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etapa 5 - quarta-feira 10 de Janeiro de 2007 | Ouarzazate - Tan tan

  • Ligação 164 km
  • Especial 325 km
  • Ligação 279 km
  • Total  768 km

Retratos

automóvel

Jerome Bonfils- Pierre Paul Chanoine: entendimento cordial

JEROME BONFILS

As relações franco-inglesas têm os seus altos e baixos desde sempre. Joana d’Arc em chamas foi sem dúvida um dos pontos baixos, mas pelo menos no 2007 Dakar tudo esse passado parece estar esquecido e perdoado, tendo inúmeros pilotos privados franceses optado por comprar máquinas britânicas. Exemplo disso é Jerome Bonfils, que nesta edição de 2007 decidiu concorrer com um veículo, o Desert Warrior, de fabrico e concepção britânicos. Poderão pensar que foi a deslocação ao Reino Unido e a possibilidade de saborear a famosa cozinha britânica que influenciaram a escolha de Jerome. Ou talvez Jerome só tenha querido aproveitar a oportunidade para praticar o seu inglês. Segundo Jerome, no entanto, nenhum destes factores está por detrás da sua decisão. “Muito simplesmente achei que era um carro divertido de conduzir, fiável e não muito caro. Tem uma estrutura tubular sólida e um bom motor turbo diesel da BMW muito fiável. Quanto à comunicação, eles com um mau francês e eu com o meu mau inglês entendemo-nos às mil maravilhas.†Há no entanto limites relativamente ao ponto até onde Jerome pensa poder ir em nome do "entente cordiale". “Venho de uma região vinícola em França e apesar de estar muito satisfeito com o trabalho deles neste Dakar, as hipóteses de começar a beber cerveja preta quente em breve são escassas.â€

automóvel

Shusei Yamada: «Terminar a prova com bio-diesel»

SHUSEI YAMADA

Shusei Yamada conhece o Dakar como a palma das suas mãos. Nesta sua 22a participação, o piloto entra em prova como se fosse a primeira vez. Fotógrafo de profissão e por vocação, o japonês participou na edição de 1983 do Dakar num carro de imprensa: «Era a época dos pioneiros, com Thierry Sabine. Depois de uma primeira experiência, pedi-lhe para partir em moto na minha qualidade de jornalista. Essa experiência mudou a minha vida. Inscrevi-me depois como concorrente em 1989, mas as coisas correram muito mal. Sofri uma queda muito grave e não consegui andar durante dois anos.»

Desde então, Yamada ultrapassou o destino e terminou o Dakar em 1991. Combativo por natureza, o piloto deu a volta ao mundo de moto. Percorreu no total nas suas duas rodas mais de 140 países. Ma o que o trás a Dakar é um projecto ambicioso de circunvalação de carro. Esta primeira etapa em direcção à capital senegalesa é também uma maneira de se lançar no seu desafio de militante, ou seja, proclamar o seu empenho pelo respeito do planeta: «Vou tentar ser o primeiro a terminar o Dakar ao volante de um veículo com motor a bio-combustível. Para demonstrar que o futuro do automóvel também pode passar por meios que permitam reduzir as emissões de dióxido de carbono. A carroçaria do carro é igualmente, em parte, fabricada com bio-plástico, à base de resina de Kenaf». De momento, mesmo atrasado devido a um enorme furo que provocou o descontrolo do seu carro, e quase uma hora de atraso na classificação geral, Yamada segue o seu caminho: «O meu grande sonho é fazer mais de 100 000 quilómetros. Ainda estou longe, é dez vezes o percurso do Dakar».

moto

Ruben Marcelo Miti: «O Dakar é ainda mais duro do que o que eu pensava»

Copyright A.S.O. / Amaury Sport Organisation

Quando chegou a Foum-Zguid, viu-se que Marcelo Miti estava cansado. Cara cheia de pó, gestos lentos, olhar apagado. O facto de ter chegado ao acampamento de dia enquanto dezenas de outros motards disputavam ainda a primeira etapa maratona, não contribui para o alegrar. Este primeiro Dakar é realmente uma prova. Além disso o motor não é do seu agrado: «Enervo-me muito com a minha moto. Tenho um problema na suspensão traseira e conduzo sem grande confiança». Resumindo, um dos dois argentinos do rali, juntamente com Orlando Terranova, não se mostra à vontade. E o acampamento perdido entre Er Rachidia e Ouarzazate, preocupa-o um pouco: «Onde é que dormimos? Será que há cobertores?»

Para ser sincero, Ruben tem saudades do rali da Argentina: «Las Pampas são magníficas e eu continuarei a participar nesse rali. Quanto ao Dakar, não sei.» A descoberta do rali é para este piloto natural de Buenos Aires uma surpresa constante e quotidiana. «Não esperava isto tudo» diz, sentado no interior da tenda com o tabuleiro da refeição. «As verificações são muito stressantes. Há também o problema da língua. Tudo isto me ultrapassa e ainda por cima estou sozinho. Relativamente à corrida, é muito dura, tinha uma ideia do que seria. Mas quando se participa, é mais difícil. É necessário vir para aqui com uma estrutura para que o piloto se possa consagrar inteiramente à prova.»

Marcelo já está com a cabeça no seu próximo Dakar. Seria surpreendente se não respondesse novamente ao desafio. Não seria o primeiro. Marcelo é actualmente responsável pela exploração agrícola da família e na Argentina é necessário ter em conta as escalas. 5.000 cabeças de gado e 200.000 frangos, no caso dele. A propriedade chama-se “Estancia El Visnal†e situa-se a 200 km de Cordoba e, sobretudo, a 30 km da aldeia mais próxima. Não é fácil ter uma vida social desta forma. É muito mais interessante quando se gosta de motos, para melhorar o seu perfil de combatente das duas rodas. Ruben Marcelo teve que esperar pela maioridade para se poder emancipar. Só aos 27 anos é que pôde começar a ser um verdadeiro motard. As responsabilidades e a pressão familiar atrasaram durante muito tempo a sua vocação. Mas em cerca de dez anos de actividade, Ruben multiplicou as competições e os resultados, na Argentina e em Espanha. O seu objectivo é conseguir terminar a prova para ser, talvez juntamente com Orlando Terranova, o único argentino a ter chegado ao Lago Rosa.

automóvel

Ronn Bailey: “A tempo para apanhar o ferry para Marrocos!â€

RONN BAILEY

“Aquilo que eu quero é chegar a Dakar,†diz Ronn Bailey a todos os que querem ouvi-lo, mas mesmo esta "modesta" ambição está ser difícil de cumprir. “Estávamos a avançar bem na etapa em Portugal quando o carro parou devido à quebra do alternador. Lá conseguimos partir novamente e logo a seguir, ao passarmos demasiado perto de um camião o sistema de inflation partiu.†O carro de Ronn teve nova avaria na ligação, mas ainda foi capaz de entrar no parque fechado um pouco mais à frente da linha de chegada.

A segunda Especial portuguesa correu sem incidentes até que o buggy sofreu novo acidente no caminho para Málaga. “Tivemos que agir para evitar bater num carro que ia na auto-estrada e acabamos por fazer uma série de piões. O carro ficou seriamente danificado, mas a nossa assistência conseguiu pôr-nos na estrada e assim chegámos a tempo para embarcar para Marrocosâ€.

Com o carro a necessitar desesperadamente de uma revisão geral, Ronn teve que o "mimar" até à primeira etapa em território marroquino, altura por volta da qual a cinta de direcção partiu e o piloto ficou sem direcção assistida. “É fácil de montar, mas muito difícil de aceder e no total perdemos uma hora e meia. Felizmente já expirámos toda a nossa má sorte e agora podemos concentrar-nos na prova até à linha de chegada. Dois ou três dias sem incidentes seria fantástico…â€