6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao
- Total connection 4309 km
- Total especial 3606 km
- Total 7915 km
Retratos
camion
André de Azevedo: « Manter-se no Top 5 »
A exemplo dos irmãos Marreau, que são dois mitos, o Dakar é frequentemente um assunto familiar. São inúmeras as equipas compostas por pai e filho, por marido e esposa ou por dois irmãos. Mas não é necessariamente obrigatório correr o Dakar no mesmo veÃculo para partilhar a aventura. O melhor exemplo é talvez o caso dos irmãos Azevedo, André, que é o mais velho, e o seu irmão Jean.
Apaixonado por motos desde a sua primeira corrida aos 14 anos, foi de moto que André de Azevedo correu o seu primeiro Dakar. No total, concorreu cinco vezes de moto, aureolado com um belÃssimo Top 10 em 1993 e, sobretudo, com uma taxa de sucesso de 100 %. Iniciador e guia do seu jovem irmão, André trocou a moto, em 1999, pelo volante de um camião, tornando-se rapidamente no segundo trunfo da Tatra, a seguir ao Checo Karel Loprais.
Logo na sua primeira participação em camião, o Brasileiro subiu ao pódio da categoria, repetindo a façanha quatro edições depois, terminando então em segundo lugar, a seguir a Tchaguine, o que constitui o seu melhor resultado no rali. Tendo obtido o 4.º lugar em 2006, Azevedo é este ano o piloto principal da Tatra, na sequência da partida para a reforma do detentor de vitórias na categoria, Karel Loprais: "Lamento a sua partida para a reformaâ€, explica André. “Foi sempre um colega de equipa simpático para comigo. Mas a sua partida não muda nada nos meus planos, porque eu sei que sou competitivo, embora os camiões DAF e Kamaz sejam grandes concorrentes. A minha ambição é permanecer no Top 5 ".
moto
Verhoeven: “A minha vida mudou!
Um talento puro e um coração de ouro! É com estes trunfos e uma reputação de grande resistente que Frans Verhoeven chegou ao Dakar em 2005. Duas semanas depois, este Holandês terminava a corrida em 16.º lugar, chamando assim a atenção da equipa KTM-Gauloises, decidida a reunir os concorrentes mais preciosos e os melhores pilotos para a edição de 2006, Cyril Despres e Isidre Esteve. Face aos contratempos e à s complicações contratuais, o caso foi adiado, dando assim tempo ao Frans para terminar o seu um segundo Dakar, travado por uma litania de problemas mecânicos na sua Yamaha, mas terminando, apesar disso, em 26.ª posição: “Tive muitos problemas neste Dakar, mas também pude mostrar a minha tenacidade. Estava na 104.ª posição no dia de descanso e terminei em 26.º lugar, e em 5.º lugar na última especial. Penso que isso despertou a atenção da KTMâ€.
Enquanto esperava notÃcias – ele é muito paciente - o Frans voltou à sua profissão de estucador de interiores “para poder continuar a alimentar a famÃlia", como ele diz.
No Verão de 2006, Heinz Kinigadner telefonou-lhe para lhe propor a missão de pendura do Cyril Despres no Dakar: “Perguntei-lhe três vezes, se isso era verdade. Estava tão contente. Isso mudou a minha vidaâ€. Com efeito, Frans arrumou rapidamente talochas e pincéis para se dedicar plenamente à moto, tendo o seu primeiro teste ao vivo no UAE Desert Challenge em Dubai: “Terminei em 6.º lugar e andei sempre perto de Cyril durante toda a corrida. Foi extraordinário! Cumpri perfeitamente a minha missão.†Eric Bernard, o chefe da equipa KTM–Gauloises, não tinha qualquer dúvida sobre a capacidade do novo membro da equipa. Corajoso, Verhoeven fala também correctamente o francês e distingue-se sobretudo pelas suas competências mecânicas, que podem ser muito úteis na pista. Em suma, é o pendura ideal.
auto
Hiroshi Masuoka: “O Dakar é toda a minha vida!â€
Hiroshi Masuoka é simultaneamente um piloto discreto e espectacular. Conhecido pelo seu instinto de atacante incansável, Masuoka manobra o paradoxo tão habilmente como o volante. Com efeito, apesar das suas disposições kamikaze que convêm raramente às modalidades de enduro, apresenta um dos CV mais regulares no Dakar. A figura emblemática da firma Mitsubishi no Japão efectuou a sua primeira corrida em todo-o-terreno em 1979 e participou no seu primeiro Dakar em 1987.
Em 1990, terminou no primeiro lugar na categoria T2 e, quatro anos depois, ficou em quarto lugar na classificação geral. Entre 1995 e 2000 terminou por seis vezes entre os dez primeiros, sendo que nestas seis edições ficou duas vezes em quarto lugar, em 1997 e 1998. Na temporada seguinte, obteve excelentes resultados com um Mitsubishi Pajero, sendo o seu grande momento em 2002, quando se tornou o segundo japonês a inscrever o seu nome no palmarés deste prestigioso rali, com a equipa Mitsubishi Motors. Hiroshi Masuoka venceu novamente o rali em 2003, além de ter também ganho a Baja Itália. Em 2004, o mais profÃcuo dos pilotos japoneses terminou uma extraordinária série de dez Dakar, sempre no Top 10, terminando na segunda posição atrás do seu companheiro de equipa, Stéphane Peterhansel.
Na última edição, o metrónomo da marca de diamantes abandonou pela primeira no Dakar num reino de quase quinze anos, devido a um problema de motor na décima etapa. Este ano, Masuoka regressa ainda mais forte com múltiplos argumentos para realizar um grande Dakar. A sua história pessoal comemorará mais um marco nesta corrida, dado festejar os seus 20 de Dakar. "É um aniversário muito excitante!", exprime-se ele, e acrescenta: "O Dakar é toda a minha vida". A motivação do Masuoka para o Dakar de 2007 será sem falha. Disso não há dúvidas.
Abla Lassoued: “Sinto muito orgulho pelas mulheres tunisinasâ€
Abla Lassoued é uma mulher pouco comum. Entre os seus múltiplos negócios
(agências de viagem, hotel, etc.), cultiva uma paixão Ãmpar pelo desporto mecânico.
Alguns poderão pensar que é uma fantasia de mulher moderna à cata de aventuras. Seria, no entanto, um erro e mostraria o quão mal conhecem a história da Abla Lassoued.
Em meados dos anos 90, a Tunisina começou a correr na competição de barcos off-shore. Nesse desporto fÃsico e violento, obteve excelentes resultados, e, entre outros, o 5.º lugar no campeonato de “off-shore power boat†em 2003, ou seja o mais elevado nÃvel internacional da modalidade. Esta jovem saboreou assim o prazer do desporto mecânico e nunca mais o abandonou.
O seu gosto pela velocidade realizou-se plenamente na prática do rali “raidâ€, e mais especialmente no rali da TunÃsia, que lhe serviu de porta de entrada nesse novo mundo: “Quando comecei a correr o rali da TunÃsia, descobri realmente o prazer da corrida no deserto. Logicamente, fiquei apaixonada pelo Dakar e fui uma das primeiras mulheres do Magrebe a participar nessa corrida. Adoro o espÃrito desta corrida, nomeadamente o facto de atravessar vários paÃses. Descobre-se tanta coisa, vê-se tanta gente e aprende-se todos os dias novas coisas. Além disso, é preciso ser resistente para ir até ao fim...â€
Esta demonstração de esforço, em cerca de 10 000 quilómetros, é também para Abla uma maneira de continuar a sua luta a favor da imagem da mulher tunisina, luta esta na qual ela se investe quotidianamente: “No Dakar, somos soberanos no nosso veÃculo. A mulher tunisina encontra-se igualmente nesta situação, sabe mostrar o seu valor e responsabilizar-se, e disso sinto-me muito orgulhosa.
Estou à cabeça de um clube de futebol feminino há dois anos, em Tunis. Organizamos competições ou jogos internacionais. É para mim um enorme prazer, porque vejo que estamos no bom caminhoâ€.
Após um ano de ausência no rali, a Abla Lassoued regressa ainda mais ambiciosa, ou seja, terminar entre os 20 primeiros concorrentes e promover a imagem da TunÃsia, cuja bandeira é içada em lugar de destaque na carroçaria do Mitsubishi que ela partilha com Amina Dak Douk.
Michel Turon-Barrère: « Um projecto com dimensão humana »
Michel Turon-Barrère e Jean-Marc Monbeig ainda não conduziram nas margens do Lago Rosa. Mesmo assim, já têm aà muitos amigos. Na sua primeira participação, os dois “Palois†abandonaram na sétima etapa. Foi uma grande decepção, mas a sensação de algo de inacabado foi compensada pela segunda parte da sua aposta. Como a aventura do Dakar não é unicamente desportiva para Michel e Jean-Marc, eles continuaram o percurso paralelamente à corrida até Bonaba Peul, uma aldeia próxima do Lago Rosa, para aà iniciarem uma acção a favor dos seus habitantes: “Reunimos todos os habitantes da aldeia que quisessem exprimir-se sobre a maneira como podÃamos ser-lhes úteis, dado que uma parte do nosso orçamento era-lhes destinada. Foram sobretudo as mulheres que se exprimiram e identificaram claramente duas necessidades: a construção de uma chapa para a construção de uma escola e a plantação de árvores para evitar a progressão das dunas em direcção da aldeia."
Os trabalhos foram assim financiados e iniciados pela equipa de Berna, que parte este ano com a esperança e o desejo de terminar a corrida, tanto por espÃrito desportivo como pelo desejo de verificar os trabalhos efectuados na aldeia Bonaba Peul: “O aspecto interessante desta acção é que o projecto é de dimensão humana. Inicialmente, estávamos interessados no fornecimento de aparelhos respiratórios, mas isso era muito mais complicado. Nesta acção, estamos totalmente envolvidos desde o inÃcio até ao fim, o que é extremamente concreto. É também uma acção na qual participam activamente os habitantes da aldeia, e isso agrada-nos imensoâ€, declara-nos Michel Turon-Barrère. Terminado o rali, a viagem que os dois cúmplices imaginaram para os seus convidados passará pela aldeia, seja qual for o resultado da corrida: “Desta vez, poderemos oficializar a construção da escola propriamente dita".