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etapa 3 - segunda-feira 8 de Janeiro de 2007 | Nador - Er Rachidia

  • Ligação 205 km
  • Especial 252 km
  • Ligação 191 km
  • Total  648 km

A rota do dia

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“MOTARDS†TIVERAM SORTES DIFERENTES AO ENTRAR EM ÃFRICA



A entrada em Ãfrica revelou sortes diferentes para os “motards†portugueses. Ninguém ficou pelo caminho, é certo, mas a dureza dos 252 quilómetros do primeiro dos três sectores selectivos que serão cumpridos em Marrocos fez-se sentir nas mecânicas e no cansaço que, invariavelmente, todos acusavam ao chegar a Er Rachidia, volvidos 649 quilómetros sobre a largada do porto de Nador, onde a caravana desembarcou de madrugada.


E se à partida desta terceira etapa a classificação das motos era comandada por um par de pilotos nacionais, depois de concluído o percurso o panorama era outro: Hélder Rodrigues (Yamaha) não conseguiu ir alem do 23º posto na etapa e trocou a liderança pelo sexto lugar absoluto, passando a dispor de um atraso de 13m.57s. sobre o espanhol Isidre Esteve Pujol (KTM), que lhe sucedeu na primazia, enquanto que Ruben Faria (Yamaha), que era o segundo classificado, ficou imobilizado a cerca de seis dezenas de quilómetros da chegada do sector selectivo, com o motor da sua Yamaha partido. Tal como na segunda etapa, Ruben foi vitima de uma queda, que desta feita deixou a sua moto algo afectada; a quebra do motor foi uma das várias consequências dessa queda e impediu o piloto algarvio de concluir o troço cronometrado. A continuidade de Ruben Faria em prova não estava ainda confirmada pelas 22 horas e dependia apenas do piloto conseguir alcançar o controlo final. Certo, no entanto, é que se o fizer, o primeiro comandante em motos do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 passará a ocupar a última posição, tamanho o atraso que averba na terceira etapa...


Entre Nador e Er Rachidia, coube a Nuno Mateus (KTM), um dos companheiros de equipa de Ruben Faria, estabelecer a melhor marca entre os onze “motards†portugueses. Mateus foi o 19º em termos absolutos e graças a este resultado recuperou de uma assentada 78 posições, passando a ocupar o 50º lugar; este era o penúltimo dos pilotos nacionais, mas agora é o quarto, logo atrás de Hélder Rodrigues, Paulo Gonçalves (Honda), que desceu uma posição em termos gerais, trocando o 22º pelo 23º lugar, e ainda de Pedro Oliveira (Yamaha), que está em 40º e melhorou 13 lugares desde a etapa anterior. Bastante mais expressiva foi a progressão de Ricardo Pina (KTM), que começa finalmente a ultrapassar as limitações fisícas que condicionaram o seu desempenho na fase de arranque – recordamos que recupera de uma queda sofrida em treinos. Apesar de ter caído nesta etapa, Pina não foi afectado com este incidente e concluiu a “especial†na 55ª posição, ascendendo ao 72º absoluto, o qaue traduz uma melhoria de 41 lugares! Ironicamente, foi exactamente esse o número de posições – 41 – que Pedro Bianchi Prata (Yamaha) perdeu na terceira etapa, onde embora tenha sido o 39º mais rápido das motos, sofreu 45 minutos de penalização que o remeteram para um modesto 75º lugar. Na posição seguinte encontra-se outro português: Carlos Ala (KTM), que conseguiu melhorar 14 lugares ao chegar a Ãfrica.


Para os homens dos quads, esta jornada teve desfechos perfeitamente distintos: assim, enquanto que João Nazareth (Yamaha YFM 700R) conseguiu ultrapassar sem dificuldades os 252 quilómetros poeirentos e pedregosos da interminável subida do Atlas até ao planalto de Er Rachidia, logrando mesmo subir um lugar na classificação – ocupa agora o 52º lugar – já o seu parceiro de equipa, António Ventura (Yamaha YFM 700R) viveu uma jornada plena de complicações. Um pneu furado obrigou Ventura a uma demorada paragem para fazer por si próprio a reparação em plena pista, averbando um dos últimos lugares da etapa: foi 230º, entre 233 concorrentes que se classificaram, o que implicou descer 64 lugares, para passar a ocupar o 192º posto absoluto.


Na última posição – considerando os onze “motards†nacionais – segue José Henrique Carvalho (KTM), que está colocado no 229º lugar. “Foi uma jornada para não esquecerâ€, afirmou Carvalho, para quem tratou-se “da estreia em Ãfrica, da primeira vez que usei um GPS, da primeira que tive de ler um “road-bookâ€, para já não dizer que nunca tinha conduzido uma moto tantos quilómetros sozinhoâ€. Sempre com um espírito animado, este veterano, de 48 anos, lembra que “já se passaram três dias†e remata que “Dakar está cada vez mais perto! Reduzir a distancia um dia atrás do outro é o meu objectivo e se conseguir chegar lá, será uma vitória.â€

AUTOMÓVEIS: PORTUGUESES NA TERCEIRA ETAPA

Carlos Sousa/Andreas Schulz - Volswagen Race Touareg 2 ( 6º/3º): “O ano passado, por esta altura, estávamos numa posição bem mais desconfortável. Hoje, estamos mais próximos dos líderes e o nosso andamento está ao mesmo nível, o que nos deixa bastante motivados.Não sentimos qualquer problema, a não ser a dificuldade em ultrapassar o Guerlain Chicherit. Ele não facilitou e demorámos muito tempo até o conseguirmos ultrapassar, o que nos fez perder imenso tempo. Caso contrário, penso que estaríamos melhor posicionados. O carro está impecável. Se assim se mantiver tudo o resto irá depender de nósâ€.


Miguel Barbosa/Miguel Ramalho - Nissan Proto (38º/21º): “Está a acontecer-nos de tudo. Ficar sem tracção traseira logo após cinco quilómetros de especial, deixa qualquer um desanimado. Não havia nada que pudéssemos fazer. Viemos devagar até ao final. Resta-nos acreditar que na assistência o problema fique resolvido e este tipo de situações não voltem a acontecer. Ainda não está tudo perdido. Estamos no início da prova e ainda há muito caminho a percorrer. Acredito que as coisas vão melhorarâ€.


Francisco Inocêncio/Paulo Fiuza – Mitsubishi Pajero DiD (31º/55º): “Estou muito satisfeito, não só com a minha prestação, mas por ter os três carros da equipa todos bem posicionados e quase juntos para a etapa de amanhã. É muito bom podermos rolar na frente da prova, porque é também uma garantia de que, se tudo correr bem, iremos chegar cedo ao bivouac. Imprimi uma toada rápida, mas muito regular e cautelosa, para evitar acidentes de percursoâ€.


Ricardo Leal dos Santos – Mitsubishi Pajero DiD (67º/46º): “Já sabia que esta era uma etapa muito manhosa. Muitas mudanças de direcção, muitas valas, pedra por todos os lados. Era uma etapa óptima para se fazer asneira. Por isso, tive muita cautela e abrandei o ritmo. Em Marrocos vai ter ser, por vezes, assim. Estou muito satisfeito por ter passado para a liderança, na etapa onde ir a ‘solo’ era altamente penalizador.Podia, inclusive, ter feito um pouco melhor, mas não gostei da forma como o carro estava afinado e parei três vezes para regular a suspensão e alterar a pressão dos pneusâ€.



Lino Carapeta/Ricardo Cortiçadas – Bowler Wildcat (82º/54º): “Desde cedo percebemos que era uma etapa cheia de ratoeiras e, nesse particular aspecto, tivemos bastante cuidado. Havia muitas valas e onde o road-book indicava perigo, era mesmo para ter atenção. No entanto, o pior foram as pedras. Furámos por duas vezes, a última das quais a 60 quilómetros do final e, a partir daí, sem mais nenhum pneu suplente fomos obrigados a reduzir drasticamente o andamentoâ€.


Rodrigo Amaral/Duarte Amaral – Bowler Wildcat (57º/62): “Foi uma tirada complicada, mas nada com que não estivessemos a contar. Havia muito pó no ar e também bastantes buracos. Felizmente não fomos surpreendidos por nenhuma ratoeira. O meu irmão esteve à altura da situação. Pela primeira vez foram postas à prova as nossas capacidades de orientação e, sob esse ponto de vista, o Duarte fez tudo direitinho, já que não nos enganamos uma única vez. O Bowler voltou a confirmar que é uma máquina adequada para o Dakar. Mesmo com o muito pó que apanhámos conseguimos fazer várias ultrapassagensâ€.


Adélio Machado/Jean-Louis Dronne – Toyota Land Cruiser (37º/74º): “ Foi demasiado duro. A maior parte da pista estava cheia de grandes calhaus, que causaram alguns estragos no escape do carro. Terminamos a etapa com a panela completamente amassada, o que impedia o carro de progredir. Chegámos mesmo a pensar que poderiamos ter um problema no turbo, mas felizmente foi apenas o escape. Devido às fortes pancadas no chassis acabámos também por romper um tubo do gasóleo, o que provocou uma fuga de combustível. Não é impossível vencer o agrupamento T2. Em três etapas já alcançámos duas vitórias, embora a partir deste ponto seja cada vez mais difícil para todosâ€.


Paulo Marques/Rui Benedi – Toyota Land Cruiser (92º/79º): “Não se pode dizer que esta fase inicial nos esteja a correr da melhor forma, mas a verdade é que em outros anos tem começado bem e depois surgiram problemas que nos hipotecaram um bom final. Por isso, se se verificar a ‘tradição’ de invertermos a prestação e os resultados com o desenrolar da prova... então não estaremos muito mal. Tivemos um problema com o Terratrip, que não funcionou correctamente ao longo do dia e isso obrigou-nos a navegar um pouco à vista e a perder tempo. Para além disso o Rui não se sentiu muito bem e tivemos de parar algumas vezes para vomitarâ€.

ELISABETE JACINTO MELHOROU DUAS POSIÇÕES



Único camião tripulado apenas por portugueses, o MAN M2000 de Elisabete Jacinto, Ãlvaro Velhinho e Rui Porêlo melhorou duas posições na classificação após a terceira etapa: a equipa ascendeu ao 40º posto absoluto, não obstante ter encarado esta tirada “com muita cautela, pois tratava-se de um percurso difícil, grande parte em montanha, onde não fazia sentido estarmos a arriscarâ€, referiu Elisabete Jacinto.

Para esta equipa, “o pó foi, de longe, a maior dificuldade†da terceira etapa: “Os camiões arrancaram com 30 segundos de intervalo entre si, pelo que a poeira nunca chegava a assentar e preferi subir o Atlas com alguma calma, do que andar a guiar às cegasâ€, explicou a piloto, que averbou o 55º posto na etapa, perdendo 1h.47m.02s. para o vencedor da jornada – Vladimir Tchaguine (Kamaz) – que passou também a ser o novo líder entre os “pesadosâ€.

CARAVANA ENFRENTA PRIMEIRA ETAPA DEMOLIDORA

Carlos Sousa (Volkswagen) perdeu a liderança da prova para Carlos Sainz (Volkwagen), mas cumpriu a primeira etapa marroquina de forma prudente, assinando o sexto tempo e garantindo o terceiro lugar da geral, uma posição que lhe permitirá gerir a presença entre as duas equipas de fábrica e alimentar o objectivo de alcançar uma classificação melhor que o sétimo lugar do ano passado.

Num cenário marcado por um solo muito duro e pedregoso, com muito pó a dificultar as ultrapassagens, o piloto do Lagos Team contou com uma máquina à altura das suas pretensões e apenas uma demorada ultrapassagem a Guerlain Chicherit (BMW) o impediu de se aproximar mais dos lugares da frente, tendo ficado a 5.36 minutos do vencedor da etapa, o sul-africano Giniel De Villiers (Volkswagen).

Tarefa mais complicada teve Miguel Barbosa (Nissan), que ficou sem tracção traseira logo no início dos 252 km da especial, terminando em 38º, apenas a quarta posição entre os portugueses. Francisco Inocêncio (Mitsubishi) foi o terceiro, entre os pilotos lusos (30º), atrás do seu irmão Nuno (Mitsubishi) (28º) e melhorou 21 lugares, ascendendo à 34ª posição da geral. Por seu lado, Nuno Inocêncio (que penalizou mais de 12 horas no primeiro dia), subiu para um ainda incómodo 161º lugar, deixando a posição de “lanterna vermelhaâ€.

Este lugar é agora preenchido pelo Nissan de Bernardo Vilar e Pedro Gameiro, que desceram para 168º, devido, também eles, a uma pesada penalização, que somou 19 horas.

Em franca ascensão está, por seu lado, Adélio Machado (Toyota), que pela segunda vez consecutiva foi o mais rápido entre os concorrentes do grupo T2. Em termos absolutos, Machado subiu do 108º para o 73º posto, cabendo-lhe o sétimo lugar entre os portugueses.

Ricardo Leal dos Santos (Mitsubishi) foi outro dos pilotos a quem esta etapa correu francamente bem, isolando-se como líder da classificação reservada aos pilotos que correm a solo. O ex-campeão do mundo de Quads, é o quarto melhor português, à frente dos Bowler Wildcat de Lino Carapeta e Rodrigo Amaral, que ocupam, respectivamente, os 54º e 62º lugares. Vítima de dois furos, Carapeta baixou uma dúzia de lugares, enquanto Amaral, que superou a etapa sem incidentes, melhorou 14 posições.

Paulo Marques (Toyota), com o seu navegador, Rui Benedi, em apuros (passou toda a etapa com problemas gástricos) e o Terratrip avariado terminou a etapa em 92º, mas nem por isso deixou de conseguir subir mais um furo na tabela, ocupando o 79º posto à chegada a Er Rachidia. Segue-se o Bowler de Nuno Ferreira, que melhorou igualmente um lugar (84º) e os Land Rover Defender 110 de Luís Ferreira e António Sousa, posicionados, respectivamente, em 116º e 120º.

Madalena Antas (Nissan), garantiu o 88º tempo na etapa, e ganhou mais cinco posições, subindo para 131º lugar, enquanto Mário Ferreira (Toyota), que ontem trocou o lugar do condutor com o seu navegador, José Carlos Sousa, subiu igualmente cinco posições, após chegar a Er Rachidia com o 101º tempo, ocupando agora a 147ª posição.

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