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etapa 4 - terça-feira 9 de Janeiro de 2007 | Er Rachidia - Ouarzazate

  • Ligação  96 km
  • Especial 405 km
  • Ligação 178 km
  • Total  679 km

Os concorrentes Portugueses

- CARLOS SOUSA REFORÇA TERCEIRA POSIÇÃO



Ao estabelecer o segundo melhor tempo na quarta etapa, onde se colocou imediatamente após o buggy do francês Jean-Louis Schlesser, Carlos Sousa reforçou significativamente a terceira posição, passando a dispor de um avanço de sete minutos de 44 segundos sobre Joan Roma. O piloto catalão é agora o melhor representante da formação oficial da Mitsubishi, enquanto que os lugares de honra permanecem dominados pelos Volkswagen Race Touareg 2 de Carlos Sainz e Giniel de Villiers – que à chegada a Ouarzazate, no termo da quarta etapa, estão separados entre si por um minuto e 55 segundos; por sua vez, Carlos Sousa, que ostenta as cores do Team Lagos, reduziu um par de minutos ao atraso que leva sobre o sul-africano da Volkswagen, para fixar em dois minutos e 25 segundos a diferença face a Villiers.


“Esta foi a primeira etapa verdadeiramente duraâ€, considera Carlos Sousa. “Para além de ter uma distância considerável, os 405 quilómetros do sector selectivo eram bastante diversificados, alternando pistas duras e pedregosas com passagens rápidas e até mesmo as primeiras dunas de areiaâ€, explicou o piloto português, que sublinha: “Para quem não tem a experiência de correr em Ãfrica e de ter alinhado em edições anteriores desta prova, esta etapa é um teste muito exigente. No meu caso, porém, não tive surpresasâ€. Nem surpresas, nem dificuldades, salvo as que encontrou “para ultrapassar o norte-americano Mark Miller, que não facilitou absolutamente nada a minha progressão, fazendo-me perder algum tempo precioso atrás deleâ€.
De qualquer modo, para Carlos Sousa, o balanço desta tirada “é positivo, na medida em que fui novamente o mais rápido ao volante de um Volkswagen e pude reforçar o terceiro postoâ€.


Cerca das 17 horas, apenas seis dos catorze concorrentes portugueses que estão a disputar o Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 tinham conseguido completar o sector selectivo de 405 quilómetros incluído nos 679 km do percurso entre Er Rachidia e Ouarzazate. Para além de Carlos Sousa, registava-se a chegada do Nissan Proto de Miguel Barbosa e Miguel Ramalho, que voltaram a conhecer problemas e a atrasar-se na classificação (desceram do 21º para o 27º), assim como do Mitsubishi Pajero Di-D de Francisco Inocêncio e Paulo Fiúza, que caíram também alguns posições (estavam no 34º lugar e agora ocupam o 39º posto). Ao contrário destes últimos as três restantes equipas portuguesas que a esta hora já tinham alcançado o controlo final evidenciaram uma recuperação: os irmãos Rodrigo e Duarte Amaral (Bowler Wildcat 200) conseguiram ascender à 60ª posição, melhorando dois lugares, enquanto que as duplas Bernardo Vilar/Pedro Gameiro (Nissan Patrol GR) e Nuno Inocêncio/Jaime Santos (Mitsubishi Pajero Di-D), confiam ter igualmente “recuperado um punhado de posições, mas só poderemos fazer um balanço concreto quando todos os concorrentes terminarem a etapa, uma vez que já contávamos com um atraso muito grandeâ€, referiu o piloto do Red Line Off-Road Team, que reafirma a dureza desta etapa, já manifestada por Carlos Sousa:


“Foi uma jornada extenuante e podia ter corrido melhor, pois tivemos um ligeiro acidente, que deixou a carroçaria do Mitsubishi amachucada e nos obrigou a perder ainda mais tempo para conseguirmos desentalar um roda, que tinha ficado presa na chapaâ€. Apesar deste percalço, Nuno Inocêncio não desanima: “Felizmente, este incidente não provocou danos de maior, pelo que podemos continuar a encarar a prova com confiançaâ€.

- DURO TESTE PARA OS "MOTARDS" PORTUGUESES

Hélder Rodrigues (Yamaha) voltou a ser o melhor motard português nos 405 km de especial da quarta etapa do Euromilhões Lisboa-Dakar, uma tirada com um total de 679 km, que levou a caravana de Er Rachidia a Ouarzazate e que marcou o início de uma etapa maratona que ficará, amanhã, concluída em Tan Tan.


Num terreno muito difícil, especialmente no que dizia respeito à navegação, Hélder Rodrigues assinou o 15º tempo na etapa, a 45.19 minutos do vencedor, o espanhol, Marc Coma (KTM), o que lhe valeu a descida do sexto para o 12º lugar da geral.


Por seu lado, Paulo Gonçalves (Honda), que após a terceira etapa ocupava o 23º posto, subiu para 20º, após o 19º tempo na especial de hoje. Sem andar tão depressa como Paulo Gonçalves, Pedro Oliveira (Yamaha), que rodou juntamente com o seu companheiro de equipa, Pedro Bianchi Prata (Yamaha) protagonizou o “salto†do dia na classificação. Ganhou 14 lugares, passando para 24, depois de ter terminado o sector selectivo em 22º. Bianchi Prata terminou logo a seguir, em 23º, e deu um “salto†ainda maior, mas para uma posição mais modesta, já que as penalizações acumuladas o haviam relevado para os “fundos†da tabela. No entanto, os resultados começam agora a aparecer e Pedro ganhou 30 lugares de uma assentada, passando para a 42ª posição da geral.


Ruben Faria (Yamaha) conseguiu o 28º lugar na especial, mas as coisas não estão, de facto, a correr da melhor maneira para os pilotos do Team SPEdakar. Depois dos problemas do dia anterior, com a queda, o motor partido e a penalização, Ruben empenhou-se ao máximo, mas o cansaço e o ingrato da situação de o primeiro líder se ver relevado para a actual 158º lugar, fizeram-se sentir.
Já Nuno Mateus (KTM), 34º na etapa e 38º na geral debateu-se com imensos problemas no GPS... muito agravados pelo facto de ter perdido o road-book. E como se encontra em plena etapa-maratona, não terá outra hipótese, amanhã, senão seguir “a reboque†de alguém. O pior para a equipa algarvia acabou por ser a confirmação da desistência de Ricardo Pina, que acordou com o punho muito inchado, indício que acabaria por se revelar numa fractura impeditiva da sua continuação.


O estreante João Nazareth (Yamaha) é que continua a dar boa conta de si, até porque não é nada fácil, nestas condições, levar o Quad a lutar por posições disputadas pelas motos convencionais. Fez o 89º tempo na etapa e ocupa um confortável 67º lugar na geral, enquanto Carlos Ala (KTM), 121º na etapa e 91º na geral, não esconde que está bem mais preocupado em garantir que chega a Dakar, que em arriscar essa hipótese por um ou dois lugares melhores. Mais rápido que Carlos Ala nesta etapa, o quad Yamaha de António Ventura ocupa agora o 170º posto, que reflecte o enorme atraso averbado na anterior anterior, que completou juntamente com José Henriques Carvalho (KTM). Quanto a este estreante, que se propôs cumprir a prova em homenagem ao filho desaparecido, regressando à competição após 15 anos de ausência, continuava ainda no troço às 22 horas.

- PRIMEIRAS DESILUSÕES ENTRE OS PORTUGUESES



A quarta etapa ficou assinalada pelos primeiros abandonos entre o contingente português: Ricardo Pina (KTM) e a dupla Adélio Machado/Jean-Louis Dronne (Toyota Land Cruiser) deixaram de integrar a caravana do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007, reduzindo para 25 o número de equipas nacionais que permanecem em prova.

Ricardo Pina (KTM) não chegou sequer a partir de Er Rachidia, renunciando devido à fractura de um punho, após uma queda sofrida na véspera. “Ter de desistir foi uma grande desilusão, mas não tinha, de facto, condições para prosseguir em prova, pois nem sequer conseguia segurar na motoâ€, contou o piloto algarvio que, recorde-se, tinha saído de Lisboa ainda bastante debilitado por uma queda ocorrida enquanto procedia a uma sessão de treino.

Por sua vez, Adélio Machado desistiu a meio da etapa com um triângulo da suspensão do Toyota Land Cruiser partido, mas não sem antes ter sido protagonista de um acidente, que obrigou à evacuação do seu navegador. “Demos uma pancada muito violenta num buraco e o Jean-Louis Dronne acusou imediatamente que não tinha ficado bem. Accionei a baliza de emergência e em pouco tempo surgiu um helicóptero da organização transportando uma equipa médica, que evacuou o meu companheiro para o hospitalâ€, explicou Adélio Machado. Como um azar nunca vem só, ao prosseguir sozinho em direcção ao final da etapa – para não abandonar o carro, embora rodasse já sem estar incluído na classificação – a suspensão dianteira cedeu e o piloto acabou mesmo por ter de ficar longas horas na pista a aguardar pela passagem dos camiões de assistência da Toyota France.

- ELISABETE JACINTO EM EXCELENTE FORMA

A única "camionista" portuguesa evidenciou estar em excelente forma ao cumprir a quarta etapa "sem dificuldades", conforme sublinhou. Elisabete Jacinto levou o seu novo MAN M2000 a estabelecer a 35ª marca nos 405 quilómetros do sector selectivo, conseguindo deste modo melhorar sete posições em termos absolutos. "A etapa era muito dura, mas também muito variada", explicou a piloto, adiantando que "tivémos um primeiro contacto com as dunas de areia e essa sensação de chegar ao deserto agradou-me particularmente." As dunas são, aliás, o terreno preferido da piloto portuguesa, que este ano segue acompanhada por um novo navegador, Ãlvaro Velhinho, mas também pelo "mecânico de bordo" de sempre, o veterano Rui Porêlo. Registe-se que Jacinto conta já com um atraso de 6h.10m.35s. sobre o Kamaz do comandante, o russo Vladimir Tchaguine, que voltou a ser o mais rápido, ganhando a terceira etapa consecutiva em quatro cumpridas. Mais de metade do atraso que separa Jacinto do líder foi perdido nesta jornada: a portuguesa demorou mais 3h.29m.28s. que o mais rápido. Convém salientar que, ao contrário do MAN M2000 de Elisabete Jacinto, o Kamaz de Tchaguine é um protótipo, capaz de bater-se com os mais rápidos de qualquer categoria. Por exemplo, o tempo que o russo registou na quarta etapa tê-lo-ía colocado em sétimo das motos, ou em 19º dos automóveis!...