Cara a cara
moto

Uma história simples
Rémi Bonjean (n° 170)
Rémi Bonjean é silencioso. É um homem tranquilo, um montanhês calmo, afeiçoado à simplicidade das pessoas de Isére, a sua terra natal. Todas as noites, quando chega ao acampamento, tira o capacete e deita-se calmamente para aliviar o seu corpo exausto das horas que passou montado na sua moto. No entanto, ele saboreia cada segundo da sua grande aventura, sem se preocupar com a sua classificação. “vi muitos motards ofuscados pelos resultados esgotarem-se para ultrapassar um concorrente classificado três minutos à sua frente e, depois, voltarem para casa duas etapas mais tarde. Tudo isso para ganhar um lugar…mesmo que fossem dois…isso não vale, de todo, a penaâ€. Por isso, desde a partida de Lisboa, ele corre ao seu ritmo. E por vezes, como aconteceu hoje, e por sorte à saÃda de um oued, encontrou o seu velho amigo Pascal Schandelmayer.
E a partir daà fizeram a pista juntos, como nos tempos dos seus primeiros raides africanos.â€Conhecemo-nos no raid da amizade. DescobrÃamos Ãfrica, os dois sozinhos , e ficámos com a mesma paixãoâ€, recorda Rémi. “E ainda hoje, passámos um momento fantástico. Afastámo-nos 500 metros da pista. Sozinhos, os dois, a fazermos o nosso próprio traçado, longe do fumo dos outros. Foi espantoso, um desses momentos que nos faz esquecer a fadiga e a confusão. É por causa de momentos como estes que participamos no Dakar.â€
Rémi avança ao seu ritmo, tranquilo e sereno. Esta noite, como sempre, ele vai deitar-se antes de anoitecer. Inspecciona cuidadosamente a sua moto, examina o desgaste dos pneus e suspira: “espero que eles aguentem até ao dia de descansoâ€. Depois de alguns acertos de rotina, ele abre, mais uma vez, a mala que abriga o seu universo, olha para a fotografia da mulher, que traz a sua filha ao colo, antes de lhe telefonar. “É um telefonema rápido, alguns minutos só para dizer que está tudo bem.†E depois Rémi vai dormir. Porque a chamada para a próxima partida, etapa TanTan-Zouerat, é à 1h00 da manhã. E ele aceita esse despertar, simplesmente, ao seu ritmo. Vai continuar a sonhar com o Lac Rose. Quando lhe perguntamos sobre o seu sonho que se aproxima ele sorri calmamente e responde, passando a mão pela cara: “É verdade que, até aqui, tudo correu bemâ€.
moto
Rémi Bonjean é silencioso. É um homem tranquilo, um montanhês calmo, afeiçoado à simplicidade das pessoas de Isére, a sua terra natal. Todas as noites, quando chega ao acampamento, tira o capacete e deita-se calmamente para aliviar o seu corpo exausto das horas que passou montado na sua moto. No entanto, ele saboreia cada segundo da sua grande aventura, sem se preocupar com a sua classificação. “vi muitos motards ofuscados pelos resultados esgotarem-se para ultrapassar um concorrente classificado três minutos à sua frente e, depois, voltarem para casa duas etapas mais tarde. Tudo isso para ganhar um lugar…mesmo que fossem dois…isso não vale, de todo, a penaâ€. Por isso, desde a partida de Lisboa, ele corre ao seu ritmo. E por vezes, como aconteceu hoje, e por sorte à saÃda de um oued, encontrou o seu velho amigo Pascal Schandelmayer.
E a partir daà fizeram a pista juntos, como nos tempos dos seus primeiros raides africanos.â€Conhecemo-nos no raid da amizade. DescobrÃamos Ãfrica, os dois sozinhos , e ficámos com a mesma paixãoâ€, recorda Rémi. “E ainda hoje, passámos um momento fantástico. Afastámo-nos 500 metros da pista. Sozinhos, os dois, a fazermos o nosso próprio traçado, longe do fumo dos outros. Foi espantoso, um desses momentos que nos faz esquecer a fadiga e a confusão. É por causa de momentos como estes que participamos no Dakar.â€
Rémi avança ao seu ritmo, tranquilo e sereno. Esta noite, como sempre, ele vai deitar-se antes de anoitecer. Inspecciona cuidadosamente a sua moto, examina o desgaste dos pneus e suspira: “espero que eles aguentem até ao dia de descansoâ€. Depois de alguns acertos de rotina, ele abre, mais uma vez, a mala que abriga o seu universo, olha para a fotografia da mulher, que traz a sua filha ao colo, antes de lhe telefonar. “É um telefonema rápido, alguns minutos só para dizer que está tudo bem.†E depois Rémi vai dormir. Porque a chamada para a próxima partida, etapa TanTan-Zouerat, é à 1h00 da manhã. E ele aceita esse despertar, simplesmente, ao seu ritmo. Vai continuar a sonhar com o Lac Rose. Quando lhe perguntamos sobre o seu sonho que se aproxima ele sorri calmamente e responde, passando a mão pela cara: “É verdade que, até aqui, tudo correu bemâ€.

Regresso anunciado
Rosa Romero
Ela está só. Perdida à frente da mala nº 40. As botas, o blusão e o capacete caÃdos no chão. Ela arruma as suas coisas. Desajeitadamente. Recupera como pode, os seus objectos pessoais que estão no interior. à sua volta, os motards que fecharam a etapa instalam as suas tendas ou procuram saber a hora de partida para a etapa seguinte. Rosa já está fora de tudo isto. Vestida com uma t-shirt, um blusão e jeans, está de partida. Robert Otger, seu companheiro, caiu, partiu o tornozelo e ainda tem sete mil quilómetros pela frente até chegar a casa. Ele abandona a corrida e ela não pode continuar sozinha. De Barcelona chovem os telefonemas a pedir-lhe para continuar a aventura. Nani Roma, o seu marido, nem quer ouvir falar disso.
E, portanto, ela abandona, sem ter caÃdo e sem ser eliminada, o Dakar com que tanto sonhou. Aos 18 anos partiu só, com a sua Cagiva 600, para fazer 10 dias de pistas em Marrocos. Depois, construiu a sua vida e o seu desporto. Formou-se em informática, teve duas filhas e fez dezenas de cursos de enduro em Espanha, apesar de aà não haver categoria feminina. E chegou o momento de viver o seu sonho. Nani acabou por aceitar que ela participe no Dakar. Sob a protecção de Otger, o seu amigo de sempre.
“Ãamos a andar depressa, lado a lado. Estávamos perdidos, o meu road-book não funcionava. Ele não viu o perigo, eu sim. Caiu pesadamente no chão. Eu tive medo. Tentámos voltar para a pista. Cada vez que ele punha o pé no chão era o infernoâ€. Rosa conta isto com nervosismo. Logo ela que estava a correr tão bem, abandonar a prova tão cedo, depois da 2ª etapa marroquina. “ O Nani também não conseguiu terminar o seu primeiro rali em moto porque caiu na 2ª etapa de Marrocosâ€, diz, sorrindo. Está quase a chorar. “Se faltassem apenas dois dias para o fim do Dakar terÃamos encontrado outra solução…â€. Otger , equilibrando-se nas suas muletas está triste:â€por minha causa, ela vai voltar para casa..â€
Antes da partida para o Dakar, Rosa dizia: “Toda a gente me diz que é uma prova muito dura, mas não sei quão dura será realmenteâ€. Desde 3ª feira, já sabe. E é muito mais injusto do que ela imaginaria. “Eu vou voltar. Nani tinha-me dito: terminas o Dakar e depois paras!†Mas a janela do sonho Dakar ainda está aberta e do meio da sua decepção, Rosa consegue vê-lo muito bem.â€
Ela está só. Perdida à frente da mala nº 40. As botas, o blusão e o capacete caÃdos no chão. Ela arruma as suas coisas. Desajeitadamente. Recupera como pode, os seus objectos pessoais que estão no interior. à sua volta, os motards que fecharam a etapa instalam as suas tendas ou procuram saber a hora de partida para a etapa seguinte. Rosa já está fora de tudo isto. Vestida com uma t-shirt, um blusão e jeans, está de partida. Robert Otger, seu companheiro, caiu, partiu o tornozelo e ainda tem sete mil quilómetros pela frente até chegar a casa. Ele abandona a corrida e ela não pode continuar sozinha. De Barcelona chovem os telefonemas a pedir-lhe para continuar a aventura. Nani Roma, o seu marido, nem quer ouvir falar disso.
E, portanto, ela abandona, sem ter caÃdo e sem ser eliminada, o Dakar com que tanto sonhou. Aos 18 anos partiu só, com a sua Cagiva 600, para fazer 10 dias de pistas em Marrocos. Depois, construiu a sua vida e o seu desporto. Formou-se em informática, teve duas filhas e fez dezenas de cursos de enduro em Espanha, apesar de aà não haver categoria feminina. E chegou o momento de viver o seu sonho. Nani acabou por aceitar que ela participe no Dakar. Sob a protecção de Otger, o seu amigo de sempre.
“Ãamos a andar depressa, lado a lado. Estávamos perdidos, o meu road-book não funcionava. Ele não viu o perigo, eu sim. Caiu pesadamente no chão. Eu tive medo. Tentámos voltar para a pista. Cada vez que ele punha o pé no chão era o infernoâ€. Rosa conta isto com nervosismo. Logo ela que estava a correr tão bem, abandonar a prova tão cedo, depois da 2ª etapa marroquina. “ O Nani também não conseguiu terminar o seu primeiro rali em moto porque caiu na 2ª etapa de Marrocosâ€, diz, sorrindo. Está quase a chorar. “Se faltassem apenas dois dias para o fim do Dakar terÃamos encontrado outra solução…â€. Otger , equilibrando-se nas suas muletas está triste:â€por minha causa, ela vai voltar para casa..â€
Antes da partida para o Dakar, Rosa dizia: “Toda a gente me diz que é uma prova muito dura, mas não sei quão dura será realmenteâ€. Desde 3ª feira, já sabe. E é muito mais injusto do que ela imaginaria. “Eu vou voltar. Nani tinha-me dito: terminas o Dakar e depois paras!†Mas a janela do sonho Dakar ainda está aberta e do meio da sua decepção, Rosa consegue vê-lo muito bem.â€
