6 de Janeiro de 2007 - 21 de Janeiro de 2007 | Lisboa > Portimao
- Total connection 4309 km
- Total especial 3606 km
- Total 7915 km
Retratos
Alphand: «Passei a ser um bom Africano»
Não conseguiu os OlÃmpicos, mas teve o Dakar. Passando da neve para a areia após uma primeira carreira desportiva já terminada com todas as honras, Luc Alphand não tinha planeado impor-se no mais prestigioso dos ralis raid, embora a sua apetência de competição não tenha diminuÃdo após ter ganho ouro e cristal nas pistas nevadas. Experiente, "Lucho" adaptou-se rapidamente aos longos esforços, começou por ganhar uma especial (2003) e foi suficientemente convincente para entrar para a prestigiosa equipa Mitsubishi, onde só os vencedores potenciais são frequentáveis. Em 2006, na sua oitava participação, respondeu plenamente à s expectativas salvando a firma de diamantes, ameaçada pela debandada guineense de Peterhansel. Com esta primeira vitória, Alphand foi definitivamente acolhido num clube muito restrito: «Teria podido sentir-me frustrado, por ser o único da equipa a não ter vencido», brinca o interessado.
Após a consagração de Janeiro, o resto do ano de 2007 deixou lembranças dolorosas no detentor do tÃtulo: «É simultaneamente a minha melhor temporada e a mais difÃcil. Ganhei três ralis raid (Dakar, Patagonie-Atacama, UAE Desert Challenge), fiz excelentes corridas em circuito (7.º nas 24 horas do Mans...), mas, por outro lado, tive um grave acidente no rali da TunÃsia, que me prostrou em inactividade durante seis meses, mas o mais doloroso foi termos perdido Henri Magne no rali de Marrocos. Como todos os outros membros da equipa, fiquei arrasado com esta notÃcia», explica o Luc.
Considerando que a melhor maneira de homenagear Henri Magne é ganhar o Dakar, a dupla Luc Alphand - Gilles Picard concentrou-se na preparação desta prova de Janeiro. O desafio será favorecido pela nova versão do Pajero Evolution, que acaba de sair das oficinas da Mitsubishi. Ainda mais fiável e mais eficaz, o MPR 13 agrada também ao co-piloto, que se sente mais à larga no seu posto de trabalho: «O automóvel progrediu em termos de conforto e de espaço e isso favorece a concentração. E o que se ganha em concentração traduz-se em ganhos de tempo». A demonstração de Picard é clara. Alphand, por sua vez, apoia-se na sua experiência doravante concludente: «Passei a ser um bom Africano».
As retratos ainda não estão disponíveis.
Jean-Louis Juchault: «Um acto moral e ao mesmo tempo de cidadania»
É praticamente o primeiro Dakar dos dois. Jean-Louis Juchault tentou a experiência num camião no ano passado. Ambos partem para a Aventura com um «A» maiúsculo, apaixonados pela natureza saÃda do betão das nossas cidades modernas, em busca do inesperado e de descobertas, longe da atmosfera ofegante.
Mas não é tudo. Aliás não é o essencial. Eis o momento tanto sonhado de poder deixar o individualismo ocidental em casa, eis a oportunidade de fazer uma acção que contribua para a colectividade. Jean-Louis Juchault e Xavier Rolet quiseram dar ao seu rali um sentido colectivo. Para isso entregaram a totalidade do dinheiro dos patrocÃnios do seu carro à associação Médicos Sem Fronteiras (MSF). «Tive sempre a possibilidade de financiar as minhas participações na prova, diz Jean-Louis Juchault. Hoje, gostaria de dar um pouco dessa "sorte" que sempre tive, contribuindo com acções que ajudem toda a colectividade. É um acto moral e ao mesmo tempo de cidadania».
Não se trata de "pozinhos" humanitários, nem de diletantismo caritativo, mas sim de um verdadeiro projecto levado a cabo por ambos de forma profissional desde há já alguns meses. A iniciativa culminou com a entrega à associação MSF, prémio Nobel da Paz em 1999, de um cheque de 180.000 euros. Xavier Rolet mostrou-se satisfeito e ao mesmo tempo afirmou não ser o único responsável pelo êxito do seu projecto: «A nossa iniciativa corresponde de perto à imagem do Dakar, um rali onde a noção de entreajuda corre nas veias desta prova. Esta vontade de ajudar está presente desde a génese da mitologia do Dakar e é por esta razão que o rali conseguiu atrair tantos patrocinadores que decidiram apoiar-nos».