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etapa 12 - quinta-feira 18 de Janeiro de 2007 | Ayoun - Kayes

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A rota do dia

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PAULO GONÇALVES E CARLOS SOUSA ATACARAM NAS PISTAS DA SAVANA

Ligando Ayoûn el-Atroûs, na Mauritânia, e Kayes, no Mali, a décima terceira etapa do Rali Euromilhões Lisboa-Dakar 2007 fez a caravana entrar, finalmente, nas pistas da savana. E ao mesmo tempo que o deserto ficou definitivamente para trás, os portugueses voltaram a estar em evidência: desta feita, o segundo lugar nas motos coube a Paulo Gonçalves (Honda), enquanto que nos automóveis a dupla Carlos Sousa/Andreas Schulz conseguiu obter a mesma posição.

Decorrendo num traçado bastante sinuoso entre árvores, poeirento e estreito, o sector selectivo desta etapa – que compreendeu 257 dos 484 quilómetros da jornada – revelou-se propício a um ataque dos pilotos portugueses, francamente habituados a rolar em pistas com alguma semelhança. Nas motos, porém, se Hélder Rodrigues (Yamaha) desejava estabelecer a terceira vitória, a verdade é que comprometeu essa ambição ao perder-se ainda na parte inicial do traçado, atrasou-se irremediavelmente, comprometendo inclusive o sexto posto absoluto, que ocupava à partida da etapa. Recorde-se que Rodrigues contava com apenas oito segundos de avanço sobre Isidre Esteve Pujol (KTM), que foi o vencedor da etapa, com mais de 22 minutos de avanço sobre o seu adversário português.

Embora tenha-se adiantado a Hélder Rodrigues, Isidre Esteve Pujol não se livrou de continuar a ser perseguido por um português, pois Paulo Gonçalves terminaria logo atrás, assegurando a segunda posição na etapa por uma diferença de 3m.03s. relativamente ao mais rápido. Na liderança, em termos absolutos, continua a KTM de Marc Coma, que soma quase 53 minutos de vantagem sobre o francês Cyril Desprès.

Assinale-se que ao estabelecer o segundo melhor tempo nesta tirada, Paulo Gonçalves conseguiu recuperar quatro lugares na classificação geral, onde passa a ocupar o 28º posto absoluto, contando com escassos minutos de atraso relativamente aos concorrentes que o antecedem.

“O facto de ter sido o décimo segundo a partir para esta etapa, arrancando para o sector selectivo com dois minutos de intervalo para a moto da frente, ajudou-me imenso a conseguir este resultadoâ€, referiu Paulo Gonçalves, que explica: “Por um lado, não estive sujeito ao pó dos concorrentes anteriores e, por outro, ao conseguir acompanhar os homens da frente, tornou-se mais fácil encontrar um bom ritmoâ€.

Na próxima etapa, a penúltima, Paulo Gonçalves aposta em repetir um brilharete, “tanto mais que serei o segundo na pista, logo atrás de Isidre Esteve Pujol, que é um excelente navegadorâ€. O piloto de Esposende conta, “pelo menos igualar o 25º lugar final do ano passadoâ€, embora reconheça que tem “capacidades para terminar entre os primeirosâ€, não fosse o enorme atraso averbado na Mauritânia...

Dos cinco “motards†portugueses que permanecem em prova, pelas 16h.30 restava apenas chegar a Kayes um deles: Pedro Bianchi Prata (Yamaha), que voltou a conhecer problemas e que a esta hora não tinha ainda sequer passado pelo primeiro controlo de passagem.


Nuno Mateus (KTM) registou o 36º lugar na etapa e recuperou quatro posições em termos absolutos, ascendendo a 31º, enquanto que Carlos Ala (KTM) ganhou meia-dúzia de posições, ocupando o 79º lugar absoluto, depois de ter sido o 52º mais rápido entre Ayoûn el-Atroûs e Kayes.

Nos automóveis, para alem do segundo posto absoluto de Carlos Sousa, registe-se que a Nissan Navara de Miguel Barbosa e Miguel Ramalho estabeleceu o 14º posto na etapa, conseguindo subir para o 28º lugar, o que representa uma melhoria de três posições.
"A etapa era muito exigente e difícil em termos de navegação", referiu o piloyto, acrescentando que "andámos perdidos nos 75 km finais".


Os irmãos Nuno e Francisco Inocêncio, por seu turno, voltaram a terminar quase em simultâneo com os seus Mitsubishi Pajero D-iD: colocaram-se no 37º e 38º lugares da etapa, estimando-se que consigam também recuperar algumas posições na classificação absoluta, que não estava ainda estabelecida pelas 16h.30. Aliás, a esta hora, somente havia registo de ter terminado mais outra formação portuguesa: Paulo Marques e Rui Benedi (Toyota Land Cruiser), que foram os 51º melhores na jornada.

DUREZA DEIXA MARCAS

Segundo Francisco Inocêncio deu conta, "perdemo-nos e induzimos os outros carros em erro. Foram sete minutos que nos poderiam ter dado um lugar no ’top’ 30", referiu Francisco Inocêncio, que ocupa a 48ª posição da ’geral’, posição mais ’confortável relação ao lugar (80º) ocupado pelo irmão Nuno Inocêncio.
Apesar do 51º lugar alcançado, "sem problemas" na etapa, Paulo Marques está no 84º lugar da ’geral’.
Um pouco mais tarde chegou, a solo, Ricardo Leal dos Santos (77º), depois de uma etapa difícil, “devido aos trilhos estarem muito cavados, cheios de regosâ€, sublinhou o conimbricense, particularmente, agastado com os pilotos dos camiões, pois “só abrandam quando estamos mesmo ao lado delesâ€. O piloto do Mitsubishi Pajero, depois de muitas ultrapassagens, acabou por deixar o motor ir abaixo na sequência de forte travagem e “lá se foram 15 minutos, pois tive de esperar por ajudaâ€, deu conta Ricardo Leal Santos, 73º da ‘geral’, empenhado em chegar a Dakar, a solo, pelo segundo ano consecutivo.


Com o 82º registo na tirada, Nuno Ferreira continuou a dar boa conta de si, apesar do estatuto de estreante, facto que valoriza o desempenho do piloto do Bowler, 63º na classificação.


Por seu turno, Luís Ferreira, com o 92º ‘crono’ na etapa, colocou o resistente Land Rover no 99º lugar da ‘geral,, no dia em que Mário Ferreira (Toyota) furou. Com o pensamento, naturalmente já em Dakar, o facto de a dupla de empresários ocupar o 106º lugar não traduz qualquer sentimento de frustração; pelo contrário, pois foram já muitas as adversidades superadas e as peripécias vividas nesta prova de emoções.


Nos camiões, Elisabete Jacinto, com o 27º lugar na etapa, acabou pró subir mais uma posição, situando-se agora na 21ª posição da ‘geral’, após uma etapa com um início “demasiado cauteloso, em que fiu surpreenida por alguns camiõesâ€.


A piloto do MAN reagiu e conseguiu terminar em bom pano, ficando cada vez mais perto do objectivo pretendido, ou seja, terminar no ‘top’ 20 mais esta participação em tão exigente prova.


Com a maioria dos portugueses ainda em prova a adoptar um andamento de ’compromisso’ para tentar concluir a prova, o ’motard’ Pedro Bianchi Prata (Yamaha) atrasou-se bastante, quando a prova vai entrar na recta final, com a entrada no Senegal.

CARAVANA PORTUGUESA REUNIDA EM KAYES

Está tudo bem quando acaba bem. A caravana das nove equipas portuguesas, em automóveis – integrando 17 pilotos e navegadores - que resistiram até à 12.ª etapa chegou completa a Kayes, no Mali. E o balanço do dia tem de se considerar extremamente positivo, mesmo pesando o desejo que todos os concorrentes lusos manifestam de quererem ir “um pouco mais alémâ€.

Das nove equipas, apenas duas não melhoraram na classificação geral: Ricardo Leal dos Santos (Mitsubishi Pajero DiD), que viu a sua prova a solo dificultada pelas ultrapassagens aos camiões, tendo passado mesmo por algumas situações complicadas e Carlos Sousa (Volkswagen Race Touareg 2), que mantendo a sétima posição da classificação geral, teve a meritória compensação de se ter afirmado como a “sombra†do ex-campeão do mundo de ralis, Carlos Sainz, “arrancando um brilhante segundo lugar na especial.

Miguel Barbosa/Miguel Ramalho que, como já vimos, garantiram o 14º tempo na etapa, progrediram três posições na geral, passando a ocupar a 28ª posição, enquanto Francisco Inocêncio/Mário Fiúza (Mitsubishi Pajero DiD) passaram de 50ª para 48º. Nuno Ferreira/Nascimento Costa (Bowler Wildcat) galgaram um degrau na classificação, passando para o 63º lugar e Nuno Inocêncio/Jaime Santos (Mitsubishi Pajero DiD) subiram de 83º para 80º

Paulo Marques/Rui Benedi (Toyota Land Cruiser) foram da 85ª para a 84ª posição e Luís Ferreira/Pedro Sereno, teimando em continuar em prova com o seu Land Rover Defender 110, praticamente de série, ultrapassaram a fasquia dos “centésimosâ€, ascendendo ao 99º lugar, depois de terem sido 103º, após a etapa Néma-Néma.

Por fim, os empresários/pilotos Mário Ferreira e Carlos Sousa (Toyota Land Cruiser) conseguiram terminar a etapa com o seu nome inscrito na classificação, à frente de mais três carros de tripulações francesas, tendo, inclusive, passado do 108º posto para o 106º lugar da classificação geral.

Poderia ser melhor. Mas, como balanço, nesta altura da prova e reconhecidas as dificuldades por que todos passaram nas etapas da Mauritânia… não está nada mal.

CARLOS SOUSA SÓ PENSA EM MELHORAR POSIÇÃO NA ETAPA

Carlos Sousa/Andreas Schulz - Volkswagen Race Touareg 2 (2º/7º); “Estou muito contente pelo resultado, que se deve sobretudo a uma navegação excelente por parte do Andy. Ele esteve ao seu melhor nível, mas não só. Os pilotos que partiram à minha frente tiveram também um papel importante neste resultado, pois, todos sem excepção, facilitaram as ultrapassagens, num sinal muito claro de desportivismo. O percurso era muito a meu gosto, mais ao estilo dos ralis que do todo-o-terreno. Fiquei particularmente satisfeito com a luta com o Carlos Sainz. Sou um seu admirador e agradou-me disputar com ele a luta pela vitória, mesmo que eu tenha saído derrotado. Neste momento, só penso em bons resultados nas etapas e, por isso, para amanhã, o meu objectivo é igualar ou melhorar a classificação de hojeâ€.

Miguel Barbosa/Miguel Ramalho - Nissan Proto – (14º/28º): “Neste tipo de especiais sinto-me mais à vontade do que propriamente na areia. E tudo estava a correr bem, sem qualquer tipo de problemas. O percurso era muito estreito e as ultrapassagens difíceis, mas lidámos muito bem com isso. Era uma etapa muito exigente e difícil em termos de navegação e, a certa altura, perdemo-nos, quando estávamos a 75 km do final. Andámos ali às voltas, até conseguirmos encontrar o caminho e, depois, foi novamente a fundo. Mas não evitei perder posições na etapa. No entanto, andámos muito melhor e isso deixa-me optimista. Penso que as próximas etapas poderão correr melhorâ€.

Francisco Inocêncio/Mário Fiuza – Mitsubishi pajero DiD - (37º/48º): “Estamos cada vez mais perto de conseguir o nosso objectivo, que é terminar a prova com todos os carros e com a nossa estrutura (Red Line) completa. Passámos por grandes dificuldades durante a etapa maratona, mas ultrapassada essa fase, aqui estamos para cumprir estas derradeiras especiais tentando o melhor resultado possível. Hoje, infelizmente, perdemo-nos e os outros dois carros foram por nós também induzidos em erro. Foram cerca de sete minutos, que nos poderiam ter dado um lugar no “top 30â€, mais de acordo com o tipo de andamento que julgamos ser o nossoâ€.

Paulo Marques/Rui Benedi – Toyota Land Cruiser – (52º/84º): “Conseguimos levar a cabo mais uma especial sem problemas. As maiores dificuldades foram mesmo as muitas ultrapassagens que tivemos de fazer pelo caminho. Felizmente já deixámos a areia para trás e entrámos em terreno mais firma, na savana africana, o que não deixa de ser bom, já que nos encontrava-mos no deserto há muito tempo. Ainda temos mais duas especiais relativamente longas pela frente. Mesmo trantando-se de pisos muito duros, ainda teremos a possibilidade de melhorar o resultado finalâ€.

Ricardo Leal dos Santos – Mitsubishi Pajero DiD - (77º/73º): “É incrível o estado da pista, depois de passar a maioria da caravana (RLS partiu na cauda do pelotão). Aquilo que deveria ser um traçado técnico e de excelente condução, estava completamente desfeito, cavado e cheio de rêgos. Apesar disso, a maior dificuldade encontrei-a na ultrapassagem dos camiões. Não facilitam nada e só abrandam quando estamos mesmo ao lado deles, se é que não fazem um ‘chega para lá’.Estou quase a atingir Dakar, onde sereio primeiro piloto, nos últimos dez anos, a terminar, por duas vezes, a prova a solo. Não quero correr riscos, mas não os posso evitar sempre que passo ao lado daqueles ‘elefantes’ (os camiões).

Mário Ferreira/José Carlos Sousa – Toyota Land Cruiser – (93º/106º): “Tudo estava em alerta no Mali e o exército, bem armado, permaneceu ao longo das estradas. Para além de um futo, que nos atrasou um pouco, foi sempre a andar, num percurso de alto risco, na savana e entre árvores, através de vias estreitas e com muitos buracos, onde o risco de atravessamento de pessoas e animais era constanteâ€.

Elisabete Jacinto/Ãlvaro Velhinho/Rui Pôrelo – MAN – (27º/20º): “Tal como havia previsto, a etapa tornou a vida dos pilotos de camião muito mais difícil. Os carros, que até há dois dias atrás, estavam mais atrasados, começam agora a passar por nós. A pista é entre árvores e o pó torna a visibilidade muito reduzida. No início da etapa fui demasiado cautelosa e passada por alguns camiões. Não querendo arriscar, mas percebendo que estava a exagerar, apliquei-me a fundo. Dei o meu melhor e voltei a passar por eles. Afinal, tudo correu bem e percebi que posso andar um pouco mais depressaâ€.

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