A ajuda humanitária
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Thierry Sabine, fundador do rali, tinha consciência das difíceis condições de vida em África, da urgência em agir e da importância de que se poderia revestir o rali. No seu espírito, o Paris-Dakar tinha por vocação ser útil para os países que o acolhiam. As acções que foram iniciadas a partir de 1985 continuaram a inspirar os organizadores e, em seguida, os concorrentes do rali, que contribuem igualmente para a realização de projectos.
O Dakar conseguiu uma nova dimensão nos anos 2000. A A.S.O. debruça-se presentemente sobre a questão da ajuda aos países africanos com ambições revistas em alta. Sendo a eficácia uma prioridade, a A.S.O. chegou à conclusão que seria oportuno unir os seus esforços aos dos profissionais da assistência humanitária. SOS Sahel International France, que conhece perfeitamente as realidades do terreno, revelou-se o parceiro mais adequado para orientar os investimentos efectuados no domínio da protecção ambiental.
Em 2002, a A.S.O. lançou o programa Acções Dakar no âmbito de uma parceria com a SOS Sahel. A preocupação da preservação dos recursos naturais e a melhoria das condições de vida, mais precisamente de higiene, são os eixos principais do programa. O modo operacional decidido corresponde exactamente ao estado de espírito desejado pela A.S.O., devendo as diferentes acções ser iniciadas e executadas pelo pessoal local responsável, sempre no âmbito de uma política de desenvolvimento sustentável.
Tomada de consciência sobre a questão ambiental
A ambição das Acções Dakar é, com efeito, valorizar as competências locais confiando a determinados grupos projectos de pequena envergadura (entre 2000 e 5000 € por acção), ou seja “ensinar a pescar em vez de oferecer o peixe”. A longo prazo, o maior impacto será certamente no plano da consciencialização para a questão ambiental nas cidades e nas aldeias beneficiadas. Para além das melhorias imediatas das condições de vida, a vantagem das Acções Dakar será julgada principalmente em relação à sua perenidade.
O primeiro plano de acção foi executado na região de Louga, no Senegal. A renovação da parceira, assinada em 2005 por mais um período de três anos, organizou em seguida a extensão das Acções Dakar à Mauritânia, onde já foram lançados vários projectos solicitados por agrupamentos de aldeias, como por exemplo, a instalação de um sistema de recolha de lixos na cidade de Ouad Naga.
NÚMEROS-CHAVE
- 310 000 pessoas afectadas por 131 projectos
- 3 300 pessoas formadas em técnicas de gestão dos recursos naturais
- 648 000 euros de orçamento nos últimos 5 anos
- 57 000 crianças e adultos sensibilizados para as boas práticas governamentais
Protecção, valorização dos solos e dos recursos florestais
3 700 fogos melhorados construídos, 1 070 ha de terras agrícolas protegidas, 136 000 árvores plantadasp>
Protecção sanitária e higiene da água
50 500 pessoas beneficiam da recolha dos lixos domésticos, 98 latrinas e 62 fossas de retenção para sólidos realizadas, 20 tanques de irrigação e 6 poços construídos/p>
Contacto: actionsdakar@sossahel.org
Depois de ter serpenteado o Sahel e recenseado as necessidades mais urgentes, Thierry Sabine criou em 1985, juntamente com Daniel Balavoine, a Aposta no Coração, “na qual cada um participa para fazer ganhar os outros”. Graças ao alcance mediático do evento e à sinceridade genuína dos dois embaixadores, o projecto vingou rapidamente no coração da opinião pública, sensibilizada para os dramas vividos pelas populações do Sahel.
A água é vida
Após se ter chegado à conclusão que a problemática da água era a mais decisiva, foi iniciado um movimento de solidariedade que assentou essencialmente na instalação de bombas de água. Sabendo que, por exemplo, uma bomba de irrigação permite valorizar 50 hectares de terras (ou seja 500 toneladas de arroz), o objectivo de conseguir a auto-suficiência alimentar passou a ser, finalmente, possível nas zonas em questão. Após a morte de Thierry Sabine em 1986, o seu pai, Gilbert, continuou a acção da Thierry Sabine Association no Níger, na Mauritânia, no Mali e no Senegal. Cinco anos mais tarde, foi feito um balanço das acções:
- 147 bombas de água instaladas
- 300 m³ de medicamentos e material médico distribuídos
- 40 m³ de livros e material escolar
- 50 m³ de pequenas ferramentas agrícolas
- 7 veículos
- 500 000 doses de vacinas
Em 1986, à margem do Dakar, foi montada uma operação que reuniu inúmeros parceiros. Paralelamente à progressão do rali, uma outra caravana atravessa a África empreendendo acções em prol das aldeias do Sahel. Desta vez, são as associações já existentes que acompanham o rali e organizam o transporte do material. No total, a caravana humanitária inclui aproximadamente quinze veículos e cerca de trinta pessoas.
A caravana humanitária acompanhou o rali durante quatro anos, no decorrer dos quais os parceiros puderam contribuir com a sua ajuda fornecendo, designadamente, material agrícola (debulhadoras de arroz, sementes, bombas de água, etc.)
Os organizadores do rali foram posteriormente confrontados com um facto cruel. Devido à falta de meios e de contactos, a perenidade dos investimentos efectuados para ajudar os habitantes das aldeias nem sempre ficou assegurada. Uma parte do material foi sub-utilizada, e até mesmo completamente perdida, devido a dificuldades técnicas e financeiras relacionadas, designadamente, com a exploração das bombas de água.
Nos anos 90, a escolha dos organizadores recaiu em acções mais focalizadas. Foi organizada uma série de projectos ambiciosos, repartidos num período de vários anos, no Níger, na Mauritânia, no Mali e no Senegal:
- 1991: construção de um dispensário-maternidade no Senegal, na aldeia de Niaga Wolof, perto do Lago Rosa
- 1993: construção de um dispensário-maternidade no Níger, na aldeia de Gazamni
- 1997: construção de um colégio na Mauritânia, na cidade de Zouerat
- 1998: construção de uma escola no Mali, na aldeia de Koudathiou
- 1999: construção de um depósito de água em altura na Mauritânia, na cidade de Akjouj. Iluminação parcial de Agadez (Níger)
E, sobretudo, a iniciativa adoptada foi consideravelmente alterada, visto que as experiências anteriores convidavam à orientação dos esforços para o acompanhamento das realizações. Foram assim feitos investimentos regulares mais pequenos, mas indispensáveis ao funcionamento das instalações: formação de parteiras, realização de furos, etc/p>
Os concorrentes do Dakar têm necessariamente uma atracção especial por estes países e uma sensibilidade evidente para a austeridade das condições de existência das suas populações. Desde as primeiras edições da corrida, têm sido tomadas numerosas iniciativas individuais pelos concorrentes, frequentemente mínimas, mas sempre discretas. O camionista que transporta uma cantina de vestuário ou equipamento escolar nunca teve a pretensão de salvar a África, mas teve sempre a certeza de que o seu gesto seria útil a uma família ou a uma escola da aldeia.
As acções empreendidas pelos concorrentes foram durante muitos anos orientadas por esta vontade. A seguir, os projectos foram-se estruturando pouco a pouco e envolvendo cada vez mais parceiros europeus. Doravante, para uma maioria de concorrentes, a preparação do rali tem em conta uma acção humanitária ou pedagógica.
Alguns projectos atingem uma dimensão considerável, como o dispositivo fomentado pelas equipas participantes sob a insígnia Repsol (Mitsubishi, KTM - Espanha), que permitiu abastecer em material médico, durante um ano, vários hospitais situados ao longo do itinerário. O holandês Frits Hessing, que reuniu 150 000 euros para o tratamento de mulheres grávidas, com o objectivo de reduzir o risco de transmissão do vírus da SIDA às crianças, teve também a oportunidade de expandir a sua acção. Mas, que eles se chamem Yannick Guyomarch, bombeiro em Paris e coordenador de um projecto de equipamento informático para escolas marroquinas, ou José Manual Salinero, que distribuiu brinquedos a mais de 800 órfãos entre Nouakchott e Dacar, após ter abandonado o rali, todos eles têm consciência de que o Dakar não é somente uma corrida.