etapa 4 - terça-feira 9 de Janeiro de 2007 | Er Rachidia - Ouarzazate
- Ligação 96 km
- Especial 405 km
- Ligação 178 km
- Total 679 km
Entrevistas
MARC COMA (ESP – KTM REPSOL – VENCEDOR DA ESPECIAL)
É um dia muito importante na óptica da vitória. Parti sem realmente correr riscos, mas ao chegar ao reabastecimento dei-me conta que estava com um bom avanço, porque só vi o Isidre (NDLR: os pilotos são obrigados a fazer uma pausa de quinze minutes no CP). Como vi que os outros estavam bem atrás, decidi acelerar porque senti que era um bom momento para aumentar a diferença. A grande satisfação, foi ter aberto a pista, pode orientar-me durante toda a Especial e não cometi nenhum erro. Tudo isto numa etapa que se adivinhava difÃcil.
Isidre Esteve Pujol (ESP - KTM Gauloises – 2° da Especial)
Perdi-me ao km 80 da Especial. Estive numa nuvem de poeira deixada por Chris Blais, afastei-me da pista e perdi muito tempo a tenta encontrá-la novamente. Depois, a partir do km 360, tive um problema com o road-book, e decidi seguir o Marc. Não é de facto o meu melhor dia, mas falta ainda muito para terminar o Dakar. Reparei que tenho três raios partidos e uma pastilha dos travões completamente usada. É um bocado complicado porque não podemos recorrer à assistência hoje à noite, mas penso que vou poder trocar a minha roda com um dos meus colegas de equipa.
Cyril Despres (FRA – KTM Gauloises – 3°)
Perdi quase 20 minutos! Acho que perdi 10 a "pastar" e o resto a… Foi um dia delicado porque parti muito depois da cabeça da prova e comi muita poeira. A um certo momento tinha um grupo de sete pilotos à minha frente que fazia uma nuvem de poeira enorme. Para os ultrapassar foi muito difÃcil ! Mas em fim de contas, o dia até não foi mau. Felizmente que amanhã parto no grupo da frente.
David Casteu (FRA – KTM Gauloises – 4°)
Aprendemos uma pequena lição de moto. Ah, aquele Marc, o que é que ele nos aprontou! De qualquer maneira ele provou durante toda a época que era conhecedor da matéria. É o campeão do mundo e eu sou vice-campeão, por isso a classificação é lógica. Mas eu sou um outsider. Não estou preparado para ganhar o Dakar , mas dou tudo o que posso. Hoje parti devagar, foi um passo estratégico. Depois do reabastecimento lancei-me ao ataque o que me permitiu apanhar o Chris Blais. Foi o dia das primeiras dunas. Não eram enormes, em contrapartida eram muito moles. Os amadores vão ter muitas dificuldades.
Pal-Anders Ullevalseter (NOR – KTM – 5°)
Os 150 últimos quilómetros foram muito duros, acho que todos sofreram neste terreno. Estou pessoalmente satisfeito porque tive um bom dia: menos bom antes do reabastecimento, mas muito melhor a seguir. É um bocado mais complicado para mim do que para as grandes equipas porque estou sozinho. Gosto de participar assim, mas há sempre problemas. Hoje, por exemplo, não tenho ninguém para me apoiar se precisar de uma peça.
Jean-Louis Schlesser (FRA – Schlesser-Ford – Vencedor da Especial)
Estou sobretudo abatido pelo falecimento do jovem motard, é realmente uma notÃcia triste. Relativamente ao dia de hoje, não tinha programado vencer esta etapa, mas sabia que era possÃvel. Estou orgulhoso de poder estar à frente de grandes equipas como a Mitsubishi e a Volkswagen. Isto demonstra que posso ser competitivo, mesmo sozinho, mesmo só com os meus meios. De qualquer maneira estou motivado para continuar a incomodar as grandes equipas.
Carlos Sainz (ESP – Volkswagen – 3°)
Estou satisfeito no cômputo geral com esta Especial. Tivemos dois problemas durante o percurso: um furo e ficámos com ervas presas no radiador. O mais importante para nós é poder continuar a avançar e evitar os problemas. É claro que tenho muito mais experiência, mas estou sempre a aprender. Tenho no entanto que melhorar o desempenho nas dunas e encontrar o ritmo certo. O Stéphane Peterhansel é a minha referência nas dunas.
Stéphane Peterhansel (FRA – Mitsubishi – 10°)
Próximo do final da passagem pelas dunas ficámos presos e tentámos três vezes partir novamente, mas a embraiagem partiu. Penso que estava fragilizada depois da sessão em Málaga, onde fomos obrigados a atravessar a multidão ao longo de um quilómetro, em que tivemos que a utilizar continuamente. Tivemos que parar depois deste problema para mudar a embraiagem e isso custou-nos 25 minutos no final. É pena porque tÃnhamos começado muito bem. Ultrapassámos o Carlos Sainz e o Giniel De Villiers, estava tudo a correr muito bem. Se pensar na vitória, admito que este cenário não seja o melhor. Mas ao mesmo tempo desde há três anos que as coisas correm assim. E de cada vez ficámos a sempre a uns vinte minutos da concorrência em Marrocos. Por isso penso que não é preciso entrar em pânico.
Giniel De Villiers (AFS – Volkswagen – 5°)
É sempre difÃcil partir em primeiro. Correu tudo bem nos 100 primeiros quilómetros. Entrámos então numa zona com muita vegetação, uma passagem obrigatória com um WPM e ficámos parados. Foi em seguida necessário parar três vezes para tirar ervas do radiador. Teremos perdido cerca de 5’. A tabela geral não é de momento muito importante. Não se pode conseguir grandes diferenças. O mais importante é não perder tempo.
Joan « Nani » Roma (ESP – Mitsubishi – 4°)
Passámos um longo perÃodo a seguir o trilho deixado por Schlesser, não foi fácil, tivemos que acompanhar o ritmo. Mas tudo correu bem à excepção de dois ou três pequenos erros de navegação sem grandes consequências. Agora temos que ver o que fazer dia a dia. A etapa de amanhã não é fácil, mas vai ser na Mauritânia que as coisas se vão complicar. Por agora o nosso atraso em relação à Volkswagen não é grande. Tudo é relativo porque daqui a pouco tempo surgirão hipóteses de aumentar as diferenças de forma significativa. No que me toca, penso que está tudo muito parecido com o ano passado.