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etapa 14 - sábado 20 de Janeiro de 2007 | Tambacounda - Dakar

  • Ligação 124 km
  • Especial 225 km
  • Ligação 227 km
  • Total  576 km

A rota do dia

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HÉLDER RODRIGUES (5º LUGAR) ‘SUPERSTAR’ NAS MOTOS





Ao manter o 5º lugar absoluto e a liderança da Classe 450, Hélder Rodrigues está a um (pequeno) passo de assinar resultado e exibição de grande nível no ‘Lisbo-Dakar. Logo na segunda participação n mítica prova, o ‘motard’ de Alnargem do Bispo está prestes a ser o melhor português na 29ª edição da ‘clássica’, facto que por si só deixa antever brilhante futuro ao jovem piloto.


A Dakar, no final da penúltima etapa, chegou o ‘quinteto’ de «motards’ lusos que se manteve em prova, mau grado dificuldades e vicissitudes de vária ordem.
Na hora de começar a saborear o espectacular e prestigiante 5º lugar, mau grado faltar ainda cumprir a derradeira ‘especial’, de verdadeira consagração, curta extensão (16 km) e apoteose nas margens do célebre Lago Rosa, às portas de Dakar, Hélder Rodrigues referiu que “ ao longo do ano, trabalhámos muito para este ‘Dakar. Rodeei-me das pessoas certas e a equipa trabalhou muito. Sempre que podia, ia treinar, o desenvolvimento da moto correu da melhor forma e, por isso, este resultado é, acima de tudo, o prémio de um ano de trabalhoâ€, sublinhou o português melhor classificado em qualquer das três categorias.
Quanto ao futuro, Hélder Rodrigues confessou que “vamos tentar evoluir para chegar mais altoâ€.


Na etapa que ligou Tamabacounda à capital senegalês, com muita navegação nos 225 km da ’especial’, Paulo Gonçalves (Honda) foi o melhor português (7º), terminando a 11m 27s do brasileiro Jean de Azevedo (KTM). O piloto de Esposende foi, aliás, o único português a subir, ‘trepando’ duas posições até ao 23º lugar da ‘geral’. “Tenho consciência de que podia ter ido mais além, até mais perto do ‘top 10’. mas a queda e a gripe, logo no início, atrasaram-me, como foi tudo tão mau nessa fase, as coisas só podiam melhor a partir daí. De qualquer modo, estou motivado para voltarâ€, adiantou Paulo Gonçalves. Para o piloto nortenho, “o piro foram as ligações, verdadeiro ‘inferno’, pois o cansaço e o sono tornaram esses percursos muito dolorososâ€.


Para mais, na derradeira ligação, a 18 km do final, com o trânsito parado, Paulo Gonçalves estava ao lado do malogrado francês Eric Aubjoux (Yamaha), que tombou vitimado por doença súbita. O piloto nortenho, o primeiro a paerceber-se da situação, accionou mesmo a ‘baliza’ de emergência do gaulês, mas como não funcionasse, fez disparar a sua, alertando a organização para o ocorrido. Momentos que deixaram Paulo Gonçalves muito impressionado.


Apesar de não ter ido além do 47º na’geral’, Nuno Mateus (KTM) apenas desceu uma posição – 32º da ’geral’ – mas confessou, à chegada a Dakar, “estar muito contente. O ano passado tinha feito só metade da prova, pois desisti antes de Atar, e, desta feita, consegui chegar ao fimâ€, sublinhou o piloto algarvio, único da equipa ‘SPEDakar’ a terminar, pois Ricardo Pina e Ruben Faria ficaram pelo caminho.

Com estoicismo notável e grande espírito de aventura, cumprindo duas etapas sem pneus na roda traseira da sua Yamaha, “uma verdadeira loucura, mas sem ela não teria chegado ao finalâ€, Pedro Bianchi Parat não cabia em si de contente à chegada a Dakar. Depois de tudo o que passou, chegando a ser dado como desistente pela organização, Bianchi Prata foi 27º na penúltima tirada, garantindo o 104 lugar – perdeu uma posição em relação à véspera – entre 133 concorrentes classificados. “Fiz um grande esforço, mas valeu a pena o risco que corri, pois ganhei muita experiênciaâ€, salientou o piloto, ‘patrão’ da equipa que apoiou e deu assistência a Hélder Rodrigues.


Com desempenho muito regular, sem correr riscos, Carlos Ala assinou o 81º ‘crono’ na ‘especial’ e manteve o 75º lugar na ‘geral’, o que vale por dizer que nunca desistiu em três participações no ‘Dakar’, o que é relevante e enche de satisfação o piloto de Ãgueda, que regressou às competições após alguns anos de ausência.

CARLOS SOUSA A 45 SEGUNDOS DA VITÓRIA NOS AUTOMÓVEIS

Carlos Sousa (Volkswagen Race Touareg 2) ficou a apenas 45 segundos do objectivo (descomprometido) que assumira nesta fase final da prova. Nos 225 quilómetros da última “verdadeira†especial, no trajecto Tambacounda-Dakar, o piloto português, que voltou a contar com uma navegação impecável, por parte de Andy Schulz, passou pelo cauteloso líder da prova, Stéphane Peterhansel – que no ano passado perdeu, neste terreno, a hipótese de vencer – como um raio e apenas não rubricou o melhor tempo da etapa (era o mais rápido no CP1), porque o americano Mark Miller (Volkswagen Race Touareg 2) não lhe terá facilitado a ultrapassagem.

“Perdemos muito tempo até conseguir ultrapassar o Miller, quando estávamos a cerca de 50 km do final. Ficou assim arredada qualquer hipótese de vencer uma etapa em solo africano. Apesar de amanhã ainda haver uma classificativa, a realidade é que 16 km são muito pouco e não teria o mesmo significadoâ€, explicou Carlos Sousa que irá terminar a prova no sétimo lugar, pela terceira vez consecutiva.

No entanto, apesar das duas etapas, que o tiraram, irremediavelmente, de um lugar no pódio, o piloto de Almada avalia: “Este foi, em termos competitivos, o melhor Dakar que já realizei. O sétimo lugar não demonstra aquilo que fizemos em prova. Mesmo assim, andei sempre nos primeiros lugares e isso é muito importante em termos de motivação, e também de conforto, perante toda a estrutura que me apoiou

Miguel Barbosa/Miguel Ramalho (Nissan Proto) voltaram a carimbar, e com muita autoridade, o estatuto de segunda melhor equipa portuguesa. O piloto de Cascais arrancou, nesta etapa, o décimo tempo, à frente do líder da prova, Stéphane Peterhansel (Mitsubishi Pajero EVO) e a apenas oito minutos do vencedor da etapa, Carlos Sainz. O “score†deu ainda para descolar mais duas posições na classificação geral, subindo duas posições, para o 24º posto.

Insatisfeito (“poderíamos ter feito muito melhorâ€), devido “às classificativas iniciais, que deitaram tudo a perderâ€, Miguel Barbosa viu-se, no final desta etapa, obrigado a tecer largado elogio a Miguel Ramalho, já que o décimo lugar foi alcançado sem “Terratripâ€, que, avariado, dificultou ao máximo o trabalho do navegador. “O meu navegador fez um trabalho único e, se conseguimos este resultado, deve-se sobretudo a ele. Só lhe posso dar os parabéns e ficar feliz por ter a meu lado um companheiro tão profissionalâ€, sublinhou.

Miguel Ramalho, entretanto, embarcará de uma aventura para outra, já que, assim que terminar a epopeia africana, passará dos amenos 30 graus senegaleses, para os 30 abaixo de zero finlandeses, juntando-se a Armindo Araújo na prova de teste para o Mundial de Ralis (Produção), no Rali do Ãrtico.

Como habitualmente, Francisco Inocêncio/Mário Fiúza (Mitsubishi Pajero DiD) assumiram a defesa da terceira linha dos participantes portugueses. Foram 23º na etapa e ascenderam mais uma posição na geral, passando a figurar no 44º posto. “Foi uma especial engraçada. Rápida e técnica, bastante próxima das que encontramos nas nossas bajas do que as puras etapas de deserto. Senti-me bem e tentei andar depressa sem correr riscosâ€, explicou Francisco Inocêncio, responsável pela Red Line Off Road Team.

Nuno Ferreira/Nascimento Costa (Bowler Wildcat) não estiveram tão “performantes†como na etapa anterior, rubricaram apenas o 85º tempo na especial, mas mantiveram, folgadamente, o estatuto de quarta equipa nacional, mantendo o mesmo 62º posto, para onde haviam subido à chegada a Tambacounda.

Já Ricardo Leal dos Santos (Mitsubishi Pajero DiD), voltou a ser o mais rápido entre os concorrentes que competem a solo e, apesar das dificuldades provocadas pelo pó, que o obrigaram a parar várias vezes para se orientar, concluiu o sector selectivo num excelente 30º lugar. “Estou certo que alcancei um bom resultado, mas gostaria de ter feito melhor. Tive de passar por 13 carros e seis camiões em posições mais avançadas na corrida e não foi nada fácilâ€, garantiu, depois de ter subido mais duas posições na geral, de 72º para 70º.

Nuno Inocêncio/Jaime Santos (Mitsubishi Pajero DiD) lá continuaram a sua progressão, depois de terem sido relegados para o fim da tabela, pelos problemas mecânicos sentidos anteriormente. Subiram de 77º para 76º, numa especial em que Nuno sentiu “o carro um pouco instável†e salvaguardou o “objectivo de chegar a Dakarâ€. Com a meta à vista, foi melhor assim.

Por seu lado, Paulo Marques/Rui Benedi (Toyota Land Cruiser) seguiram a tendência da generalidade dos portugueses e transformaram o passeio final (comparado com as dificuldades sentidas anteriormente, na Mauritânia) em mais uma conquista. Ao terminarem o troço na 55ª posição, progrediram mais um posto na geral, chegando ao festivo percurso, no Lago Rosa, em 80º.

Com algum sofrimento, mas encantados pelo objectivo à vista, Luís Ferreira/Pedro Sereno, mesmo tendo descido uma posição face ao dia anterior, congratularam-se com o seu 101º lugar na especial, traduzindo num redondo 100º posto na geral. Teram chegado até aqui num Land Rover Defender 110, praticamente de série, não é um feito que possa ser encarado com ligeireza. E Luís Ferreira admite até “dificuldades acrescidas em trajectos demolidores†para os amadores, numa prova que, em relação à edição do ano passado, “apresentou menos areia e mais pisos duros, dificultando ainda mais a progressão dos concorrentes†nas suas condições.

Merece aplauso a prestação da equipa do Land Rover nº 458, tal como merece igualmente a aventura dos tripulantes do Toyota Land Cruiser nº 443, a dupla de pilotos/empresários Mário Ferreira/Carlos Sousa que, contra muitos índices estatísticos próprios da sua profissão, vão completar a prova com sucesso. “Muitas árvores, buracos, pó, muitas pessoasâ€, foram os riscos do dia para Mário Ferreira que, definitivamente na via da aventura, como “condimento de vidaâ€, se candidatou à terefa de ser o primeiro português no espaço, aderindo ao projecto de Richard Brandson na Virgin Galactic.

Com queixas, lamentos, explosões de adrenalina, o corpo muito dorido e a grande satisfação de terem resistido a uma competição que, definitivamente, “não é para meninosâ€, os “resistentes†portugueses preparam-se, agora, para um dia de festa e merecida jantarada em Dakar.

ELISABETE JACINTO EM GRANDE

Elisabete Jacinto/Ãlvaro Velhinho/Rui Pôrelo (MAN) assinalaram, com chave de ouro, a penúltima etapa da prova, ao conseguirem inscrever o seu MAN com o quarto tempo entre os camiões de série e o 16º tempo na classificação geral.
Ocupando um excelente 21º posto à geral, que no Lago Rosa dificilmente será alterado, a ex-professora de geografia, fez a especial “completamente ao ataque†e, aparte de alguns desentendimentos com outras equipas portuguesas ¬e órgãos de comunicação social – nomeadamente, por declarações alegadamente menos correctas, nesta fase final de prova – prepara-se para terminar a competição “ com a enorme alegria de ter feito “um Dakar quase perfeitoâ€.

“Evoluindo e conhecendo melhor a minha máquina, poderei encarar o Dakar 2008 com uma ainda maior ambição desportivaâ€, afirma a piloto que, ainda está a estudar a “melhor maneira de terminar este Dakar em belezaâ€.

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