6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao
- Total connection 4309 km
- Total especial 3606 km
- Total 7915 km
Retratos
auto
Kleinschmidt: « Um profissionalismo e um ambiente excepcionais »
Jutta Kleinschmidt ficará na história do Dakar como a primeira mulher a igualar os homens na pista: foi a primeira a ganhar uma etapa em 1997, a primeira a liderar a prova e depois a subir ao pódio em Dakar em 1999 e – o que é o auge – a primeira mulher a ganhar o Dakar, em 2001. Uma progressão linear que ilustra cabalmente a sua determinação e uma vontade fora do comum da Alemã. Após ter sido a "pedra angular" da participação da Volkswagen em rali raid, defende este ano as cores da BMW. Um novo arranque que lhe permitirá reencontrar sensações e entusiasmo: «É uma estrutura menos importante, mas o profissionalismo e o ambiente são realmente excepcionais». No fundo, é como se começasse uma nova vida para a Jutta, que não tardou a reencontrar toda a sua capacidade e os bons ajustamentos com o novo X3. Um bom rali em Dubai, que ela terminou em 6.º lugar, permitiu-lhe mostrar toda a amplitude das possibilidades da sua nova máquina, que ela pôde ainda aperfeiçoar no primeiro fim-de-semana de Dezembro, numa última sessão de ensaios na Alemanha.
Isto insuflou um moral enorme nas ambições da Alemã. «Estou profundamente motivada», concede a corredora com toda a simplicidade. Jutta é um competidora e esta pequena frase mostra perfeitamente o seu estado de espÃrito. Uma das provas, se ainda fosse necessário demonstrar a sua vontade de se lançar na luta, é a presença de Tina Thörner à sua direita. Esta antiga companheira com quem terminou o Dakar de 1999 em 3.º lugar não hesitou em lançar-se na aventura toda entusiasmada: «Queria pôr termo à minha carreira após ter obtido o 2.º lugar no Dakar do ano passado com Giniel de Villiers. Mas Jutta veio buscar-me. Vamos reconstruir a nossa equipa de alguns anos atrás e isso é extraordinário.»
camion
Jan De Rooy: « O nosso objectivo é o pódio»
Jan De Rooy apreciará mais a sua estada em Portugal do que no ano passo, paÃs que ele pôde apenas antever. A sua chegada a Portugal para o Dakar 2006 acabou por ser um fracasso já esperado e numa partida tumultuosa quando a Federação Internacional recusou homologar os seus camiões azuis. O Holandês rolante e a sua equipa tiraram as ilações desse atentado falhado e aproveitaram o ano para resolver o problema de inconformidade dos seus camiões com o regulamento técnico. «É um novo Jan De Rooy que se apresenta na partida», admitiu o chefe de fila da famÃlia, acrescentando: «O incidente do ano passado está esquecido. Regressamos à prova para fazer algo». É, pois, uma equipa de novo conquistadora que participa no 29.º Dakar e com ambições bem claras: «O nosso objectivo é o pódio, seja pelo meu filho, seja por mim.», declarou Jan De Rooy. «Estamos contentes por termos voltado à corrida africana. Temos um super camião. Penso que não há um camião favorito, há vários que podem ganhar. Vai ser uma bela zaragata».
Com 64 anos, Jan De Rooy é o “Último dos Moicanos†no Dakar, um dos últimos da geração Sabine. O Neerlandês, proprietário de uma sociedade internacional de transporte, iniciou a sua participação no Dakar em 1981 e, desde então, a sua carreira tem sido uma sequência de sucessos e fracassos. Representando desde o inÃcio a sua marca nacional DAF, este empresário de Som teve uma ascensão constante para se impor, finalmente, em 1987. Uma vitória que ele teria alcançado no “scratch†à frente de todos os veÃculos se não tivesse sido penalizado dez horas por ter socorrido Vatanen, que foi finalmente o vencedor desse ano.
Todavia, foi mais a excentricidade dos seus veÃculos do que os seus sucessos na pista que deu o renome a Jan De Rooy, actualmente conhecido por “ Mad Maxâ€. Com os seus motores de turbo duplo, que debitam mais de 500 CV cada, duas caixas de oito velocidades de comando simultâneo e duas pontes de motor, os seus famosos DAF TurboTwin podiam competir em termos de velocidade com os automóveis mais velozes. Uma desmedida que o Holandês decidiu interromper retirando do rali toda sua equipa na sequência do acidente do seu protótipo em 1988, que custou a vida ao co-piloto. Um drama que Jan De Rooy levou 14 anos a esquecer, só voltando ao Dakar em 2002. O Jan, que só subiu uma vez ao pódio, é agora acompanhado pelo seu filho, Gerard, primeiro a seu lado e depois ao volante do seu próprio camião.
moto
David Frétigné: « Fazer uma corrida inteligente »
Naïm Suleymanoglu, 1,47 m, 50 recordes mundiais, triplo campeão olÃmpico de halterofilia. Kajsa Bergqvist, 1,75 m, detém o recorde do mundo de salto em altura em sala (2,08m) e é campeã do mundo da especialidade. O combate de David Frétigné é praticamente do mesmo tipo. Numa modalidade onde a mecânica é decisiva, este desportista optou pela dificuldade: correr mais depressa do que os outros com uma moto menos potente. Quando as KTM de Coma, de Despres e dos outros estão equipadas com motores de 660 cm3, é com uma Yamaha de 450 cm3 que o cidadão de Aveyron se lança no Dakar, cujo sucesso desde há três anos para cá todos conhecem.
David ficou em 5.º lugar na classificação geral final em 2005, mas teve uma corrida mais agitada e difÃcil em 2006, o que motiva fortemente este concorrente inato que tinha organizado um programa coerente para o Dakar 2007: «Tinha assinado um contrato com um parceiro espanhol, mas recebi um e-mail em Outubro a prevenir-me que não podia contar mais com ele. Fiquei completamente desorientado, mas era impossÃvel, para mim, cruzar os braços e ficar em casa em Janeiro. Em três semanas, consegui elaborar um projecto completo, e agora tenho garantias de poder partir em boas condições.»
Quando se fala de boas condições, fala-se de uma estrutura sólida de assistência, de parceiros fiáveis e de uma Yamaha de 450 cm3 na qual ele poderá confiar, apesar da diferença de calibre: «Teoricamente é impossÃvel ganhar com uma 450, mas eu penso mesmo assim subir ao pódio. Há sempre maneira de fazer uma corrida inteligente. Creio que as etapas sem assistência, por exemplo, exigirão muito esforço em termos de gestão e de estratégia. É nestas áreas que será necessário fazer a diferença». Eis uma filosofia à qual Naim, o Hércules de Bolso, teria certamente aderido no auge da sua carreira.
moto
Etienne, Régis e François Vulliet: « Correr juntos e terminar juntos »
Etienne, 40 anos, Régis, 38 anos, e François, 34 anos. Três irmãos da Alta Sabóia e um sonho de infância: o Dakar. «Tinha apenas 14 anos quando fui ver o embarque do Dakar em Marselha em 1 de Janeiro. Observámos os grandes “motards†do deserto, Cyril Neveu, Gaston Rahier... Foi deles que nos veio a paixão pelas motos e o gosto de se ultrapassar», conta o benjamim da famÃlia, François, chefe de empresa há 10 anos expatriado em Timisoara, na Roménia. No ano passado, François fez equipa com Roméo Dunca, o primeiro Romeno a participar no Dakar, e terminaram no 79.º lugar.
Este ano, para chegarem à meta final, os três irmãos formaram a sua própria equipa, a Pulse Compet. É a primeira vez que três irmãos participam juntos no rali. Além disso, nunca nenhum concorrente da Alta Sabóia conseguiu chegar ao Lago Rosa. Portanto, se pelo menos um do três irmãos chegar... Mas Etienne, o mais velho, prefere mostrar-se modesto: «Não definimos nenhum objectivo especÃfico em termos de classificação. Tudo o que queremos é correr juntos e terminar juntos».
De qualquer modo, o trio não entende deixar as coisas ao acaso. Em Outubro, os manos foram treinar durante uma semana em Ksar-Ghilane, na TunÃsia, no mais sariana dos oásis, situado à s portas do deserto. Sem electricidade, sem telefone, apenas uma fonte de água quente para a equipa tomar um banho reparador à noite. Etienne preparou um programa extremamente exigente: partida ao despontar do dia e regresso ao acampamento ao cair da noite, todos os dias. A ementa era composta por areia, areia e mais areia. Uma preparação ideal para a edição de 2007.
Etienne Vulliet já definiu bem a estratégia para a corrida: « Eu penso que o Dakar é uma corrida por eliminação. Sendo assim, é importante manter o seu próprio ritmo, sem excessos de confiança, tirando eventualmente partido das falsas manobras dos outros concorrentes para subir na hierarquia. No fundo, eu não vejo realmente o rali como uma corrida. O que me interessa no Dakar é o seu lado extremo, a adrenalina e a vontade de se ultrapassar a si mesmo. É uma aventura que devo partilhar com os meus irmãos». Etienne, Régis e Fabrice sonham chegar a Dakar juntos e entrar juntos na história lendária do rali.
auto
Miguel Jonchère: « Praticamos a cirurgia ambulatória »
No ano passado, Miguel Jonchère mudou de assento, abandonando o lugar de co-piloto para responder ao apelo dos pedais e do volante. A mudança agradou-lhe de tal maneira que, este ano, vai correr no mesmo lugar. Em contrapartida, Miguel Jonchère parte com um novo co-piloto: Bruno Seillet, que conseguiu terminar, no ano passado, o seu primeiro Dakar na 67.ª posição. Uma boa classificação final para a sua primeira participação. Apaixonado pela Ãfrica, Bruno Seillet coloca também o seu périplo africano ao serviço das duas associações humanitárias de que se ocupa: Entraide Sans Frontières - Entreajuda sem fronteiras (caravana médica) e AJIR Aventure (ajuda social à juventude).
«A Ãfrica é um continente ao qual estou extremamente apegado. Para além do Dakar, passo todos os anos duas semanas em Ãfrica com a associação Entraide Sans Frontières. Trata-se de uma caravana médica: temos médicos, enfermeiras e praticamos a cirurgia ambulatória», explica o Bruno. Este trabalho conta com a colaboração dos médicos locais que enviam os pacientes mais necessitados para a associação.
Paralelamente, Bruno Seillet, gerente de uma sociedade de serviços, aproveita a sua participação no Dakar para exercer uma outra actividade humanitária. « Trabalho para uma segunda associação cujo objectivo é mais social e orientado sobretudo para os jovens: a AJIR Aventure», explica o Bruno. «A associação colecta calçado, vestuário, etc. para distribuir nos paÃses africanos mais necessitados. Bruno Seillet viu nisso imediatamente uma possibilidade de ajudar as pessoas: «A AJIR aproveitou a minha participação no Dakar 2006 para observar os lugares mais abandonados, onde voltámos após o Dakar. E este ano vou aproveitar a minha presença no Dakar para fazer uma espécie de levantamento topográfico». É verdade que o Dakar permite-lhe passar por regiões abandonadas, longe das zonas turÃsticas que já podem contar com o contributo dos visitantes. «Passei por alguns lugares, em Ãfrica, onde as pessoas fogem e as crianças começam a chorar ao verem chegar a caravana. Será a esses lugares que procuraremos voltar».
Eis para o Bruno uma promessa que será cumprida. E depois concluiu com filosofia: «Passar aqui e ali é excelente, mas voltar a passar e ver como as coisas correm é ainda melhor».