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6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao

  • Total connection 4309 km
  • Total especial 3606 km
  • Total  7915 km

Retratos

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moto

Esteve Pujol: « Vimos cá para ganhar »

Isidre Esteve Pujol tinha acalentado enormes esperanças no ano 2006. Acabava de integrar a equipa Gauloises, após ter partido da KTM Repsol e de se apresentar no Dakar com grande ambição ao lado do líder da equipa e detentor do título, Cyril Despres. Mas uma queda grave na etapa Nouakchott-Kayes arruinou o seu Dakar. Evacuado nesse mesmo dia, Isidre regressou dois meses depois à competição e ganhou o rali da Tunísia.

Desde então, tem preparado a sua décima participação com todo o empenho e toda a seriedade que o caracterizam, ganhando, entretanto, a prova espanhola de referência, a Baja Espanha. Foi uma temporada marcada, para Isidre Esteve e toda a sua equipa, pelo desenvolvimento da nova KTM 660, a LC4. Um árduo trabalho colectivo efectuado em colaboração com a casa rival do seu adversário catalão Marc Coma. «Não há problemas de concorrência. Estamos de acordo com a filosofia da marca austríaca que consiste em associar as duas equipas para realizar a melhor moto possível e deixar os pilotos mostrarem desportivamente quanto valem», explica Isidre.

Isidre Esteve descreve a nova maravilha como uma máquina mais leve e mais robusta. É um engenho que lhe parece excelente para concretizar as ambições da equipa: «Vimos cá para ganhar», não hesita ele em afirmar. Este piloto que só abandonou duas vezes (2003 e 2006) e que construiu uma reputação de piloto de extrema regularidade (sempre classificado no Top 30) na mais apreciada prova dos ralis raid, regressa assim com um moral de ferro e a firme vontade de dar livre curso às suas disposições e à sua experiência. Aos 34 anos, está altamente preparado para o Dakar, prova que terminou em 4.º lugar em 2004. «Nunca trabalhamos tanto. Não há intervalos na nossa preparação». Também são do seu agrado as novas disposições regulamentares que, agora, não limitam a velocidade das motos nas zonas desérticas. Eis um terreno propício para a luta renhida que trava com Marc Coma. Será, sem dúvida, mais um elemento para animar a competição de motos, extremamente aberta, em 2007.

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auto

Peterhansel: « Antes de mais, é necessário vencer os outros »

Oito vezes vencedor do Dakar (seis vezes em moto, duas vezes em automóvel), Stéphane Peterhansel não está, no entanto, ao abrigo das armadilhas do rali. Na última edição, o "canibal" da prova cedeu o primeiro lugar da classificação geral a Luc Alphand, a quatro dias da chegada a Dacar, quando, na verdade, tinha conseguido ultrapassar com denodo o “lamaçal†mouro com um confortável avanço sobre os seus rivais, tirando partido do seu vasto conhecimento das dunas e da navegação. Tudo isto foi causado por um encadeamento de circunstâncias de corrida desfavoráveis e, finalmente, por uma árvore da floresta guineense que se encontrava espantosamente a tapar-lhe a passagem.

Privilégio da experiência, o "Peter" aborda com filosofia o Dakar de 2007, que anuncia já um novo duelo com o seu companheiro de equipa Luc Alphand: «Antes de mais, é necessário vencer os outros e, principalmente, a Volkswagen. Depois, a concorrência individual será mais natural. Cada um de nós sabe que outros também podem vencer, mas isso é sadio». Os dois grandes favoritos deste ano parecem dispor de um trunfo essencial para cumprirem a sua primeira missão com a nova versão do Mitsubishi Pajero Evo, nome de código MPR 13: «Não é uma revolução em relação ao do ano passado, que era verdadeiramente eficaz, mas com este ganha-se mais fiabilidade e dá mais prazer a conduzir. É mais equilibrado, sobretudo nas curvas, dado a passagem nas curvas poder ser feita mais rapidamente», exprime Peterhansel.

Jean-Paul Cottret, que acompanhou "Peter" nos seus dois sucessos em 2004 e 2005, vê também um interesse directo nas transformações efectuadas no Pajero Evo: «Fez-se tudo para adaptar melhor o habitáculo. Para um co-piloto, é realmente importante poder sentir-se integrado no automóvel, e eu sinto efectivamente uma evolução nesse domínio». A primeira experiência do MPR 13 em competição foi muito curta no UAE Desert Challenge: um erro de pilotagem quebrou a direcção assistida. Peterhansel e Cottret têm agora a oportunidade de reparar esse erro entre Lisboa e Dacar.

camion

Hans Stacey, o Holandês corajoso!

Portimão, Málaga, Er Rachidia, Ouarzazate, Tan Tan, Zouerat! Foram as seis primeiras etapas do Dakar 2006 dominadas pela mestria do Tsar. Vladimir Chagin ganhou tudo por onde passava e a concorrência parecia ter perdido completamente o pio.

Ao volante do seu camião, Hans Stacey não se deixou abater. Na sétima etapa, que incluía a terceira especial mais longa da edição – 499 quilómetros – conseguiu vencer em Atar. Como se o vento tivesse virado para a armada russa, Hans Stacey e os seus dois comparsas, Gotlib e Der Kinderen, tomaram o gosto à vitória e acabaram por terminar o 28.º Dakar em 2.º lugar, depois de terem ganho quatro etapas: Kayes, Bamako, Labé e Tambacounda.

Hans Stacey foi finalmente o único a disputar a dominação dos camiões Kamaz. Melhor ainda, intercalou-se entre Chagin e Kabirov na classificação geral, dando assim , sozinho, maior interesse à corrida de camiões que toda a gente pensava ter sido confiscado. Com este extraordinário Dakar, o Holandês voltou a dar esperança a numerosos amadores da modalidade no seu país e apresenta-se, este ano, com sólidas ambições. Não é de perder a luta russo-holandesa deste ano, que começará, sem duvida, mais cedo do que no ano passado.

auto

Ricardo Leal dos Santos (POR) : « O deserto merece-se! »

Na filosofia de Ricardo Leal dos Santos, o deserto é um terreno que se enfrenta a solo... Em 2000 e 2003, o piloto português, apaixonado por automóveis, correu o Dakar em quad, por não ter orçamento suficiente para montar um projecto 4X4. No primeiro ano, teve que abandonar em Bamako, mas na segunda participação terminou a prova, apesar de um terrível acidente. É-lhe difícil esconder a sua paixão pelo Dakar, como também as dificuldades que encontrou para poder participar: «Era ainda criança e já via o Dakar na televisão. Depois tornei-me num autêntico fanático do desporto mecânico, mas os orçamentos para correr o Dakar em automóvel eram demasiado avultados para mim. Depois de uma prática intensa de todo-o-terreno em Portugal, inscrevi-me, em 2000, no rali na categoria quad, por ser o veículo que mais se aparenta a um 4X4».

Há dois anos que este nativo de Lisboa consegue inscrever um veículo no rali. Em 2005, terminou, sem assistência, entre os 20 primeiros da prova, mas com um co-piloto. No ano passado, este agente imobiliário conseguiu uma proeza: conduzir sem co-piloto o seu Pajero até às margens do Lago Rosa... Em toda a história do Dakar, são menos de dez os pilotos que conseguiram vencer as dunas de Ãfrica, gerindo a navegação e a pilotagem em solitário. Este ano, Ricardo Leal dos Santos reparte no rali da mesma maneira tendo por objectivo ser o primeiro piloto a conseguir tal proeza duas vezes consecutivas. Este desafio em solitário obriga o piloto português a adaptar a sua condução e a prestar muita mais atenção a tudo o que ocorre em volta do seu veículo, sobretudo nas passagens difíceis. «Quando subo uma duna e resvalo do outro lado, era preferível sermos dois para ver tudo o que se passa em redor do veículo», confessa o piloto português. O trabalho a executar no seu Pajero durante as especiais é gigantesco, nomeadamente quando o automóvel fica preso na areia. O Português adora os desafios desportivos que constituem a história do Dakar, mas também a mentalidade herdada dos "antigos" que reina na prova: «O Dakar deve permanecer um desafio. É necessário aprender a conduzir rapidamente, respeitando sempre o deserto. Não quero trair o espírito desta corrida».

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Philippe Lecomte: « Fazer algo pela Ãfrica »

Philippe Lecomte sonhou muito com o Dakar. No dia em que decidiu consagrar-se à corrida, teve também que ajustar a sua maneira de viver com as suas ambições. «Emagreci trinta quilos num ano e deixei de fumar», explica o director-geral da sociedade financeira Schroders, sedeada em Londres. Na maneira de ver do Philippe, a coerência global do seu projecto deve-se coadunar com a realização de uma acção de envergadura: «Não posso imaginar inscrever-me no rali sem fazer algo pela Ãfrica. Logo que comecei a prepara-me, entrei em contacto com a A.S.O. e logo a seguir com a fundação SOS Sahel, que me elucidaram sobre os projectos que eu poderia empreender. Do contacto com numerosos parceiros importantes pude deduzir a possibilidade de levar avante uma acção de grande envergadura».

Philippe Lecomte pode, efectivamente, contar com uma rede de relações fiável. No Outono de 2006, tomou a iniciativa de organizar um sarau, com bilhete de entrada, no hotel Crillon, que é um dos seus parceiros, e cuja receita reverteria a favor de Actions Dakar: «Pensei reunir 250 pessoas, com um bilhete de entrada de 50 euros, e organizar vários sorteios, para os quais contava com a generosidade dos doadores». A mobilização dos convidados de marca ultrapassou aquilo que eu esperava, porque foram colectados, nesse sarau de gala e depois, cerca de 20 000 euros. Para Rémi Hemeryck, presidente da fundação SOS Sahel, a operação já é um sucesso: «Com este dinheiro, é possível empreender quatro ou cinco acções diferentes em meio rural ou urbano e uma acção concreta a favor da preservação do ambiente». A primeira aposta de Philippe Lecomte já está ganha. Só lhe falta agora chegar a Dacar.