retour_racine
etapa 15 - domingo 15 de Janeiro de 2006 | Dakar > Dakar
  • Ligação  38 km
  • Especial  31 km
  • Ligação  41 km
  • Total  110 km
retour_boutique

Cara a cara

moto

Rosa das areias

Patsy Quick,

“Há uma tradição em Inglaterra que diz que todas as mulheres são rosas, e eu prefiro imaginar-me como uma rosa do deserto em vez de uma rosa de jardimâ€. Com as mãos cheias de bolhas, Patsy tira o capacete. Os seus cabelos loiros da cor da areia parecem incendiar-se sob o sol matinal de Labé e, apesar da fadiga que marca as suas feições, uma luz viva brilha no findo dos seus olhos. “Não quero falar antes de tempo mas parece que, desta vez, já lhe vemos o finalâ€. Ela arrisca um sorriso discreto, para não esconjurar a sorte que, finalmente, lhe sorri. “é a quarta vez que participo no Dakar e das outras vezes fui obrigada a desistir. Em 2003 dei uma queda grande que me desfez o baço, em 2004 passei 48 horas sozinha no deserto antes de ficar fora de corrida e no ano passado abandonei por causa de uma bateria defeituosa…Então, este ano, irei até ao fim..â€, dizia Patsy na partida.

Desta vez tudo corre bem para Patsy, apesar de, tal como os outros, ter tido alguns problemas nas areias da Mauritânia, perdendo tempo plantada nas cristas das dunas. Mesmo se ela viu a noite cair e trazer consigo os seus velhos demónios, que dançavam à sua volta para lhe lançar uma nova maldição e a impedir de realizar o seu sonho. Mas Patsy é um osso duro de roer. Ela não cede, muito pelo contrário, a esta dúvida maçadora que , pouco a pouco, se imiscui no seu pensamento. “Cada noite, quando regressava ao acampamento, estava um pouco mais cansada. Mas a moto estava bem. Era apenas uma questão de vontade, de um desejo indomável de nunca ceder um pouco de terreno, de ultrapassar cada dia aquilo que eu julgava serem os meus últimos limites.†Clive Town, o amigo de sempre, com quem ela roda desde os seus primeiros passos no rali-raide, tem ficado a seu lado. Ele encorajou-a, puxou por ela. E também a acalmou, quando ela atacou um pouco demais para ver os quilómetros se desenrolarem mais depressa e saborear, enfim, os aromas do Lac Rose. “Ele tinha razãoâ€, reconhece.â€Ã€s vezes deixo-me embalar quando deveria estar a aproveitar o facto de me sentir bem para não ir buscar as minhas reservas. Mas….é a minha natureza.â€

No entanto, Patsy é uma mulher tranquila, uma antiquária pouco conhecida de East Sussex, que mima os seus bibelots e os seu cães. Mas todos os fins-de-semana, ela calça as botas da moto, veste um blusão de couro negro com uma águia nas costas, para sulcar, em corrida ou de passeio, os caminhos lamacentos do campo. Num canto da sua cabeça está um história do deserto, de uma rosa das areias. Uma rosa que, finalmente, este ano, se vai abrir nas margens do Lac Rose.
moto

Em nome do Uruguai...

Laurent Lazard,

Nenhum sinal de fadiga. Mais do que qualquer outro sentimento, é a felicidade que ilumina a sua cara banhada pelo sol quente de Dakar. Aos vinte e sete anos, Laurent Lazare saboreia a realização de um sonho de menino. Diz que está mentalmente esgotado no final desta “aventura humana†que ele não imaginava ser assim tão exigente. Mas aqui está ele, o primeiro motard da história do Uruguai a terminar um Dakar: que orgulho!

A principal satisfação para este endurista experiente em rali-raide (já tem 25 na sua história) é que Laurent não passou pelo inferno vivido por muitos outros concorrentes. À parte um pequeno problema mecânico em Marrocos, algumas quedas sem consequências físicas e das confusões próprias das dunas da Mauritânia. Ele tem a impressão de sair esgotado da prova: â€Foi de tal maneira duro do ponto de vista psicológico que cheguei a chorar, várias vezes, quando ia na moto. Pensei que não prestava para nada, mas o que deu alguma segurança foi ver os melhores a fazerem, também, asneirasâ€. E ele que temia a falta de sono, conseguiu deitar-se todas as noites por volta das 20h30, como os seus amigos David Casteu e Carlo de Gavardo.

No ano passado, Laurent foi a Barcelona para encorajar o seu amigo mexicano Pedro de Uriarte. Desta vez, ele não quis deixar de sentir o prazer de entrar na “família Dakarâ€, no dia 31 de Dezembro de 2005, em Lisboa. Originário de Nîmes, ele vive há sete anos numa pequena estação balneária, Las Toscas, à beira do Atlântico. O seu amor pelos grande espaços levou-o a organizar raides aventura na Patagónia. No Uruguai, ele tornou-se uma estrela, um convidado frequente dos “plateaux†de televisão e condecorado com o Prix Charrua – a legião de honra local – depois de ter ganho uma etapa do Master Rallye 2002 e dois segundos lugares no Rallye Argentina, atrás de Carlo de Gavardo. “As grandes cadeias televisivas do continente americano, como a Fox Sport e a ESPN falam de mim todos os dias, desde que saí de Lisboaâ€, diz ele a rir.

Mais do que a sua classificação no Dakar (32º), Laurent pretende que a sua experiência dê outros frutos:â€Quero chegar a Dakar para despertar vocações no Uruguai. Sou o único piloto a correr fora do continente sul-americano. Uma vez que tenho dupla nacionalidade e os uruguaios são loucos pelos desportos mecânicos, eu sou o seu embaixador nas corridas e quero aproveitar para abrir caminhoâ€. Para isso, ele montou uma estrutura de corrida para um pequeno grupo de amigos enduristas par os poder acompanhar nos pequenos ralis da Europa. Antes, porque não, de uma participação no Dakar, 2007...