane Peterhansel (MIT – nº300) que coube a façanha do dia, ao marcar uma avanço de 40 minutos na classificação geral sobre o seu colega Luc Alphand (MIT – nº302). Nos camiões, a terceira vitória de etapa de Hans Stacey não altera a classificação geral que continua a ser dominada por Vladimir Tchaguine.
Hoje ninguém tinha alma para deitar mãos à obra. Na partida de Kiffa, os motards sabiam que não seriam cronometrados na 10º etapa, na sequência de uma decisão tomada na véspera, e que o percurso seria feito em ligação. Em homenagem a Andy Caldecott, falecido ontem. E o momento actual não é para espectáculos nem para grandes exibições. O dia começou em Kiffa com um minuto de silêncio, na presença de todos os concorrentes que tinham acabado a 9ª etapa, e continuou com um trajecto de mais de 300 quilómetros, durante os quais os pilotos não pararam de pensar em Andy. E também no desporto que praticam.
Inevitavelmente, as condições particulares desta procissão para Kayes tornaram o trajecto penoso. Carlo de Gavardo (KTM – nº4), colega de equipa de Andy Caldecott, estava transtornado: “Para mim, é muito duro. Não é fácil para um piloto oficial reconhecer que a morte é uma possibilidade, que faz parte do seu trabalho. Não me sinto bem. Não me sinto aqui, a participar na corridaâ€. Também Marc Coma (KTM – nº2) revela o mesmo sentimento em relação ao dia: “tÃnhamos vontade de fazer a especial todos em conjunto, mas com tanta poeira era perigoso rodar em pelotão. Preferi partir sozinho, à frente, e pensei muito…tal como todos os outros, creio euâ€.
Em quatro rodas, a especial da 10ª etapa foi disputada na Ãntegra, com alguma competição para ajudar as equipas a concentrarem-se nos seus objectivos. Stéphane Peterhansel, que já tinha ontem tomado uma vantagem decisiva, devia confirmar o seu domÃnio da corrida. O seu objectivo era, claramente, afastar-se de Luc Alphand na classificação geral. E conseguiu cumpri-lo. O trabalho de conquista de segundos começou logo nos primeiros quilómetros. O patrão da corrida, que partiu da primeira posição, deu o seu melhor para manter um ritmo elevado e distanciar-se do seu colega de equipa. A meio do caminho, o esforço de Peterhansel já começava a fazer efeito uma vez que a sua vantagem era já, virtualmente, de 1’50’’. Pouco depois, o antigo praticante de sky contribuiu significativamente para o objectivo de “Peterâ€, ao embater numa árvore, o que o obrigou a uma paragem de meia hora no km 218. Com 40’14’’ de atraso, Alphand é obrigado a esperar que o seu rival passe por uma desventura semelhante, se quiser ainda ganhar o seu primeiro Dakar. Se não for o caso, Alphand deverá defender o seu segundo lugar do ataque de Giniel de Villiers (VW – nº 305), que se distanciou hoje cerca de 10 minutos.
Se Giniel de Villiers continua a ser o melhor representante da Volkswagen na classificação geral, a marca alemã está, mesmo assim, a conseguir uma pequena vingança com a ajuda de Carlos Sainz que uma vez diz uma coisa para logo a seguir dizer outra diferente sobre o rali. Impressionante nos dias bons, como esta sua 4ª vitória de etapa, ele ainda não encontrou a regularidade que lhe permitirá disputar os primeiros lugares da classificação geral. Dois dias de pesadelo derrotaram as suas ambições: ele tem um atraso de 10h13’49’’ em relação a Peterhansel.
Nos camiões, Hans Stacey alcançou a sua 3ª vitória de etapa no Dakar 2006, com 1’44’’ de avanço sobre Firdaus Kabirov, e 23’42’’ sobre Vladimir Tchaguine. O quádruplo vencedor da prova, que ficou parado e perdeu dez minutos no decurso da corrida, continua a manter o comando da classificação geral com 3h18’’ de avanço em relação a Kabirov.
