etapa 15 - domingo 21 de Janeiro de 2007 | Dakar - Dakar
- Ligação 36 km
- Especial 16 km
- Ligação 41 km
- Total 93 km
Filme da etapa
Despres e « Peter » voltam a servir-se e Stacey observa




132 motards, 109 equipas em automóvel e 69 camiões chegaram à capital senegalesa e terminaram o 29.º Dakar, cuja 15.ª e última etapa foi disputada nas margens do Lago Rosa. Janis Vinters, já vencedor de etapa em Nema, fez o melhor tempo do dia em motos, ao passo que Giniel de Villiers ganhou este ano a sua quarta etapa. Este último certame nas margens do Lago Rosa não alterou substancialmente a classificação geral: Cyril Despres ganha o seu segundo Dakar em motos e Stéphane Peterhansel tem agora um capital de três vitórias em automóveis. Em camiões, é uma nova cara que aparece no palmarés: Hans Stacey, num MAN, que pôs termo a uma série de vitórias dos Kamaz.
BALANÇO DA CATEGORIA MOTOS: Despres, a convicção vencedora
A corrida de motos foi muito animada pelos dois grandes favoritos anunciados no inÃcio da prova. Mas a segunda vitória de Cyril Despres no Dakar é o epÃlogo a uma série de reviravoltas mais ou menos imprevisÃveis. A estocada de Marc Coma no moral dos seus adversários nas duas primeiras etapas marroquinas está dentro de uma certa lógica. Dominador durante toda a temporada, o detentor do tÃtulo mostrou mais uma vez a amplitude do seu talento de piloto e instalou-se com autoridade como o homem a bater. O Catalão parecia ter causa ganha, dado o Cyril Despres ter sido duas vezes vÃtima de uma ruptura da caixa de velocidades e encontrar-se assim a cerca de uma hora do lÃder.
Na equipa KTM-Gauloises, Isidre Esteve e David Casteu deram continuidade às pretensões de Despres na luta contra o campeão do mundo. Mas nenhum deles conseguiu abalar a solidez do colosso, Esteve, por exemplo, pedeu imenso tempo com problemas de caixas de velocidade. Uma anomalia que foi detectada nas KTM 690 na etapa Atar - Tichit. Sendo assim, os esforços de Cyril Despres na luta por pequenos segundos dia após dia pareciam inúteis, a não ser que o destino obrigasse também Marc Coma a fazer uma especial em primeira velocidade.
Todavia, não foi um problema mecânico que excluiu Marc Coma da corrida. A dois dias da chegada a Senegal, o lÃder cometeu um erro de navegação no Km 35 da especial Kayes – Tambacounda, um curto perÃodo de angústia ou de dúvida por se encontrar perdido na floresta a mais de seis quilómetros da pista ideal e a sua moto ter partido desequilibrada por uma raÃz no chão. O voo do espanhol terminou contra uma árvore. Socorrido pelos médicos do rali, Coma - agora fora de perigo - teve que abandonar. Este abandono foi benéfico para Cyril Despres, cujas peripécias na edição de 2007 recordam a cada um de nós que o Dakar nunca termina antes da chegada ao Lago Rosa.
A seguir ao duplo vencedor (2005-2007), David Casteu, constantemente em emboscada, confirma no Dakar a regularidade que mostrou durante todo o ano: vice-campeão do mundo de rali raid, ficou também em segundo lugar na prova principal da disciplina, conservando in-extremis um avanço suficiente sobre Chris Blais, o americano, que é a nova estrela a cintlar no firmamento da disciplina. No Top 10 da classificação geral, a equipa KTM Repsol, que perdeu os seus três representantes no decurso da corrida, foi a grande ausente. As avarias em cascata incentivam os amadores, que se apresentam a sete na antecâmare da elite restrita e que se foram extremamente profÃcuos em cinco especiais deste ano (Faria, Rodrigues e Vinters duas vezes). Entre estes, o português Helder Rodrigues, 5-º lugar, obteve a vitória na categoria 450 cm3, à frente do restaurador corsa, Michel Marchini, e do triplo vencedor do enduro do Touquet, Thierry Bethys.
A classificação dos novatos do Dakar foi ganha pelo campeão da França de enduro e vencedor do Dakar enduro Challenge FFM, Fabien Planet, que fica em 12.º lugar na classificação geral. A competição feminina, animada pelas seis motard que partiram de Lisboa até a Tambacounda, foi dominada do princÃpio ao fim por Ludivine Puy, que obteve o 44.º lugar na geral.
A classificação especÃfica aos quads, que perdeu sete dos treze concorrentes que partiram em Lisboa, é dominada pelo checo Josef Machacek, 65.º da classificação geral em Dakar.
BALANÇO AUTOMÓVEIS: Peterhansel, sempre no topo
O veredicto final da corrida na categoria automóveis é como o refrão de uma canção conhecida: a Mitsubishi assina a sétima vitória consecutiva, queé a 12.ª da sua história no Dakar, com o seu piloto vedeta, Stéphane Peterhansel, a ganhar a sua terceira vitória em quatro rodas, somando assim um total de nove vitórias em toda a sua carreira! Para terminar este quadro, o detendor do tÃtulo, Luc Alphand, ofereceu outra vitória à Mitsubihsi e Hiroshi Masuoka termina o seu vigésimo Dakar em 5.º lugar.
O balanço é cruel para a concorrência, mas não revela nada da realidade da batalha que se travou nas pistas entre Lisboa e Dacar. A série triunfal da Mitsubishi é antes de mais atenuada pela ausência de qualquer vitória de etapa neste Dakar de 2007. Si este objectivo pode parecer secundário, a auséncia de vitórias dos Japoneses contrasta inexoravelmente com a abundância da Volkswagen, que amealhou dez vitórias de etapas num total de catorze: cinco para Carlos Sainz, quatro para Giniel de Villiers e uma para Carlos Sousa, piloto privado de um Race Touareg.
Os desempenhos da Volkswagen não impressionam os estatÃsticos que já não viam uma tal colecção desde as onze vitórias de etapa (em vinte possÃveis) de Jean-Louis Schlesser em 2001. Estas vitórias causaram graves preocupações à equipa Mitsubishi, que desde há muito tempo não tinha sofrido um tal destempero. No dia de descanso, a situação era muito incómoda, com os “vermelhos†distanciados a mais de vinte e cinco minutos dos “azuis†de De Villiers e Sainz. A inversão da tendência deve-se muito a um dia de desaire vivido pelos Volkswagen entre Tichit e Nema. Giniel de Villiers foi o primeiro a ter problemas, com os eu motor junto do Rochedo dos Elefantes. Pouco depois, Carlos Sainz foi bloqueado por problemas electrónicos, e imediatamente privado de qualquer pretensão à vitória final.
Herdando os dois primeiros lugares da classificação geral, Stéphane Peterhansel e Luc Alphand travaram uma luta interna pouco expressiva. Instruções de corrida ou não, os dois antigos vencedores recusaram a polÃtica do risco ao máximo seguida pelos VW. Sem se sentirem realmente ameaçados, os pilotos da marca de diamantes preferiram proteger-se contra um eventual sobressalto do buggy azul de Jean-Louis Schlesser, que termina o rali no pódio, com duas vitórias de etapa no seu mealheiro e a posição de primeiro veÃculo de duas rodas motrizes. A equipa BMW X-Raid, que tinha um papel de árbitro importante a desempenhar, coleccionou as desilusões: a queda fulgurante e rápida de Kleinschmidt, que já consedia 2h23 de atraso ao lÃder após duas etapas em Marrocos, as acrobacias que puseram um termo à s pretensões de Guerlain Chicherit, então 6.º da geral,e depois uma penalização que excluiu do Top 5, o concorrente Nasser Al Attiyah, único vencedor de uam etapa da equipa.
A classificação dos veÃculos de produção foi ganha pelo japonês Jun Mitsuhashi, 25.º na classificação geral, ao volante de um Toyota, mas com meia hora de avanço sobre Jean-Pierre Strugo (Nissan), numa competição onde os cinco primeiros ocuparam longamente um lugar na classificação que lhes permitia pretenderem ao tÃtulo.
BALANÇO CAMIÕES: Stacey resistiu
Após cinco anos de domÃnio Kamaz, durante os quais Vladimir Chagin obteve quatro vitórias, a corrida camiões passou por uma verdadeira renovação de elites. O Russo, que visava um 6.º sucesso, disse adeus à corrida na 5.ª etapa, em direcção de Tan Tan, após um grave acidente. Dois dias depois, os De Rooy, pai e filho, abandonaram o Dakar, vÃtimas de sérios problemas mecânicos nos GINAF. Grandes favoritos da categoria, deixavam o campo livre a Hans Stacey, já segundo da edição precedente. LÃder da geral no final da 5.ª etapa, o Holandês aumentou constantmente o seu avanço em relação ao segundo, Ilgizar Mardeev num Kamaz, até ao Lago Rosa. No fim do rali, Stacey venceu com um sensÃvel avanço de 3h10, ofercendo assim à MAN o seu primeiro sucesso no Dakar. Terceiro na sua primeira particpação no Dakar, ao volante de um camião Tatra, Ales Loprais, sobrinho do detentor do recorde de vitórias, Karel, tem um futuro risonho à sua frente.
À imagem de Loprais, vencedor da sua primeira especial em Tambacounda, três outros camionistas impuseram-se, pela primeira vez, em etapas do Dakar: os holandeses Wulfert Van Ginkel e Arjan Brouwer (2 vezes, enre as quais a última etapa no Lago Rosa) e o francês Philippe Jacquot, que pôs termo ao domÃnio holandês.